27 de fevereiro de 2018

O caminhar no deserto


Há muito tempo me perdi
nas areais do tempo
nas amarras da solidão.
O vento agora sopra
e meus cabelos insistem
em irromper minha visão.
Andando nesse deserto 
Só mesmo ele, o vento
conversa comigo.
Ele sopra coisas
que eu preferia não ouvir...
São canções de outras eras,
sentimentos infindados,
beijos não trocados...
São navios naufragados
na imensidão da memória.
Meus amores há muito ficaram...
Gravados nas paredes do passado,
ainda brilham suas cores à luz das tochas.
Se o tempo não realmente existe,
então eles perduram
e o meu caminhar solitário
é só um detalhe,
uma pequena contradição.
Não sei onde vou chegar
talvez até outras vidas,
à alguma tribo,
ou quem sabe,
nas pirâmides do Egito.
Um momento, um instante...
Um bater do coração
intrínseco ao bater das asas de um pássaro
que apareceu no céu do meu deserto...
Imigrando, ele também está
para as montanhas,
para o futuro,
para tudo que lhe resta... 
Para o tudo ou o nada.
Ele, também nômade
procura pela saciedade
dos seus desejos
e pela redenção
de suas misérias e pecados.

(Gláucia Minetto Martins)

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