20 de outubro de 2016

Querer-não querendo



Eu não queria me perder assim, 
Mas me perdi.
Eu não queria te perder assim,
Mas o fiz.

Rejeitei o que nunca tivemos:
Aquilo que você bate à minha porta
Constantemente para construirmos,
Com um tijolo em uma mão
E um saco de cimento em outra.

Durante todos os anos de amizade
Muitas palavras percorreram
As linhas dessa nossa história
E dos meus poemas
Enquanto os poemas seus 
Também vieram a surgir.

O mundo mudou e você mudou
Você sempre mereceu
E amadureceu
Mas eu com os meus medos, fastasmas e misérias
Não consigo aceitar o "eu e você, você e eu"

E é por isso
Que você não merece pensar...
Não deve lembrar das poucas vezes
Em que nossos rostos foram um
Porque eu não possuo
Todas as boas características
Pra te ter ao meu lado
Não evoluí o suficiente
Não te amei o suficiente.

Você para mim significa um universo
E a história que ficou
É parte intrínseca em mim
Mas eu não sei por que
Eu não consigo querer isso
Apesar de saber
Que pra tudo que queremos realmente, há um jeito.

Eu não sei se a nossa história
Ainda tem futuro
Se eu tenho salvação
Ou se você terá paz...
Mas sei que nos trombamos
Desse jeito
E naquele momento da vida,
Porque algo você me ensinou
E haverá de ensinar
E algo eu mudei também em você

Me perdoe
Se eu te fiz mal
E absorva comigo
O que há de vir...
O que há de ficar
Em nossos diários
Em nossos corações
E em nossas almas.

(Gláucia Minetto Martins)

Um comentário: