20 de outubro de 2016

Agora sou outra


Essa noite sonhei que tinha me mudado para uma casinha amarela em um sítio - o meu grande quintal. Com cheiro de mato, pé de jabuticaba, amora, goiaba e manga... Tudo que se tem direito para uma vida simples com traços de amor e alegria.
À tarde haviam torradas e leite fresco em cima da mesa, e crianças corriam para todo lado. À noite as estrelas brilhavam, brincando de desenhar histórias, e a Lua por sua vez, brincava com a maré, enquanto o Sol não voltava. 
Deitada na grama eu ouvia um violão ao longe e os sapos ainda mais longe, no riacho de águas claras onde eu podia encontrar as pedras mais lindas e cristais mais coloridos.
No meu sonho encontrei meus pés no chão, na grama fresca. Quando acordei, eles tocaram o chão de piso do meu quarto. 
Mas dentro do meu peito a grama verde ainda existe, com todo o encanto do que é simples, bom e belo, junto com o amor à vida e às essências.
Uma hora mais tarde eu deveria dar uma volta a cavalo, mas foi num ônibus que entrei, e numa sala com mesas, cadeiras e computadores que passei o dia.
Mas não me importa. Agora sou outra. Sonhei com uma vida bela, e vidas totalmente belas não existem. Nós as imaginamos para que a sua inspiração melhore nosso caminho.
Agora sou outra. A vida é bela como é. 

(Gláucia Minetto Martins)

3 comentários:

  1. Que descrição apaziguadora. Eu espero encontrar esse recanto de tranquilidade dentro de mim tbm. Todo mundo devia ter seu lugar de paz dentro de si. Foi um sonho bom. A vida podia sonhar tbm.

    Beijos

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  2. Arrebentou a boca do bendito do balão. Bonito até umas horas, isso aí. Você é a guria. Só que eu acho que existem vidas totalmente bonitas. O quadro e a descrição que você fez são muito legais! Se mudar para lá, não esquece dos amigos, convida para um cafezinho preto e queijo. Beijo e queijo

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  3. Um quadro belíssimo, e um texto precioso. Deitar na grama e ouvir violão ao longe... e um rio... Um sonho de sonho, de onde a volta a realidade nos custa alguma insatisfação e até saudade do que não vivemos... Ou será que vivemos?! Un bacio.
    P.S. - Como estás bela com o cabelo cortado. Perdoa-me dizer-te que sempre serei um admirador de teus cabelos compridos, mas estás belíssima também assim. Saudades de te ler.

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