17 de setembro de 2016

Bicho preguiça


Dentro de mim não há alma
Muito menos coração...
Dentro de mim habita um bicho preguiça
Que se movendo lentamente
Coordena meus movimentos.
Não sei quando foi que o abriguei aqui
Talvez já tenha nascido comigo
Ou ainda eu o tenha deixado entrar
Quando as portas das minhas defesas se abriram.
Ele finge que nunca quer nada
Mas devagar vai comendo todas as folhas que lhe dou.
Ele me dá conselhos secretos
Que falam sobre meus confortos, fantasmas e medos
Mas também me acalenta quando eu preciso
E às vezes ele diz que essas são as coisas que eu devo vencer.
Um dia ele vai tomar coragem e ir embora
E eu vou deixar que ele se vá.
O que virá depois no espaço aberto
Eu não sei...
Quem sabe um tigre ou uma águia
Ou somente o meu coração antigo
Que anda por aí com saudade de mim.
Nesse dia então, eu espero que eu também
Tenha habitado o peito do bicho preguiça
E nós tenhamos aprendidos juntos
Várias nuances da vida.

(Gláucia Minetto Martins)

4 comentários:

  1. Que poema interessante! Fiquei aqui pensando que essa seria minha desculpa perfeita pra toda lentidão que tenho. Rs
    Teu coração certamente é imenso pra abrir tantas nuances assim.

    Beijos

    www.reticenciando.com

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  2. A ternura desse bichinho encantou. Será que eu tenho um bichinho preguiça dentro de mim e não deixo o coisinho falar, ou não o escuto? Será que ele vai um dia embora magoado? Isso foi muito bonito, princesa.

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    Respostas
    1. Pode ser... Algum bichinho todo mundo tem, não precisa necessariamente ser um preguiça.. :D
      Obrigada ♥

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