14 de agosto de 2016

Sua casa, suas coisas e eu

Vou invadir a sua casa
Fazer incursões em seu quarto
Embrenhar-me pela escuridão desse caminho
Ou claridade dessa ideia
Mais tarde,
Vou observar a odisseia que mostram os teus retratos
Vasculhar os rostos daqueles que ali se encontram
Tomando conta da sua sala
No alto de molduras antigas de madeira
Vou invadir a biblioteca
Com cortinas compridas e pesadas
Roubar os livros das prateleiras
Sentar em sua poltrona acolchoada
E fingir que sou presidente da tua vida
Só depois, irei embora
Não antes de pegar a bicicleta emprestada
E regar os alfaces da tua horta
Seu cachorro vai me ver
E sentirá minha falta

Mas eu volto

Voltarei ainda muitas vezes

Para não ser mais uma estranha

E pode ficar tranquilo,

Voltarei antes que você desista de mim.
(Gláucia Minetto Martins)
Poema inspirado no livro Marina, de Carlos Ruiz Zafón

Um comentário:

  1. Não conheço o livro. Mas conheço invasões bem vindas. Conheço retornos que vão marcando cada vez mais, até que a saudade é surpresa agradável no dono da casa. Muito bonito poema.

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