29 de julho de 2016

Quem é você?

Me diga o que você é
O que você quer ser
O que vai ser
E o que vai poder fazer

Me diga quanta coisa passou por você
E por quantas causas seus olhos choraram
Porque eu quero ver o que você é
E o que você pode ser

Mas o que você vai ser
Nem eu nem ninguém vai dizer
Nem você mesmo pode ver
O futuro a chegar e te levar
Pelo caminho do seu próprio eu

Mas ninguém é nada
Todo mundo apenas acontece
E por isso muda a todo instante.

(Gláucia Minetto Martins)

Tranquilidade


Eu quero mais
Beijos como o teu
Abraços como o teu
Teu cheiro de roupa limpa
Barba curta, cabelo penteado.
Quero rir com você
Passar vergonha com você como naquele dia
Quero que você cuide de mim
E me entenda quando eu estiver tão atrapalhada.
Eu estou cuidando de você
E você sorri, e ri pra mim
Um afago tão bom
Sensação que marca profundamente meu ser
A sua existência
Que bom que te encontrei...
Eu espero tudo para nós
Com paciência, quero me libertar
Apenas olhe sempre nos meus olhos
Eu garanto sempre sentir os teus.

(Gláucia Minetto Martins)

Continua

olha no meu olho
e diz que você não se importa
que o passado é irremediável
que as coisas agora são outras
disfarça de novo então
esconde a tristeza que vi nos seus olhos
continua na prisão de um amor supérfluo
aceita sua coleira tão macia
mas sonha com outros caminhos
diz que ama outra
pra me ferir
viva assim para sempre
mantém sua covardia
e pense ser feliz
como em todos os dias que te encaro
e você se esconde
na tua vida estranha e vazia
continua
e depois volta pra me dizer
como viveu
e com o que sonhou.

(Gláucia Minetto Martins)

Algumas coisas que odeio

Odeio ter você no pensamento
E estar aqui nessa multidão te procurando com os olhos
Te caçando em vão, pois o seu olhar não volta pro meu...

Odeio lembrar do seu jeito sabendo que não tenho um porquê
E carregar essa sina já gasta de te querer.
Agora já foi um mês sem pensar muito em você
Episódio inédito que eu não poderia esperar
Mas preciso tomar cuidado pra não me deixar levar novamente
E cair na solidão de te amar...

Odeio o dia de hoje tão frio
E o vento que canta as coisas que eu quis esquecer
Odeio como os anos passam e você fica
Como minha vida chega e você sempre se vai.

(Gláucia Minetto Martins)

Poemas e fantasmas incompletos

senti frio e corri pra dentro de casa
mas à tarde o sol brilhava
e saí pro mundo.
encontrei muitas coisas e pessoas que me fazem feliz
assim ri e vivi por muito tempo.

pensei ter amizades e relacionamentos sólidos
mas quando um ou outro se ausentou por uma lua
surpreendi-me ao constatar
que minha própria amizade não era verdadeira
ainda assim doeu um pouco para abrir mão
da ideia fixa de quem é quem em minha vida

nesse meio tempo travei
com sentimentos sem causas, nem lembranças
levei milhares de dias para constatar também
que não era verdade muitas das minhas verdades.

tenho medo de pensar no passado
e trazer junto seus fantasmas.

(Gláucia Minetto Martins)

No teatro

Eu queria que você me mostrasse o seu rosto
Abrisse essa cortina vermelho escura que eu vejo
Como em peça de teatro.
Queria que você olhasse
Dentro de todos os abismos
Encontrando as chaves
Dos mistérios insondáveis
Que eu espalhei pelo chão
E voaram com o vento.
Queria que você encontrasse a minha vida também
Perdida, no alto de alguma montanha
E a trouxesse para junto do meu corpo imóvel.
Os meus quereres são tantos
E as tuas barreiras também
Minhas questões são mais numerosas ainda
E minha intuição me assombra a todo instante
Enquanto você passa ao longe
Atrás da cortina do teatro
Quase assobiando
Como aquele que você sempre foi...
Inalcançável e sublime
Calmo nas tuas tristezas e solidões
E eu sempre aqui, assistindo
E escutando.

(Gláucia Minetto Martins)

O perdão que não pedi

o perdão que não pedi
que é complicado explicar
e mais ainda conceder.
peço perdão
pelo perdão que não pedi
que corrói por dentro.
que pesa só a mim,
a condenada dessa minha história
que, perdão novamente, ó meu Deus
não me arrependo de traçar.

Aquela mulher

Minha casa é fortaleza
Fortaleza de recifes
Mas eu não moro em Fortaleza
Muito menos em Recife
Eu moro em algum lugar qualquer, não sei onde é
Só sei que fica longe daquela mulher

Ela gostava do oceano
Amava Iemanjá
E era mesmo tão bela quanto a rainha do mar
Amava também escrever e do meu jeito de falar
Decodificava meus sentimentos e o meu andar
Mas toda rima um dia tem que se quebrar
Do mesmo jeito que ela quebrou meu coração
Foi aí que me veio essa solidão
Sentida até pelo meu violão

Minha vida veio de contramão
Vieram notas tristes
E quilômetros além mar
Quilômetros dentro a remar
Pelo pensamento do velho penar
Onde a rima mais uma vez
Voltou a me atormentar

Não aguento mais tanto ar
Me dá um tempo pra pensar
No futuro da minha mente presa
Ao tempo do passar

Sereia dos corais
Das pedras imensas
Onde sentas para os navios derrubar
Pedras alegóricas referências do meu casar...

Eu não moro em Recife
Mas por lá vou viajar
Nesse poema sem fim
Como a vida que estou a levar.

(Por: Alex Zani e Gláucia Minetto)

A todas as verdades


A todas as verdades:
Achei que as tinha encontrado.
A todos os meus medos:
Achei que os tinha enfrentado
A todas as minhas paixões:
Achei que tinham sido fortes o suficiente.
Mas é claro que nada sou 
Perto dessa imensidão.
E o nascer e o por de sol que eu observo
Também são meras pinceladas
Na história do universo.
É preciso acalmar-se
Admitir as fraquezas e as verdades
Parar de alimentar o ego
Pra alcançar o divino êxtase 
Que é descobrir que as pequenas coisas boas que passamos 
É a tão sonhada e tão temida... felicidade.
Que existe mesmo em meio as nossas provas e expiações...
Que é a forma de enfrentarmos
Essa coisa misteriosa 
Que é a vida
E o fato intrigante de que ela é una
(Mas tanto muda).

(Gláucia Minetto Martins)


Mudança


Você chegou
E me curou
Em muitos aspectos.
Me fez ver a vida
De um jeito melhor
Apagou a sujeira
Que insistia em grudar
No meu retrovisor.
Você chegou
E me mostrou que é hoje
O dia de ser feliz.
O dia de deixar as paranoias,
As correntes 
E a solidão.
Você chegou 
Com a tua insistência
Rompeu minhas barreiras,
Pulou o muro da minha fortaleza.
Derrubou o arco e flecha
Da minha mão
Instalou-se num castelo
No meio da minha solidão.
Desde então,
O por do sol ficou mais belo
Os pássaros cantam um recital
E o meu peito ressoa
A música que toca
No meu coração.

(Gláucia Minetto Martins)

Pausa-desabafo

estou vivendo muito ocupado
estou vivendo muito sem alma
e quando as coisas acontecem 
param o meu mundo.
eu desequilibro
eu não sei como agir
e desanimo.
estou cansado
de muitas formas possíveis
não sei se encontrei o colo certo para deitar
apenas queria parar de ter problemas com você...
você já me curou
das minhas neuras
das minhas marcas.
você me mostra que devo ser tolerante
mas depois tira o chão debaixo dos meus pés.
aí já não sei mais 
se devo continuar a tolerar
aprender com os teus e os meus erros
ou abandonar tudo outra vez
pra continuar o ciclo insosso 
que é você me pedindo perdão,
eu resistindo e me sentindo uma pessoa má
pra depois ser tudo em vão e eu perdoar,
e você me perdoar,
e quando eu achar que está tudo bem
algo acontece novamente.
eu quero ser feliz
talvez eu mereça mesmo ser feliz
mas às vezes parece ser com você
e às vezes não.
só sei que sinto meu coração duro
meus dias escorrerem pelas mãos
minha preguiça e indisciplina me corroendo
a vida chegando e partindo
eu preciso voar ou fixar os pés no chão?
vou me imaginar numa praia deserta
meditando, sentado na areia
sentindo o cheiro e ouvindo o barulho do mar
pra me reconectar com a natureza
superar os meus medos
as minhas mágoas e angústias
as minhas inseguranças
e voltar mais forte e calmo
pronto e renovado
saído do casulo
sentindo um novo ar nos meus pulmões
avistando novos e bons horizontes.

(Gláucia Minetto Martins)