28 de junho de 2016

Quando o corpo apaga


Quando o corpo apaga
A alma desperta. 

Somos cápsula física 
Compilado de matéria orgânica 
Porque o orgânico 
 Não é imutável, imóvel e independente 
Como uma pedra.

Nosso espírito em corpo humano 
Consegue perceber 
Como é depender do outro 
Depender da terra, da água e do ar 
E apesar de uma parte do mundo ser orgânica 
E outra inorgânica, 
Toda a matéria está conectada.
É una...

A parte física é uma 
A espiritual também 
Mas há identidades 
Que podem ser separadas 
E um dia retornarão ao núcleo inicial. 

Apesar de sermos matéria 
Corpo fixo ao solo 
Que olha para as estrelas, 
Nossa matéria permite entender 
Os sentimentos viscerais 
Os instintos 
A fome e a sede 
O amor e a união 
Porque é a forma mais didática
Que o Universo nos ensina 
As relações dos espíritos. 

Do espírito único 
Que é o quebra-cabeça geral 
Em que as peças precisam comungar a sabedoria 
Para voltar a compor a grande imagem 
Que é o mistério da vida.

Quando a matéria apaga 
O espírito desperta 
A jornada toma outra forma 
Vai seguir os caminhos antigos 
Vai ao encontro do propósito universal. 

Que a espiritualidade nos conecte 
Que o bem nos guie 
Que a paz permaneça. 

(Gláucia Minetto Martins)

10 de junho de 2016

Das coisas inconclusas e dos desejos mais intensos

Por MartaSyrko

Não me canso
De olhar pra tua boca fina e vermelha
E pro nariz mais perfeito
Enquanto você dorme,
Com a respiração carregada
Que eu sinto do meu rosto,
Assim tão de perto.

Não paro um minuto de olhar
Para a sua barba bem cuidada
Seu cabelo,
Onde você insiste em achar defeito,
Mas eu não tenho restrição alguma.
 
Eu finjo que meus olhos não estão lá
Com meus óculos escuros, virada para você
Na esperança que não perceba
Mas eu acho que você sabe...

Depois dorme de novo
E cobre metade da tua cara de quem não quer nada
Mas eu ainda olho
Ainda sinto.
 
Sinto acima de tudo
O impulso magnífico, intenso e inexplicável
Que é te beijar
Um simples beijo
Que parece tão automático,
Mas está muito longe disso,
Tão longe que eu mal enxergo
E nem me atrevo a imaginar muito.

Eu gosto de tanta coisa em você
Da tua personalidade
Da tua aparência
Da tua conectividade com o mundo.
 
Mas não gosto de algumas coisas também
Como os momentos anti-sociais
A necessidade enorme de andar livre por aí
A distância física e emocional que enfrentamos.

Não gosto do passado que tivemos
Da forma como agiu
Da forma como agi
Das mentiras que talvez você tenha me dito.

Gosto menos ainda de pensar que poderiam ser verdade
Ou ainda da certeza que tenho às vezes
Que você não merece o que eu sinto.

Eu só sei que eu não quero te esquecer
Que eu não consigo te ver e não pensar em você
Não posso não te seguir por onde você for
Não posso ignorar o quanto eu te quero.

E o mais triste de tudo
É que eu não posso viver isso
Não posso sentir o que desejo
Não posso ter esse desejo
Que nunca passará de uma vontade
Nunca passará de uma ilusão
E é melhor não sonhar
Pra não acordar de repente.

(Gláucia Minetto Martins)