18 de abril de 2016

Odisseia (pela busca de uma alma)

quanto dinheiro eu daria
para voltar atrás
ou para ao menos saber
o que se passa?
no seu interior
no seu universo particular
na sua carne
nos teus desejos mais obscuros.

eu daria embora a minha indecisão
a minha paz espiritual,
a minha intuição,
a minha educação.

eu procuraria por você
nas fossas mais profundas de qualquer planeta
no vulcão mais temido de qualquer lugar
na cauda mais fria de qualquer cometa.

eu te buscaria
nos anéis de saturno
na fé mais edificada
na inocência mais intacta

eu te procuraria
onde é mais difícil te encontrar:
nas profundezas de mim mesma.

e te colocaria
atrás da porta mais bem fechada
de qualquer fortaleza:
dentro do meu coração,
na vigilância do teu juízo.
ou, quem sabe,
poderia transgredir
minhas ideias mais estruturadas
e te levar para as asas
da minha loucura.

(Gláucia Minetto Martins)

2 comentários:

  1. Como tens compensado teus períodos de ausência sentida com tuas aparições em poemas densos, belos, reflexivos, complexos, contundentes!... Como deves estar ocupada! Mas como isto nos traz tanto e tão forte tua falta!
    É vero! Ah, quem dera! Quem dera pudéssemos trancar em nosso coração a alma que tanto desejamos! Ainda que a vida nos ensine essa necessária liberdade, como desejaríamos aprisionar quem nos aprisiona em sentimentos tão doces, tão belos e tão benfazejos!
    Belo, belo, belo. Tua és bela.
    Beijossssssssssssssss

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    Respostas
    1. Obrigada, Lucas!
      Eu vivo ocupada de manhãzinha até a noite e não me sobra tempo nem pra inspiração e escrita.

      Às vezes é muito difícil deixar ir o que não é nosso, ou desistir de uma ilusão ou sentimento.

      Um grande beijo.

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