28 de abril de 2016

Sobre muito do que é ser e viver

estou farto de ser nada
eu quero ser tudo
no meu mundo
eu quero tudo ou nada!

sem abandonar a rotina
sem deixar o salário
e as ruas cinzentas
sem esquecer os carros
o relógio
ou quem sou

extrapolar o riso
exagerar além do exagero
enxergar além do visível
sentir além da pele

nadar até o cais
porque ao lado dele
um barco me espera
depois um avião
para cingapura, turquia e noruega
e ainda depois
ao lugar mais desconhecido:
de volta ao meu lar.

essa viagem eu posso fazer em sonho
eu posso ser muitos
eu posso estar em muitos lugares
em muitas mentes
em muitos corações
e em uma só energia.

porque isso tudo é vida
isso tudo é sentido
sentido sentimento
sentido direção
sentido de fazer sentido.

minha respiração é profunda
meu sangue quente
meu peito largo
minha mente lúcida
dentro das minhas íntimas loucuras.

quero guardar souvenirs
de uma coleção de odisseias
pelos caminhos físicos
e pelos não físicos
pelos pensamentos e reflexões
pela matemática e filosofia.

uma estrada pelo meu corpo
pela pele
um caminho pelo meu mundo
enquanto as rodas do ônibus
vagueiam pela cidade dia após dia.

a minha rotina não é sofrimento
a minha vida não é errada.
dentro dos meus hábitos
eu encontro meus destinos
meus amores
minhas solidões
minha vida
e minha existência.

e vou vivendo,
inteiro
rumo ao universo
rumo a tudo que diz meu eu
a tudo que sou
e quero ser.

(Gláucia Minetto Martins)

18 de abril de 2016

Odisseia (pela busca de uma alma)

quanto dinheiro eu daria
para voltar atrás
ou para ao menos saber
o que se passa?
no seu interior
no seu universo particular
na sua carne
nos teus desejos mais obscuros.

eu daria embora a minha indecisão
a minha paz espiritual,
a minha intuição,
a minha educação.

eu procuraria por você
nas fossas mais profundas de qualquer planeta
no vulcão mais temido de qualquer lugar
na cauda mais fria de qualquer cometa.

eu te buscaria
nos anéis de saturno
na fé mais edificada
na inocência mais intacta

eu te procuraria
onde é mais difícil te encontrar:
nas profundezas de mim mesma.

e te colocaria
atrás da porta mais bem fechada
de qualquer fortaleza:
dentro do meu coração,
na vigilância do teu juízo.
ou, quem sabe,
poderia transgredir
minhas ideias mais estruturadas
e te levar para as asas
da minha loucura.

(Gláucia Minetto Martins)

Súplica do querer

Como eu te quero
Ninguém pode dizer
Além do meu corpo,
Dos meus olhos na tua pele
E no teu cabelo.
Como eu te quero...
É mais que a fome
Que insiste todo dia
É mais que o sono
Que chega a toda hora
É mais que a sede de intelecto
Mais que necessidade de ser alguém
Mais que a inconformidade dos nossos padrões...
Eu te quero como fome!
Como febre
Como ímã
Como o ar que me mantém viva
Como o poema que eu escrevo
Como os sonhos que eu sonho além mar,
Além de mim.
Eu te quero em toda a sua sutileza
Em toda a sua estranheza
Em toda a minha ilusão
Em toda a minha lucidez
E em toda a minha súplica.
Eu te quero com maior intensidade
Do que a imagem desse anel na sua mão direita.
Eu te quero
E espero poder não mais te querer
Quando eu parar de te ver todos os dias.
Eu te quero.
Eu repito, eu canto
Que lhe quero..
Quem sabe você não escuta
Que eu te quero por inteiro
Te quero bem.
Te quero no meu ser,
Meu bem.

(Gláucia Minetto Martins)