5 de dezembro de 2015

Sobre noites, corpos e trens

por muitas vezes
eu me senti sozinha
e por muitas e muitas vezes
você esteve lá para mim
e ainda está
bem, é o que acho...
o telefone sempre foi o milagre
nossas vozes meio estranhas
no meio da noite.
sinto medo agora
não sei quem sou
sinto tudo
sinto muito
sinto bem
te quero bem
nos quero bem.
nos quero
será?
não sei!
vou escrever um livro,
um diário
ou talvez um dicionário
sobre um mochileiro
que uma hora está pra cá,
e outra está pra lá
ora, quem sabe assim eu compreenda
o que fazer com o meu coração viajante
minha mente em um balão
meus pés quase no chão
minhas mãos trêmulas ou seguras
minha face que dói
meu seio que arde
meu transe sem hora pra voltar.
em meus sonhos sempre perco o trem na estação
em minha vida espero não perder, não...
vou sair mais cedo de casa
levar minhas malas
e ir atrás do que vier.
que venha logo!

(Gláucia Minetto Martins)

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