16 de dezembro de 2015

Before-after

às vezes o tempo é bênção
às vezes não
antes eu era uma
agora sou outra
antes umas belezas
agora algumas feiuras
antes um coração leve
agora um meio cansado
antes uma vida tão curta
agora ainda curta
antes poesia
agora desabafo
antes versos em qualquer esquina
agora esquecimento
eu sou outra!
ou será que ainda a mesma?
antes, agora...
antes versus agora.
preciso parar de escrever sobre isso
preciso parar de pensar.
preciso tirar meu tempo
meditar e levitar.

(Gláucia Minetto Martins)

Mochileiro mal feito

eu sou o mochileiro das galáxias
ainda nem li esses livros
mas os tenho aqui
guardados na estante
esperando...
há tantos na frente
nessa lista interminável
que o tempo por sua vez entra na frente
há tanto a fazer
tomo um fôlego
ultimamente não estou vivendo direito
trabalhos e pesquisas o dia inteiro.
preciso deslogar do facebook
fechar a internet e abrir meu arquivo
relatórios, provas, seminários.
consigo um tempinho
um segundo, um respiro
encontro por acaso
ou não tão por acaso assim,
umas palavras por aí
aí já era...
venho eu a escrever.
me sinto mochileiro das galáxias
viajando pelo tempo e pelos mundos
com uma bagagem nas costas
sentado em uma pequena nave
correndo com ela no espaço
ficando velho, mas sem rugas
passando o tempo e a amada rotina.
acabe logo, minha viagem
acaba comigo essa viagem
vou tomar um fôlego
ufa!
férias chegam de vagar
um último relatório
meu último dia letivo inteiro só para ele
pesquisa, lê, escreve, tira print
vê resultado, discute, conclui.
vagando pelos anos universitários
vendo uma faixa meio ao longe
mas agora mais perto que antes
vai valer a pena
está valendo a pena.
fiz um quiz
disse eu que estava feliz na escala 4
de 1 a 7 eu acho...
por que 7?
enfim...
eu sei bem o que preciso para chegar ao máximo
sei.
do relatório agora falta pouco
mas a parte mais importante
devo discutir os valores
coisa chata, pela fadiga
mas eu sei fazê-lo
espero fazer.
sei.
eu consigo.
eu posso.

(Gláucia Minetto Martins)

5 de dezembro de 2015

Palavras

minhas palavras
deixam marcas?
até eu as esqueço...
acho que elas devem cumprir seu papel
as escritas ou faladas
poemas ou cartas
emails ou mensagens.
espero sempre ser possível
com elas apaziguar,
apoiar,
amar,
ajudar,
dar perdão ou receber redenção.
que elas marquem
deixem ir ou deixem vir
sejam à toa ou muito fortes
cumprindo seu destino,
a missão que tiver.
quero deixá-las, junto com meus passos
no coração de quem comigo viver
para
que toda a existência faça sentido
que toda alegria tome forma
que toda tristeza exista somente se necessária.
vou ouvir também os outros
para aprender o que têm a ensinar
e sentir o mundo em todos.
sendo simples e sendo gente.
é assim que quero ser
e um dia morrer.

(Gláucia Minetto Martins)

Não sei, ninguém sabe, todos sabemos intrinsecamente

ninguém sabe ao certo o que é amar
pois não há receita
para cada um é de um jeito
para cada língua um sabor
cama aroma um floral ou amadeirado.
mas sempre há algumas coisas parecidas, é claro
companheirismo, por exemplo.
talvez por isso às vezes não sabemos
o que está acontecendo...
melhor nem pensar
ou pensar muito
a escolha é sua
o que vem depois
nem deus sabe
talvez nem o destino...
só você.
como é difícil decidir.
acontece que o amor está acima
de todos os níveis
é aquilo que é criado e permanece.
tem tantas fases e faces...
mesmos com pisadas na bola,
ainda amor.
às vezes não mais paixão
às vezes nunca paixão!
mas amor... amor
na essência da palavra
na calma do viver
do esperar sem esperar
do levar sem rotular.
que desafios
a vida nos dá!

(Gláucia Minetto Martins)

Educação Ambiental


(Para Marina Carboni)

Amar a vida é emocionar-se com os sentidos
Caminhar com entusiasmo e alegria
Sentir o sublime em cada traço do caminho
Ver-se parte de um sistema
Entender o ciclo que a tudo rege
Reafirmar a fé a cada dia.
Amar a vida 
É ter carinho aos pequeninos
É cuidar com paciência 
E acima de tudo
Ser tão feliz, 
Que esse sentimento 
Não cabe em si mesmo...
É preciso compartilhá-lo 
Ajudar a despertá-lo
Em nossas crianças,
Em nossos adultos.

Educar é despertar.
Educar mostrando a natureza
É levar uma ideia de conexão
É um fazer sentido
Que se leva para sempre.

Educação ambiental 
É construir indivíduos,
Mesmo que já crescidos...
Fazê-los sozinhos 
Encontrarem seus caminhos
Nessa trilha cheia de sentidos
Que é a vida e a natureza
Munidos de amor e respeito,
Além de tantos outros valores
Que constroem os vitrais da plenitude.

(Gláucia Minetto Martins)

Sobre sonhos


Nada é à toa
Nada por acaso
Respeito meus desejos
Meus limites e barreiras
Talvez...
É preciso ir atrás dos sonhos
Seguir a vida, o cavalo
O destino em que acredito.
Prometo olhar para trás
E acima de tudo para frente
Sentindo os opostos na carne.
Minha é a sorte
Minhas são as escolhas
As escolas que encontro em cada curva
Histórias e casos
Caos e alegrias.
Minha identidade é assim construída
A vida é assim vivida.

(Gláucia Minetto Martins)

Sobre noites, corpos e trens

por muitas vezes
eu me senti sozinha
e por muitas e muitas vezes
você esteve lá para mim
e ainda está
bem, é o que acho...
o telefone sempre foi o milagre
nossas vozes meio estranhas
no meio da noite.
sinto medo agora
não sei quem sou
sinto tudo
sinto muito
sinto bem
te quero bem
nos quero bem.
nos quero
será?
não sei!
vou escrever um livro,
um diário
ou talvez um dicionário
sobre um mochileiro
que uma hora está pra cá,
e outra está pra lá
ora, quem sabe assim eu compreenda
o que fazer com o meu coração viajante
minha mente em um balão
meus pés quase no chão
minhas mãos trêmulas ou seguras
minha face que dói
meu seio que arde
meu transe sem hora pra voltar.
em meus sonhos sempre perco o trem na estação
em minha vida espero não perder, não...
vou sair mais cedo de casa
levar minhas malas
e ir atrás do que vier.
que venha logo!

(Gláucia Minetto Martins)

Minha horta jardim


Minha casa tem ciúmes
do meu quintal imaginário
nele eu tenho uma linda horta 
com pequenas casas de argila
que parecem a de bilbo...
Colho alface, cenouras, beterraba
colho alegria e gratidão
sinto a terra nos pés descalços
o orvalho das folhas em minhas frágeis mãos.
E os meus girassóis estão ali desde que comprei esta casa
lembrando que o sol sempre esteve lá
e ainda estará por muito tempo.
Essa minha horta jardim não existe
ela é um conceito
de um futuro que quero
de um lugar pra morar
que tenha terra
filhos muitos
e biblioteca...
Acho que quando penso neste quintal conceito
os cômodos da casa ficam tristes
porque neles eu durmo, como, tomo banho
vivo minha vida simples
mas pensando em algo que eles não podem me dar...
Não sei o que fazer...
Se eu comprar outra casa 
com quintal grande e sem concreto,
esta aqui terá ciúmes
mais do que já está.
Se eu não comprar
esterei insatisfeita.
Não sei
Nunca sei.
Esperarei.
Por um dia que eu tenha dinheiro
por um dia em que eu decida
talvez encontrar de uma vez
os girassóis da minha vida.

(Gláucia Minetto Martins)