23 de novembro de 2015

A beleza de flutuar (pelo espaço sideral)

eu não quero perder tudo o que já fui
eu não quero que meus sentimentos, apegos e achismos
escorram pelos dedos
como água que lava o que passou.
mas eu quero também ser outra
como um rio que nunca é o mesmo
vai embora
vai pro mar
mas volta depois...
quer saber, eu já não sei o que quero
estou flutuando
no meio do espaço sideral
meus braços estão quase acima da minha cabeça
e minha mente viaja por todos os mundos e dimensões.
quem sabe encontrarei aqueles que há muito foram
ou quem ainda virá...
não gosto de não saber o que vai acontecer
de não poder planejar o meu futuro
porque não sei o que vai ser daqui a dois anos.
mas não devo ser tão metódica
sei que tenho que viver o hoje
e deixar o depois no lugar dele
mas parece que as coisas não fazem sentido
tem algo fora do lugar
descolado no meu coração
será que uma peça se quebrou?
mas isso é longe de tristeza
eu estou feliz, sim
é só uma interrogação
estranha
um flutuar meio sem jeito.
estou esperando...
uma hora vou aterrissar
em que mundo, eu não sei
tomara que seja aqui na Terra
ou em outros planetas ainda mais bonitos.

(Gláucia Minetto Martins)

2 comentários:

  1. Um poema um tanto mineiro, um tanto goiano, um tanto de Drummond, outro tanto de Cora Coralina...
    Flutuar, seja no espaço sideral, nima nuvem de sonho, numa frase ou num sentimento é sempre experimentar sensações quase indescritíveis. Ainda assim, trouxeste para o poema uma bela reflexão!
    Por vezes eu gostaria de flutuar, divagar sobre as ondas da praia. Deixar o pensamento livre, sentir o quanto sou feliz em viver.
    Muito belo, Gláucia! Belíssimo!!
    Beijossssssssss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada!
      Nossa, que honra meu poema ter um pouco de tudo isso! haha

      "[...] flutuar, divagar sobre as ondas da praia. Deixar o pensamento livre, sentir o quanto sou feliz em viver."... Isso tudo é gratidão!

      Beijo enorme!

      Excluir