18 de março de 2015

Ciclos e identidades


Meu corpo não me pertence
A ninguém pertence
A não ser à natureza.
Sou parte dela
Sou parte do mato
Das árvores
Das montanhas e vales
Dos pássaros e cervos
Das nuvens e rios
Estuários e brisas
Dunas e cavernas.
Os átomos em mim
Fizeram parte de outros seres
E um dia ainda serão outros.
Nesse mundo como bênção
A matéria não aumenta
Nem diminui.
Sóis nascem e luas se vão,
Fugazes observadores
Fazem também parte
Dos mais belos ciclos
Nos quais estamos inseridos.
Sou parte da natureza
Ela habita em mim
Eu habito em tudo que há lá fora
Habitei e habitarei
E minha alma antiga
Vê os átomos e moléculas
Pelas eras dos tempos
Éons e ventos do passado
Sopros e promessas do futuro.
Sou eterno,
Sou alma,
Somos um.
Estamos sós
Estamos todos juntos...
Caminhemos com brandura.

(Gláucia Minetto Martins)

Um comentário:

  1. Uau! Magnífico o seu poema. Acho que tu conseguiste captar muito bem o ciclo da vida e, principalmente, do somos aqui. Muito obrigada pela sua visita. Desculpa a demora para visitá-la. Beijos.

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