5 de janeiro de 2015

Profeta

um grande profeta tocou minha fronte
me disse que o mundo é feito de energia
e que todos somos um
disse para assumirmos a flor e o barro
da sujeira à mais pura chuva
ele disse que não importa mais nada
a não ser o grande fato da existência
e o passado e o futuro importam muito menos
que o agora pede nossa atenção...
ele pediu para sermos bons
para procurarmos o equilíbrio
e sermos gratos eternamente.
jurou que todos os deuses que promovem o bem
são apenas um
acima de todos os ideais.
achei que a roupa branca que vestia era uma túnica
mas logo vieram homens prendê-lo
segundo eles, o profeta perdera sua mente.
mas através do vidro do carro
ele sorriu para mim e acenou
vi-o olhando para o céu
e em seus lábios o desenho de um "obrigado"

Poema cru

deixe passar
não me deixe ir
não se preocupe com os pontos no is
talvez isso te faça feliz

Apocalipse zumbi

bateram em minha janela
quebraram minha porta
sede por sangue e carne
por espalhar o vírus
lamento em ranger de dentes.
contra a parede, como vou me proteger?
resta virar um deles
sucumbir à ideia de ser
o que nunca se deve ser

Ligação

parece que até sinto o seu cheiro
que não conheço
como a saudade do que não foi
e dos olhos que ainda não decifrei

Dois mil e quinze


Prefiro não transformar desejos ou metas em promessas
Eu nunca as cumpro...
Mas de uma forma ou de outra
Que nesses novos dias eu tenha força
Para pensar menos,
Viver o agora, sem antes nem depois.
Que eu tenha paciência, o que talvez seja o mais importante
Pois o amor todos têm
Mas a impaciência às vezes o afoga.
E por último, para temperar a receita,
Equilíbrio e amor próprio.

(Gláucia Minetto Martins)

Feliz 2015!!!

Chuva


Silêncio em meio à tarde
Vento e sol se escondem
Passam os minutos, questão de tempo
Chuvisco
Chuva
Tempestade
Enxurrada, cidade alagada.
Silêncio
O silêncio da chuva lá fora
O silêncio que ela traz.
Lembranças
O desejo do frio 
Mas por hoje não
O calor não vai embora...
A internet falha
Cai o sinal
Exílio
Solidão.
Chove lá fora 
E aqui dentro de mim.
Quase longe de tudo...
Na cadeira, olhando para a tela
Lembrando da recente tela da minha vida
E das pessoas-palavras-gestos-atos-arrependimentos.
O canto que entoa a chuva
Melodia orquestrada para as frágeis mentes humanas
Felicidade! Pois a tudo lava...
Mas também melancolia... Tudo traz
Ela... A chuva.
As gotas se cansam
A música vai se acabando
Chuvisco
Mormaço
Seca o chão.
Até o próximo número
De chuva lá fora
E deserto na cabeça.

(Gláucia Minetto Martins)