12 de dezembro de 2014

Inércia


Foto: Luiza Junqueira

A vida é tão estranha
Muda o curso da matéria
Constitui mentes em átomos
Células tecidos órgãos sistemas...

As estrelas se inspiram
Em um pingo de céu e terra
Que pensa que é gente
Mas é mesmo,
Pois no Universo nada é grande,
Nem nada é pequeno.

Duas partes se juntam
Multiplicam-se os códigos
Mantêm-se a forma
Mistério morfológico...

Um punhado de matéria orgânica
De repente pensa ou sente,
Em impulsos nervosos,
Se movimenta.
A carne se torna verdade.

A inércia é rompida
Faz-se o que se quer
Reage-se ao que se sente.

Uma perna que balança 
E continua um pouco depois
Uma freada brusca 
E o coração na mão.

A vida é tão estranha
Pode-se alterar pensamentos,
Formas, palavras e tantas coisas
Mas as forças da terra 
Ainda podem fazer um carro em movimento
Lançar um corpo a metros de distância.

(Gláucia Minetto Martins)

2 comentários:

  1. Certamente a Ciência há de fazer-te uma mesura, dado que tornaste leis frias e exatas num poema da vida e da razão de todas as coisas. Sim, é a Inércia que explica um suave puxar de mão e um abraço de apaixonados. É a lei universal da atração que explica dois corpos em rumo de suave colisão. É a lei das curvaturas da luz que explica como a vida fica escura e é absorvida num buraco negro quando alguém que amamos está para além da curva do horizonte dos nossos olhos... Poetinha, és capaz de poetizar tudo! Sempre belamente! Beijossssssssss

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    1. E você é capaz de completar tudo o que eu digo! Obrigada!!!
      Beijos!

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