13 de dezembro de 2014

Decifrar um abraço

para A.Z.

não precisa decifrar todos os meus poemas
não precisa decifrar nenhum poema
eu vou explicar todos pra você...

não consigo continuar essas linhas
porque pra você eu nunca tenho nada a dizer
que pareça fazer sentido
então espero que um abraço baste.

aquele poema de anos atrás
foi o melhor que eu pude fazer
que nele você encontre tudo o que eu quero dizer.

12 de dezembro de 2014

Turbilhão

Mil tarefas a fazer
Mas algo me pegou
Descodificando sentimentos em palavras,
Não paro de escrever.
Preciso ser mais forte
Submergir desse turbilhão
Pois cada coisa tem sua hora
Nesse exato momento
Preciso seguir minhas horas planejadas.

(Gláucia Minetto Martins)

Aleatoriedade


Última semana
Somente algumas provas,
Somente alguns trabalhos.
Algumas viagens de ônibus
Um ano extenuante
Um ano completo
Uma vida transformada.

Às vezes, sentimento de incapacidade
Diante de ângulos que insistem em não cooperar.
Às vezes sentimento de alegria
Diante de palavras sobre a vida e Biologia.

Um ano que se vai.
No coração satisfação
Na cabeça cansaço
No corpo, preguiça terrível,
Maldição insuperável...

Os ângulos ainda esperam na escrivaninha
Uma área que não fecha no computador
Coordenadas estranhas.

Vento lá fora
Em um dia de chuva.
Às vezes nada parece fazer sentido.
Um ano que se vai
Números que formam alguma coisa.

A vida passando em todo lugar
Não sendo nada para cada indivíduo
Sendo tudo no contexto geral.

(Gláucia Minetto Martins)

Inércia


Foto: Luiza Junqueira

A vida é tão estranha
Muda o curso da matéria
Constitui mentes em átomos
Células tecidos órgãos sistemas...

As estrelas se inspiram
Em um pingo de céu e terra
Que pensa que é gente
Mas é mesmo,
Pois no Universo nada é grande,
Nem nada é pequeno.

Duas partes se juntam
Multiplicam-se os códigos
Mantêm-se a forma
Mistério morfológico...

Um punhado de matéria orgânica
De repente pensa ou sente,
Em impulsos nervosos,
Se movimenta.
A carne se torna verdade.

A inércia é rompida
Faz-se o que se quer
Reage-se ao que se sente.

Uma perna que balança 
E continua um pouco depois
Uma freada brusca 
E o coração na mão.

A vida é tão estranha
Pode-se alterar pensamentos,
Formas, palavras e tantas coisas
Mas as forças da terra 
Ainda podem fazer um carro em movimento
Lançar um corpo a metros de distância.

(Gláucia Minetto Martins)

Tua canção


Tua canção me trespassou a alma
Fechei os olhos para não ver
Para sentir a emoção 
Querendo me atingir.
Acho que anjos me cercaram
Me sopraram o rosto
E meus ouvidos se abriram 
Para as tuas notas...
Melodia no piano
Sentimento que vêm
Da mais profunda camada da alma.
Não quis acordar
Te amei desde então.

(Gláucia Minetto Martins)

10 de dezembro de 2014

Sobre a roupa que lavei, sobre a roupa que doei


Joguei fora nas curvas do tempo
No tic tac da estrada
Porque você é uma lembrança
Que não me serve mais

(Gláucia Minetto Martins)

9 de dezembro de 2014

Meu corpo é pássaro

"My body is a cage
That keeps me from dancing with the one I love
But my mind holds the key"

Eu quero ser livre
E que maior simbolismo de liberdade
Senão um pássaro pelo céu...
Liberto da gaiola?

Mas eu não voo
E nem saio correndo pelas campinas
Não tomo banhos de chuva
Como em filmes não reais

Como eu serei livre
Se não sou um pássaro
Nem estou preso em um filme de chá da tarde?

Mas sei que a resposta
Está em meu coração
Que me pede pra se abrir

Que meu peito seja brando
E respire pouco a pouco
Para eu ser livre de mim mesmo

Meu coração é pássaro
Meu peito é gaiola
Minha mente é o caminho
Minha boca é um fardo
Meus ouvidos minha escola

Meu coração é pássaro
Meu peito é gaiola


(Gláucia Minetto Martins)
04/12/2014