11 de junho de 2014

No horizonte


me deixa ir
me deixa te olhar lá no fim
quando no horizonte eu chegar

vou te guardar quietinho
numa concha de tijolos
enrolado numa colcha de retalhos
mas deixo a porta aberta
pra que você ande lá fora também

meus pés me levam
e espero num abismo não cair
vou procurar uma casa
arrastar minha mala
encontrar os anos

voltarei
serei ainda eu
terei o mesmo nome
mas não a mesma do horizonte

antes estava de costas
agora retorno frente a frente
no seu campo de visão

(Gláucia Minetto Martins)

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