30 de junho de 2014

Haverá


Será que a vida é mesmo curta
Ou há tempo para enlouquecer?
Será que existe uma chance de ver e sentir
Para nossas almas cansadas?
Haverá ainda um beijo de perdão,
Um afago calmo no fim de uma história?
Estaremos nos braços da paz
Ou no fogo negro da morte para sempre?

(Gláucia Minetto Martins)

(Poema antigo que eu nem me recordava, guardado em uma pasta esquecida no armário. Fiquei feliz de encontrá-lo hoje, ao arrumar as bagunças de fim de semestre.)

26 de junho de 2014

Morte e renascimento do amor


Elena amou Alfeu por muito tempo
Mesmo ela sendo deusa e ele mortal.
Deusa do amor, ela o venerava
E quando o tocava parecia absorvê-lo.
Entoava longos cânticos às estrelas
Em agradecimento à vida do amado.
Alfeu aceitava esse sentimento
Mas amá-la de volta, ele não conseguia.
Em noites quentes e estreladas
Deitados no porto, na beira do mar
Observavam os navios que chegavam e partiam.
Alfeu não sabia porque estava ali com Elena,
Mas estava...
Seus dedos dançavam por entre os longos cabelos loiros dela
E aqueles lábios vermelhos não fazendo nada além de cantar,
Enquanto os olhos corriam entre as estrelas e o rosto frágil de Alfeu.
Mas Elena um dia enxergou que seu amor não era correspondido
Ferida, ela partiu para ninguém sabe onde
Mas Alfeu e todos os homens sabem que ela morreu
Porque amor no mundo já não há.
Elena, mesmo sendo deusa, tão fraca, se perdeu...
Alfeu agora se martiriza porque a Elena não amou
E assim, parece que agora a ama...
Ela deixou nele seu legado
O amor divino e humano nele ainda vive
Por ela, em sua memória.
Alfeu construiu a Elena um memorial,
Mesmo querendo construir um templo.
Arquitetou um salão imenso
Das paredes caem leves tecidos,
Claros como os cabelos de Elena...
E no teto há estrelas num céu limpo e infinito.
Ele mesmo esculpiu o corpo dela no centro da sala.
Em seu coração, há o vazio da saudade
E no coração das pessoas que ali adentram há o vazio da falta de amor
Alfeu sabe que a ele cabe amar a todos
Mostrar o que se lembra dela
Para fazer a lembrança de Elena florescer.
O amor, ali, em várias formas, irá renascer...

(Gláucia Minetto Martins)

Viva em paz


eu vi uma foto sua
parecia antiga,
como uma juventude há muito já vivida.
mas você ainda é como eu
viveu tanto quanto eu...
e às vezes tenho vontade 
que tivéssemos continuado.
às vezes eu queria saber 
quais são hoje
os seus planos e vontades,
sua história e pensamentos.
mas aí eu me lembro que não é assim
e volto para minha rotina de te esquecer.
viva em paz
é tudo o que desejo. 

(Gláucia Minetto Martins)

24 de junho de 2014

Thalita Kum


Senhor, dai-me vida e alegria para seguir
Olhai meus passos e mostrai-me o caminho
Com Teu sangue purifica a minha alma.
Não sou nada, mas em Ti encontro plenitude
És belo, és Três, és paz.

No colo da Virgem Maria
Pela ação do Teu Santo Espírito
Em Teus braços que me encontram,
Sou tudo o que preciso ser.

Que a minha, que é Tua chama
Não se apague em meu coração.
Que eu viva e morra em Ti
Que eu sinta como hoje a Tua presença
E que um dia com ela eu posso estar.

(Gláucia Minetto Martins)

Sobre olhos e pássaros


13 de junho de 2014

Eu e o mar - Parte II


ouvi uma menina dizer
que ansiara conhecer o mar,
a ela promessa de um novo mundo,
maravilhas que decifraria.
mas ela disse que quando lá chegou
o mar não era nada além de belo
"pretty", ela disse
e então quis voltar para casa.
o sal do mar é o sal da casa
a plenitude do mar não é nada
se não soubermos ler as entrelinhas
ouvir os sussurros.
o mar é só uma música
nos dando um exemplo de como dançar a vida.
como diz gessinger, 
"o céu é só uma promessa"
o céu e o mar são mensagens
códigos que dizem
sente-se na areia, construa a paciência e saiba ouvir
busque o máximo que se possa ser e a eternidade é o prêmio

(Gláucia Minetto Martins)

Eu e o mar - Parte I

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eu nunca vi o mar
e mesmo assim falo dele como se o tivesse decorado
mas parece que ouço seu barulho
sinto a brisa e o sal
é que pensando no roteiro do mundo
dá pra ter uma palhinha das sensações...
aposto que não são nem um milésimo...

(Gláucia Minetto Martins)

Eleva-se


guia-me
recita-me todos os anos dessa vida
aprende
não desacelera como eu desacelerei
mas se assim for, aprende com a identidade perdida
acalenta o novo eu
e continua essa viagem, ascendendo a tua alma

(Gláucia Minetto Martins)

cena de filme


teus olhos quando me encontraram 
não conseguiram disfarçar
voltavam-se para o mesmo ponto um milhão de vezes
e os meus então... por que será que percebi teus olhos em mim? 
teu rosto é praia
areia e mar
canção do mar é a tua voz
teu ser é beleza, deitado na rede numa tarde preguiçosa
brisa leve do campo
flor miúda do manjericão
aroma predileto, tempero puro.
azaleia menina, ao sabor da brisa também
lavanda clássica num vaso na janela
girassóis e tulipas no pincel.
um retrato de um homem na rede, flores e amores.
que viagem!

(Gláucia Minetto Martins)

Desabafo

imagem

Por favor, eu não sou intocável
Não sou tola
Não quero palavras elaboradas
Não me traga ideias românticas prontas
Ninguém precisa de nada disso.

(Gláucia Minetto Martins)

O que me inspira


Como pode alguém esquecer o bom do mundo?
Voltar-se apenas para a escuridão humana
E não sentir no coração a beleza do existir?
Meu cântico ao mundo
Meu olhar ao Universo.
Meu corpo está presente
Somos todos, somos um.
A que propósito, cabe a nós descobrir,
Cabe a nós sentir...
Já não me faço essa pergunta
Pois sei de tudo ao sentir o amor a tudo dentro de mim
Pelo menos acho que sei, 
Nem que for uma pecinha desse imenso quebra cabeça.
Somos um.

(Gláucia Minetto Martins)

Bailarina


Conheço uma bailarina
Que tem saudade da música calma
Que seu coração acalentava
Ela já não dança
Porque tem medo de tudo
Tem medo do mundo.
As asas que tinha acabaram escuras.
Quebradiças,
Quase não balançam mais ao sabor do vento.
Minha bailarina se escondeu na gaveta
E como um filme se lembra das antigas coreografias.
Mas me diz, menina, pra quê ter tanto medo
Se o mundo foi feito para todos nós?
Desbrava seus caminhos
E entende que os males só você pode vencer.

(Gláucia Minetto Martins)

Tributo à Cora Coralina


Mulher, tão mulher
Filha da terra, do mundo e do amor
Discípula da poesia
Sal da vida e da tua família

Teu rosto ecoa no coração
Teu corpo um dia existiu
Mas teu ser permanece

És minha favorita
Demonstra as coisas do mundo 
De um jeito simples e perfeito
Borda o amor em teus versos
A plenitude do bem em teus dizeres

Se tivesse lhe conhecido
Pegaria tuas mãos cansadas
E diria como és bela
Cora Coralina
Vê e entende o mundo 
Como ele existe para ser visto e entendido

(Gláucia Minetto Martins)

11 de junho de 2014

No horizonte


me deixa ir
me deixa te olhar lá no fim
quando no horizonte eu chegar

vou te guardar quietinho
numa concha de tijolos
enrolado numa colcha de retalhos
mas deixo a porta aberta
pra que você ande lá fora também

meus pés me levam
e espero num abismo não cair
vou procurar uma casa
arrastar minha mala
encontrar os anos

voltarei
serei ainda eu
terei o mesmo nome
mas não a mesma do horizonte

antes estava de costas
agora retorno frente a frente
no seu campo de visão

(Gláucia Minetto Martins)

2 de junho de 2014

Ser


Ser.
Apenas ser um pouco, deixar ser. 
Parar por um segundo
E abraçar a carne que te cerca, incansável.

(Gláucia Minetto Martins)