31 de maio de 2014

Ânsias e apesares

Quando ele me vê
Seu rosto parece desmoronar
Sua boca se contorce como em ânsia
Seus olhos me espreitam por um segundo
E depois olham para o outro lado.
É que o arrependimento lhe corrói
Seu coração tem gosto amargo.

Durante todo o tempo porém, ele é feliz
Mas quando lembra, me evita
Tem pensamentos justificativos
Fala muito para tampar a ferida.

Mas meu bem, eu lhe digo
Por você não tenho mágoa
Te ver não é um castigo.
Por muito tempo também senti ânsia
Mas ódio, você não merece
Nele, todos padecem.
Não quero o seu mal
Ainda penso em nós,
Mas muito raramente.

Ele não se livrará dessa culpa, jamais
Enquanto me ver por aí
Mas agora os erros já foram feitos
E no meu coração resta um resquício de carinho,
Apesar...

(Gláucia Minetto Martins)

Mulher


O que eu faço com essa menina...
Comigo ela quer brincar
Comigo ela quer mexer
Com meu corpo quer dançar
Até enlouquecer.

Sou homem velho e cansado
Ela diz "será mesmo?"
E me vêm com dinamismo
Seu ser inabalável
Acidez indiscutível

Que mulher tão grande, meu Deus
Não consigo desvendar 
O mistério que me apareceu
Sua vida a me mostrar
Como ser e como pensar.

(Gláucia Minetto Martins)

28 de maio de 2014

Sobre uma vida


Movi montanhas,
Atravessei rios
Conquistei mares e marés
Ondas de desapego
Novas estradas paralelas
Senti o sol
E quebrei barreiras
Quebrei muros e serafins
Atravessei bloqueios e almas
Pessoas frágeis e medos imensos
Fui a terras nunca vistas
Desbravei navios piratas
Encontrei ouro em ilhas desertas
Sou sábio e sou tolo.
Eu sou
Eu ando
Eu existo.

(Gláucia Minetto Martins)

Ideais


O seria de nós sem ideais
Sem crenças e descrenças
Dúvidas, apegos e alegrias?

O que seria de nós 
Sem um motivo pra vencer o cansaço
Sem uma luz que nos guie
Sem um passado, por mais que escondido?

Sem o agora
E sem o depois
Sem nossos pés
E nossas estradas?

O que seria de nós sem alguém para amar
Pra olhar nos olhos e apenas rir?
Sem viver um dia bom
Sem dormir e sonhar?

Não somos.
Dormimos sem sonhar,
Vivendo sem viver.

(Gláucia Minetto Martins)

Bosques


Me dê a mão
Por entre os bosques escuros 
Me guie de vagar
Vamos caminhar sentindo o frio implacável 
Ouvir o sussurro das plantas
Sentir o olhar pesado das árvores sobre nós.
Estarei a seu lado
Por entre as trilhas sinuosas
Matas fechadas e dunas ao vento
Estenderei meus braços
Para me deixar levar
E quando você estiver cansado
Serei tua guia também
Por entre os sons da floresta,
Por entre a música dos carros no asfalto.

(Gláucia Minetto Martins)

5 de maio de 2014

Sol, lua e serenata


A luz do sol veio te beijar
Deixou seu abraço no seu corpo e nos seus cabelos
Música na tua cabeça
E o amor em teu coração.
Agora você olha para o mundo de um jeito diferente
Fica em silêncio olhando para as árvores.
A menina passa, que descompasso
Acelerada a respiração.
De dia você lhe mostra a natureza
Quando o sol se põe
A lua enfeita a serenata que você lhe dedica.
Aqui embaixo homem e mulher se gostam
Lá em cima lua e sol se completam também.

(Gláucia Minetto Martins)

Canção do mar


Luz do sol, barulho do mar
Brisa calma, vem me beijar.
Pés no chão, prometo correr
As ondas eu vou encontrar.
Vou me deixar levar por esse mar.

(Gláucia Minetto Martins)