29 de abril de 2014

Com meus botões

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Eu não preciso ter mais de uma vida
Pra encontrar a minha felicidade
Sei que a encontro a cada segundo da minha existência
Em cada pedaço do meu ser.

(Gláucia Minetto Martins)

A canção mais triste do mundo


não sei mais quem sou
acho que desapareci
fui embora com a poeira que o vento levou.
acho que foi assim
eu deixei de existir
sentada naquela cadeira,
mendigando cada olhar seu
perdi talvez a dignidade
um pedaço da minha alma
da minha alegria
me deixei levar
só por querer você.
por que te querer parece ser querer de mais
mas por que é que eu fui um dia desejar
o que só me faz mal?
me deixou assim sem vontade até de falar
estacionada na minha vida já tão monótona.
cada palavra que não recebo
é como uma pancada no meu rosto
agora está ardendo
uma dor humilhante e drástica
me mostrando a realidade
me gritando que não poderá ser...
nada do que sonhei...
hoje as coisas estão piores
hoje eu quero chorar
pois me sinto faminta e tola
criança indefesa nas tristezas dessa vida.
por que eu não posso nunca ficar em paz
e me vêm logo a sombra do passado?
que me leva pra lugares tristes
retêm as dores de um amor não correspondido,
nem sequer reconhecido.
está doendo
e o meu coração chora
bomba o sangue em ritmo de luto.
afinal eu fui te ver
pra ficar feliz como como se fosse na última vez
pra buscar a felicidade
que apesar de tudo
existe de você pra mim
mas foi uma terrível ideia
algo me lavou
me jogou no chão frio
me deu seus olhos por apenas um segundo,
a visão de você ainda amando outra.
por que não pode ser eu?
o que eu fiz pra não merecer o seu amor?
talvez eu esteja pagando por alguns dos meus erros
mas essa pena é tão pesada.
por que a gente tem sempre essa esperança
de que essa é uma história diferente,
que dessa vez vai, vai dar certo?
eu estou cansada de ser assim quem sou
mas só por hoje
por hoje preciso de alguém pra me salvar.


(Gláucia Minetto Martins)
fevereiro/2014

20 de abril de 2014

Cassandra


Cassandra é o personagem de uma história que quero criar. Ela está em algum lugar na minha mente, no meu coração. Quero encontrá-la, e então perceberei todas as suas características, assim como eu sei que ela tem que ter os olhos levemente caídos e os cabelos encaracolados. Cassandra é mulher e menina, que luta e tem a vontade e coragem que não tenho. Pretendo dar-lhe a melhor forma possível. 
Espero não precisar mudar nada sobre ela ao longo da minha história. Esse é um termo de compromisso, através do qual prometo que não deixarei sua essência se perder. E se eu parar de escrever essa história que Cassandra faz parte, um sopro dela permanecerá em mim, a lembrança do primeiro personagem que consegui ver o rosto claramente. Deve ser um sinal de que devo continuar, nem que demore vinte anos.


Já não sei, o que sei, o que serei

a vida passa tão rápido
os melhores momentos são constatados quando já se foram
é estranho olhar pra trás e pensar em tudo que já se viveu
as pequenas e grandes coisas
detalhes e capítulos inteiros
e perceber que somos todos os mesmos
idênticos personagens de uma vida passada

metafísica?

quando às vezes faz sentido que nem existíssemos mais
nós continuamos vivos
mas não somos idênticos, claro que não
as coisas pelas quais passamos
pelas quais vivemos
nos moldaram
não somos mais os mesmos jamais
somos novos
virão novas gerações

mudei
se pra melhor, já não sei
me acostumei com as coisas que pensei
as opiniões que formulei
e mesmo ao mudá-las, às vezes, não mais vibro como antes
o tempo passou e veio a vida chata dos compromissos
os anos vividos cobram que eu seja alguém
e então não tenho mais tempo pra ser quem eu era
ou quem sou?
parece que cansei
não sei o que será do futuro
só sei que deixei talvez
o meu legado
se válido, definitivamente já não sei

o que importa, afinal?

(Gláucia Minetto Martins)

12 de abril de 2014

Tempos difíceis


A chuva passa por nós, derramando seu desprezo.
Nos lança a água pura para podermos nos enriquecer, mas nos lança também as lágrimas que foras derramar.
É olhando para o céu encoberto que podemos ver a tristeza da mãe terra.
Ela sabe melhor que nós o seu destino. A vida segue da maneira em que o homem segue seus caminhos. 
Vejo neste luar o que antes não via. Encontro nos meios gasosos da mãe terra o que antes pouco se tinha ideia de qual impacto.
As flores brotam e logo são forçadas a se sufocarem com a massa humana.
A vida antes tratada como grande tesouro humano, hoje não se tem tanta importância.
Explorei o espaço onde apenas o sorriso é a esperança, onde a dor é fala. Pobre natureza, sofre com seus filhos noite e dia, compartilha as lágrimas e o suor do sol em um canto entristecido.
Se arranjassem mãos, nos apunhalavam pelas costas, como uma pessoa que clama por justiça. Se tivessem poder, nos levaria às ruínas.
Ah natureza, sofre calada, assim como um refém na mira de um marginal. Tu que és o tripé da humanidade. Paciência, pois somos humanos, e sabemos o que nos reserva em troca, pois silenciosa será sua vingança.

(Por Ricardo Oliveira)