13 de dezembro de 2014

Decifrar um abraço

para A.Z.

não precisa decifrar todos os meus poemas
não precisa decifrar nenhum poema
eu vou explicar todos pra você...

não consigo continuar essas linhas
porque pra você eu nunca tenho nada a dizer
que pareça fazer sentido
então espero que um abraço baste.

aquele poema de anos atrás
foi o melhor que eu pude fazer
que nele você encontre tudo o que eu quero dizer.

12 de dezembro de 2014

Turbilhão

Mil tarefas a fazer
Mas algo me pegou
Descodificando sentimentos em palavras,
Não paro de escrever.
Preciso ser mais forte
Submergir desse turbilhão
Pois cada coisa tem sua hora
Nesse exato momento
Preciso seguir minhas horas planejadas.

(Gláucia Minetto Martins)

Aleatoriedade


Última semana
Somente algumas provas,
Somente alguns trabalhos.
Algumas viagens de ônibus
Um ano extenuante
Um ano completo
Uma vida transformada.

Às vezes, sentimento de incapacidade
Diante de ângulos que insistem em não cooperar.
Às vezes sentimento de alegria
Diante de palavras sobre a vida e Biologia.

Um ano que se vai.
No coração satisfação
Na cabeça cansaço
No corpo, preguiça terrível,
Maldição insuperável...

Os ângulos ainda esperam na escrivaninha
Uma área que não fecha no computador
Coordenadas estranhas.

Vento lá fora
Em um dia de chuva.
Às vezes nada parece fazer sentido.
Um ano que se vai
Números que formam alguma coisa.

A vida passando em todo lugar
Não sendo nada para cada indivíduo
Sendo tudo no contexto geral.

(Gláucia Minetto Martins)

Inércia


Foto: Luiza Junqueira

A vida é tão estranha
Muda o curso da matéria
Constitui mentes em átomos
Células tecidos órgãos sistemas...

As estrelas se inspiram
Em um pingo de céu e terra
Que pensa que é gente
Mas é mesmo,
Pois no Universo nada é grande,
Nem nada é pequeno.

Duas partes se juntam
Multiplicam-se os códigos
Mantêm-se a forma
Mistério morfológico...

Um punhado de matéria orgânica
De repente pensa ou sente,
Em impulsos nervosos,
Se movimenta.
A carne se torna verdade.

A inércia é rompida
Faz-se o que se quer
Reage-se ao que se sente.

Uma perna que balança 
E continua um pouco depois
Uma freada brusca 
E o coração na mão.

A vida é tão estranha
Pode-se alterar pensamentos,
Formas, palavras e tantas coisas
Mas as forças da terra 
Ainda podem fazer um carro em movimento
Lançar um corpo a metros de distância.

(Gláucia Minetto Martins)

Tua canção


Tua canção me trespassou a alma
Fechei os olhos para não ver
Para sentir a emoção 
Querendo me atingir.
Acho que anjos me cercaram
Me sopraram o rosto
E meus ouvidos se abriram 
Para as tuas notas...
Melodia no piano
Sentimento que vêm
Da mais profunda camada da alma.
Não quis acordar
Te amei desde então.

(Gláucia Minetto Martins)

10 de dezembro de 2014

Sobre a roupa que lavei, sobre a roupa que doei


Joguei fora nas curvas do tempo
No tic tac da estrada
Porque você é uma lembrança
Que não me serve mais

(Gláucia Minetto Martins)

9 de dezembro de 2014

Meu corpo é pássaro

"My body is a cage
That keeps me from dancing with the one I love
But my mind holds the key"

Eu quero ser livre
E que maior simbolismo de liberdade
Senão um pássaro pelo céu...
Liberto da gaiola?

Mas eu não voo
E nem saio correndo pelas campinas
Não tomo banhos de chuva
Como em filmes não reais

Como eu serei livre
Se não sou um pássaro
Nem estou preso em um filme de chá da tarde?

Mas sei que a resposta
Está em meu coração
Que me pede pra se abrir

Que meu peito seja brando
E respire pouco a pouco
Para eu ser livre de mim mesmo

Meu coração é pássaro
Meu peito é gaiola
Minha mente é o caminho
Minha boca é um fardo
Meus ouvidos minha escola

Meu coração é pássaro
Meu peito é gaiola


(Gláucia Minetto Martins)
04/12/2014

31 de outubro de 2014

onde não há nada


estar aberto a aprender
é ver coisas até onde não há nada...
mas na verdade, há tudo! 
os ensinamentos não chegam em um trem
trazendo convite e batendo na porta.
tudo que existe, tudo o que acontece
está lá para encontrarmos um significado.
quanto mais se quer, mais se vê.
estejamos sempre prontos,
procuremos sempre onde todos dizem que não há nada!

(Gláucia Minetto Martins)

Cumulus nimbus


Navio que atravessa a tempestade,
Ondas negras que castigam 
Florestas não descobertas
Ilhas desbravadas

Segredo do meu coração
Pedra em meu sapato
Pedras jogadas pela estrada
Pra encontrar o caminho de casa

Um lar, uma esperança 
Uma ilusão, uma verdade
Uma mentira, uma bobagem
Uma história mal contada

Furacão que vejo de minha janela
Tsunami que chega na praia
Martelo que abala minha rocha
Lembrança que ecoa no meu ser

(Gláucia Minetto Martins)

15 de outubro de 2014

Climas e misérias


sinto-me exausta
o calor excruciante me deixa zonza
o ar quente parece não entrar nos pulmões
o cheiro de fumaça entra pela janela
não há uma nuvem no céu...
é como cozinhar
em banho-maria
é como uma massa pesada que chega
feito areia movediça...
misérias à flor-da-pele.
não me importo com mais nada
só preciso dormir
preciso de um dia frio
para voltar a ser gente
para deixar de ser vítima.

(Gláucia Minetto Martins)

6 de outubro de 2014

I'm

I'm a lonely girl
I'm such a lonely girl
I've lost my wings
I've lost my soul...
God, forgive my sins
'Cause I don't forgive myself anymore
Their faces doesn't see me
And I can't even see their hearts too.

(Gláucia Minetto Martins)

1 de outubro de 2014

Um sorriso e uma parede

quando não se quer nada
além de uma conversa e um sorriso
um leve cair de cabeça em sinal de compreensão.
quando não se quer que o tempo volte
mas sim que aconteça de novo,
de um jeito diferente.
ficar esperando
oito dias é muito
dois é muito também...
quando se sabe que o sorriso que se quer
está a dez passos de distância,
o portão está aberto!
mas uma parede insiste em se materializar

Dois corpos

dois corpos unidos
são horizonte, intorpecência
porto de angústias e pecados.
dois corpos munidos
de palavras e olhares
vinho e lembranças
toques e armas,
rosas brancas e caras.
válvula de escape,
um grito do fundo da alma.

(Gláucia Minetto Martins)
13/09/2014

27 de setembro de 2014

Anos exaustos

Nasci em vinte e quatro de julho
abri meus olhinhos que ainda nada viam
me levaram para casa onde conheci minha irmãzinha
só dormia no colo dela
colo de criança a ninar
ri do barulho do feijão na panela
enquanto mamãe o escolhia
tive meus medos e manhas
cresci um pouco e parecia coelhinho
aos cinco japonesinha com os olhos puxadinhos
ou índia de cabelo preto escorrido
cresci mais um pouco e aprendi sobre algumas coisas
nunca vou saber de tudo
não podemos ter o mundo
agora já vivi uns sete mil dias
onde eu estive todo esse tempo?
quantos sols eu vi se porem
a quantas estrelas cadentes fiz pedidos
quantas verdades tive coragem de dizer
quanta coragem tive medo de viver?
só vivi uns pares de anos
mas sinto que se assim continuar
quando eu tiver trinta mil dias
não serei muito diferente que hoje
com lembranças apenas da infância:
quando se conhece o mundo por curiosidade.
os anos vêm e acha-se que se sabe o suficiente
para-se de acreditar e procurar...
por que a criança explora o mundo
se quando adultos sentamos em cadeiras duras
e vemos o tempo passar apenas respirando?
mas é claro, é sempre tempo de estudo ou de trabalho
todos precisam dos insumos
nesse mundo em que vivemos
quanto custa permanecer vivo?
parece mais certo morrer de fome
sermos nômades pelas florestas
andarilhos pelos campos.
mas os filhos, novas crianças, esperam em casa
então não há caminho
a não ser viver a vida certa e medíocre
e buscar as riquezas do mundo
por entre as frestas que encontramos,
mas só quando há tempo...
porque há prova para estudar
e na segunda volta o trabalho
a faculdade, o curso.
depois que eu me formar
depois que eu me aposentar
prometo viver o que eu quero
se os ossos fracos permitirem
e se o dinheiro que gastei
não fizer falta nesses últimos anos de vida

(Gláucia Minetto Martins)

22 de setembro de 2014

Sobre o nada que é agora

Eu gostava do seu beijo
de brincar com o seu queixo
de estar no seu abraço
no perfume
no aconchego

Eu gostava do que você era
das promessas que eu fiz a mim mesma

Gostava tanto
da sua pele clara
do cabelo onde eu enroscava os dedos
do riso e do olhar
das coisas que falávamos
das conversas sobre nada
e sobre o nada...

Seus cabelos agora cresceram
ora, o passado chegou para nós

Há quem não acredite
mas não é que eu sinta tanto
pois eu estive calejada

Me vêm a pena pelo que você abriu mão
por motivos tão vazios
sem juras nem garantias

Espero que nós dois
sejamos pessoas melhores
universo em expansão

(Gláucia Minetto Martins)

20 de setembro de 2014

A noite lá fora

A noite chegou
Lá fora o mundo brilha e chora
Há quem se arraste pelo chão
Há quem beba champanhe

Aviões passam, vêm e vão
Destinos traçados, caminhos marcados
Pássaros perdem suas penas
E vêm parar no meu jardim
É noite lá fora e aqui eu escuto suas músicas,
Cantos de quem vê o mundo lá de cima
A voar sobre as nossas cabeças

Há quem diga que o mundo é um grande abismo
Há quem siga os livros e histórias
Para alcançar uma nova vida
Há estrangeiros trabalhando em cozinhas
Fora de casa, como a noite lá fora
Há quem nade em piscinas de dinheiro
Há quem brigue por uma vaga

O grão de milho endurece na espiga
Cumpre seu papel
Uma viagem pelas missões
Malhas invisíveis do gênero humano
Malhas invisíveis da existência animal

É noite lá fora
É estranho e sombrio
Quando as coisas dormem
E outras acordam
E quando o sol acorda também
O mundo renasce
Brincando de ser
Ser sublime

(Gláucia Minetto Martins)

8 de setembro de 2014

A faca e o queijo


"In my dreams, I climb the hills I see
and let a gentle breeze lead me to
plains I once have seen and
Clear blue sky, I swim in lakes I find
I build a house right there
that you can't take.. never take away"

me faça louca
me faça bem
fica em silêncio
e olha pra mim
me joga uma faca
eu vou cortar essas cordas
me dê a chave
eu quero abrir a porta
e correr pelos campos
eu quero ser
eu quero sentir
à terra incorporar a minha história
construir meus abrigos e portos
plantar trigo e tanto mais...
ser,
e ver.

(Gláucia Minetto Martins)

4 de setembro de 2014

Muralhas


é preciso desprender-se
das amarras do tempo
das barreiras e muros implacáveis
das jaulas da história
dos olhares em ódio
das mágoas e medos
do corpo que é cápsula
do lugar onde vivemos
para não morrer a cada dia
no conforto interminável
das horas corridas
cuidando do que não é eterno.

(Gláucia Minetto Martins)

Labirinto


Nos meus sonhos eu vi um caminho
Feito de tempo, poeira, pedras e lágrimas de alegria.

O tempo nos leva passo a passo
A poeira é o que resta do que fomos,
Mas compõe o que somos...
As pedras hora estão no sapato
Hora em cima dos contratos,
Para que eles não sejam levados pelo vento.
As lágrimas de alegria
São o contentamento em estar vivo
A mais sublime alegria em estar bem
Apesar de tudo...

Esse caminho é um labirinto
Onde esperam uma fada e um minotauro
Escondidos em jardins e campos de tulipas.
Será preciso matar o monstro?
Será possível despistar o monstro
E brincar com a fada.

(Gláucia Minetto Martins)

23 de agosto de 2014

Rosas na sacada

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A você, escrevo uma música
Entoo um cântico sobre histórias épicas
Cenas de luta, gritos de guerra
Princesas e príncipes presos em castelos
Guardas mortos nas fortalezas...
A você forjo um elmo e uma espada
No alto da colina vou descansar
E esperar o seu cavalo na estrada
Que você nele permaneça montado.
Que as armas dos derrotados
Se transformem em templo sagrado
Em memória a todos aqueles
Que um dia viram o Santo Graal.

Todos os anjos estão mortos
E todos os homens caminham sobre sangue
Com rosas nas mãos e calos nos pés
Arrastando enxadas e crianças de colo
Dispostos em fileira eles cantam ou choram
Caminham acima do rio
Separados por uma ponte de ossos
Pensando naqueles que deixaram para trás.

(Gláucia Minetto Martins)

24 de julho de 2014

Sessenta dias sem chuva

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o ar está seco
dói ao respirar
o horizonte ficou cinza
parece luto pela natureza

moro numa cidadezinha
a mim é às vezes grande,
às vezes pequena
contam-se nos dedos os prédios daqui
mas é tudo sempre tão sujo
mania urbana, tudo morto...

na janela do ônibus todos os dias de manhã
ainda posso ver o nascer do sol
fazendas, pastos e eucaliptos ao longe
são brechas no asfalto insistente

tudo tão triste
o céu hesita em desabar 
deve estar engolindo o choro
até o filme acabar...

perdi a conta dos dias que assim se passaram
uns sessenta, acho eu
nesse meio tempo as nuvens ficaram escuras
o sol se escondeu
mas só veio o chuvisco pra brincar com o chão...
enquanto eu espero, aqui embaixo
só me vem esse frio

mãe natureza, pai do céu, leis da vida
por favor joguem fora o conta-gotas
pulem de vez nesse caminho
vivam tudo de uma só vez
não hesitem, nem temam
chovam tudo que há pra ser...

(Gláucia Minetto Martins)

21 de julho de 2014

Absorção

Viajei pela fortaleza dos teus olhos
Refleti-me no espelho cromado,
Luzidio, do teu olhar.

O formato excitante dos teus cílios,
Magia cigana.
O bater das pálpebras,
Hipnose em fogo.

Às tuas lágrimas sedutoras
Me entreguei.
A paixão à vida a estalar
Na energia envolvente do teu olhar,
A me intrigar, indagar,
Convidar.

Os teus olhos, mesmo quando calmos
Movem montanhas, meu bem.

(Gláucia Minetto Martins)

6 de julho de 2014

Pedido


O mundo todo,
O mundo todo
Menina, a gente andava pelo mundo todo...
Eu, feito de palha, espantalho
Pra levar embora as coisas más
Você, feita de céu
De flor e cheiro de lar.
À tardinha a estrada era feliz
Os nossos pés percorriam de vagar
Você, alegre, a cantar um mundo doce
E eu, bobo, a te olhar.
Nossa casa era nenhum lugar...
Parece em outra vida
Que o nosso filme se fez
Parece perdido em outro lugar
O rastro que o teu vestido deixou.
Esse sertão não é o mesmo sem você
Feito espantalho, eu ainda sou
Volta a ser minha menina
Volta pra mim, a tua casa
Quero encontrar nos teus olhos de mulher
A menina, dançando ao vento...
Me traga todas as suas cantigas.

(Gláucia Minetto Martins)

30 de junho de 2014

Haverá


Será que a vida é mesmo curta
Ou há tempo para enlouquecer?
Será que existe uma chance de ver e sentir
Para nossas almas cansadas?
Haverá ainda um beijo de perdão,
Um afago calmo no fim de uma história?
Estaremos nos braços da paz
Ou no fogo negro da morte para sempre?

(Gláucia Minetto Martins)

(Poema antigo que eu nem me recordava, guardado em uma pasta esquecida no armário. Fiquei feliz de encontrá-lo hoje, ao arrumar as bagunças de fim de semestre.)

26 de junho de 2014

Morte e renascimento do amor


Elena amou Alfeu por muito tempo
Mesmo ela sendo deusa e ele mortal.
Deusa do amor, ela o venerava
E quando o tocava parecia absorvê-lo.
Entoava longos cânticos às estrelas
Em agradecimento à vida do amado.
Alfeu aceitava esse sentimento
Mas amá-la de volta, ele não conseguia.
Em noites quentes e estreladas
Deitados no porto, na beira do mar
Observavam os navios que chegavam e partiam.
Alfeu não sabia porque estava ali com Elena,
Mas estava...
Seus dedos dançavam por entre os longos cabelos loiros dela
E aqueles lábios vermelhos não fazendo nada além de cantar,
Enquanto os olhos corriam entre as estrelas e o rosto frágil de Alfeu.
Mas Elena um dia enxergou que seu amor não era correspondido
Ferida, ela partiu para ninguém sabe onde
Mas Alfeu e todos os homens sabem que ela morreu
Porque amor no mundo já não há.
Elena, mesmo sendo deusa, tão fraca, se perdeu...
Alfeu agora se martiriza porque a Elena não amou
E assim, parece que agora a ama...
Ela deixou nele seu legado
O amor divino e humano nele ainda vive
Por ela, em sua memória.
Alfeu construiu a Elena um memorial,
Mesmo querendo construir um templo.
Arquitetou um salão imenso
Das paredes caem leves tecidos,
Claros como os cabelos de Elena...
E no teto há estrelas num céu limpo e infinito.
Ele mesmo esculpiu o corpo dela no centro da sala.
Em seu coração, há o vazio da saudade
E no coração das pessoas que ali adentram há o vazio da falta de amor
Alfeu sabe que a ele cabe amar a todos
Mostrar o que se lembra dela
Para fazer a lembrança de Elena florescer.
O amor, ali, em várias formas, irá renascer...

(Gláucia Minetto Martins)

Viva em paz


eu vi uma foto sua
parecia antiga,
como uma juventude há muito já vivida.
mas você ainda é como eu
viveu tanto quanto eu...
e às vezes tenho vontade 
que tivéssemos continuado.
às vezes eu queria saber 
quais são hoje
os seus planos e vontades,
sua história e pensamentos.
mas aí eu me lembro que não é assim
e volto para minha rotina de te esquecer.
viva em paz
é tudo o que desejo. 

(Gláucia Minetto Martins)

24 de junho de 2014

Thalita Kum


Senhor, dai-me vida e alegria para seguir
Olhai meus passos e mostrai-me o caminho
Com Teu sangue purifica a minha alma.
Não sou nada, mas em Ti encontro plenitude
És belo, és Três, és paz.

No colo da Virgem Maria
Pela ação do Teu Santo Espírito
Em Teus braços que me encontram,
Sou tudo o que preciso ser.

Que a minha, que é Tua chama
Não se apague em meu coração.
Que eu viva e morra em Ti
Que eu sinta como hoje a Tua presença
E que um dia com ela eu posso estar.

(Gláucia Minetto Martins)

Sobre olhos e pássaros


13 de junho de 2014

Eu e o mar - Parte II


ouvi uma menina dizer
que ansiara conhecer o mar,
a ela promessa de um novo mundo,
maravilhas que decifraria.
mas ela disse que quando lá chegou
o mar não era nada além de belo
"pretty", ela disse
e então quis voltar para casa.
o sal do mar é o sal da casa
a plenitude do mar não é nada
se não soubermos ler as entrelinhas
ouvir os sussurros.
o mar é só uma música
nos dando um exemplo de como dançar a vida.
como diz gessinger, 
"o céu é só uma promessa"
o céu e o mar são mensagens
códigos que dizem
sente-se na areia, construa a paciência e saiba ouvir
busque o máximo que se possa ser e a eternidade é o prêmio

(Gláucia Minetto Martins)

Eu e o mar - Parte I

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eu nunca vi o mar
e mesmo assim falo dele como se o tivesse decorado
mas parece que ouço seu barulho
sinto a brisa e o sal
é que pensando no roteiro do mundo
dá pra ter uma palhinha das sensações...
aposto que não são nem um milésimo...

(Gláucia Minetto Martins)

Eleva-se


guia-me
recita-me todos os anos dessa vida
aprende
não desacelera como eu desacelerei
mas se assim for, aprende com a identidade perdida
acalenta o novo eu
e continua essa viagem, ascendendo a tua alma

(Gláucia Minetto Martins)

cena de filme


teus olhos quando me encontraram 
não conseguiram disfarçar
voltavam-se para o mesmo ponto um milhão de vezes
e os meus então... por que será que percebi teus olhos em mim? 
teu rosto é praia
areia e mar
canção do mar é a tua voz
teu ser é beleza, deitado na rede numa tarde preguiçosa
brisa leve do campo
flor miúda do manjericão
aroma predileto, tempero puro.
azaleia menina, ao sabor da brisa também
lavanda clássica num vaso na janela
girassóis e tulipas no pincel.
um retrato de um homem na rede, flores e amores.
que viagem!

(Gláucia Minetto Martins)

Desabafo

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Por favor, eu não sou intocável
Não sou tola
Não quero palavras elaboradas
Não me traga ideias românticas prontas
Ninguém precisa de nada disso.

(Gláucia Minetto Martins)

O que me inspira


Como pode alguém esquecer o bom do mundo?
Voltar-se apenas para a escuridão humana
E não sentir no coração a beleza do existir?
Meu cântico ao mundo
Meu olhar ao Universo.
Meu corpo está presente
Somos todos, somos um.
A que propósito, cabe a nós descobrir,
Cabe a nós sentir...
Já não me faço essa pergunta
Pois sei de tudo ao sentir o amor a tudo dentro de mim
Pelo menos acho que sei, 
Nem que for uma pecinha desse imenso quebra cabeça.
Somos um.

(Gláucia Minetto Martins)

Bailarina


Conheço uma bailarina
Que tem saudade da música calma
Que seu coração acalentava
Ela já não dança
Porque tem medo de tudo
Tem medo do mundo.
As asas que tinha acabaram escuras.
Quebradiças,
Quase não balançam mais ao sabor do vento.
Minha bailarina se escondeu na gaveta
E como um filme se lembra das antigas coreografias.
Mas me diz, menina, pra quê ter tanto medo
Se o mundo foi feito para todos nós?
Desbrava seus caminhos
E entende que os males só você pode vencer.

(Gláucia Minetto Martins)

Tributo à Cora Coralina


Mulher, tão mulher
Filha da terra, do mundo e do amor
Discípula da poesia
Sal da vida e da tua família

Teu rosto ecoa no coração
Teu corpo um dia existiu
Mas teu ser permanece

És minha favorita
Demonstra as coisas do mundo 
De um jeito simples e perfeito
Borda o amor em teus versos
A plenitude do bem em teus dizeres

Se tivesse lhe conhecido
Pegaria tuas mãos cansadas
E diria como és bela
Cora Coralina
Vê e entende o mundo 
Como ele existe para ser visto e entendido

(Gláucia Minetto Martins)

11 de junho de 2014

No horizonte


me deixa ir
me deixa te olhar lá no fim
quando no horizonte eu chegar

vou te guardar quietinho
numa concha de tijolos
enrolado numa colcha de retalhos
mas deixo a porta aberta
pra que você ande lá fora também

meus pés me levam
e espero num abismo não cair
vou procurar uma casa
arrastar minha mala
encontrar os anos

voltarei
serei ainda eu
terei o mesmo nome
mas não a mesma do horizonte

antes estava de costas
agora retorno frente a frente
no seu campo de visão

(Gláucia Minetto Martins)

2 de junho de 2014

Ser


Ser.
Apenas ser um pouco, deixar ser. 
Parar por um segundo
E abraçar a carne que te cerca, incansável.

(Gláucia Minetto Martins)

31 de maio de 2014

Ânsias e apesares

Quando ele me vê
Seu rosto parece desmoronar
Sua boca se contorce como em ânsia
Seus olhos me espreitam por um segundo
E depois olham para o outro lado.
É que o arrependimento lhe corrói
Seu coração tem gosto amargo.

Durante todo o tempo porém, ele é feliz
Mas quando lembra, me evita
Tem pensamentos justificativos
Fala muito para tampar a ferida.

Mas meu bem, eu lhe digo
Por você não tenho mágoa
Te ver não é um castigo.
Por muito tempo também senti ânsia
Mas ódio, você não merece
Nele, todos padecem.
Não quero o seu mal
Ainda penso em nós,
Mas muito raramente.

Ele não se livrará dessa culpa, jamais
Enquanto me ver por aí
Mas agora os erros já foram feitos
E no meu coração resta um resquício de carinho,
Apesar...

(Gláucia Minetto Martins)

Mulher


O que eu faço com essa menina...
Comigo ela quer brincar
Comigo ela quer mexer
Com meu corpo quer dançar
Até enlouquecer.

Sou homem velho e cansado
Ela diz "será mesmo?"
E me vêm com dinamismo
Seu ser inabalável
Acidez indiscutível

Que mulher tão grande, meu Deus
Não consigo desvendar 
O mistério que me apareceu
Sua vida a me mostrar
Como ser e como pensar.

(Gláucia Minetto Martins)

28 de maio de 2014

Sobre uma vida


Movi montanhas,
Atravessei rios
Conquistei mares e marés
Ondas de desapego
Novas estradas paralelas
Senti o sol
E quebrei barreiras
Quebrei muros e serafins
Atravessei bloqueios e almas
Pessoas frágeis e medos imensos
Fui a terras nunca vistas
Desbravei navios piratas
Encontrei ouro em ilhas desertas
Sou sábio e sou tolo.
Eu sou
Eu ando
Eu existo.

(Gláucia Minetto Martins)

Ideais


O seria de nós sem ideais
Sem crenças e descrenças
Dúvidas, apegos e alegrias?

O que seria de nós 
Sem um motivo pra vencer o cansaço
Sem uma luz que nos guie
Sem um passado, por mais que escondido?

Sem o agora
E sem o depois
Sem nossos pés
E nossas estradas?

O que seria de nós sem alguém para amar
Pra olhar nos olhos e apenas rir?
Sem viver um dia bom
Sem dormir e sonhar?

Não somos.
Dormimos sem sonhar,
Vivendo sem viver.

(Gláucia Minetto Martins)

Bosques


Me dê a mão
Por entre os bosques escuros 
Me guie de vagar
Vamos caminhar sentindo o frio implacável 
Ouvir o sussurro das plantas
Sentir o olhar pesado das árvores sobre nós.
Estarei a seu lado
Por entre as trilhas sinuosas
Matas fechadas e dunas ao vento
Estenderei meus braços
Para me deixar levar
E quando você estiver cansado
Serei tua guia também
Por entre os sons da floresta,
Por entre a música dos carros no asfalto.

(Gláucia Minetto Martins)

5 de maio de 2014

Sol, lua e serenata


A luz do sol veio te beijar
Deixou seu abraço no seu corpo e nos seus cabelos
Música na tua cabeça
E o amor em teu coração.
Agora você olha para o mundo de um jeito diferente
Fica em silêncio olhando para as árvores.
A menina passa, que descompasso
Acelerada a respiração.
De dia você lhe mostra a natureza
Quando o sol se põe
A lua enfeita a serenata que você lhe dedica.
Aqui embaixo homem e mulher se gostam
Lá em cima lua e sol se completam também.

(Gláucia Minetto Martins)

Canção do mar


Luz do sol, barulho do mar
Brisa calma, vem me beijar.
Pés no chão, prometo correr
As ondas eu vou encontrar.
Vou me deixar levar por esse mar.

(Gláucia Minetto Martins)

29 de abril de 2014

Com meus botões

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Eu não preciso ter mais de uma vida
Pra encontrar a minha felicidade
Sei que a encontro a cada segundo da minha existência
Em cada pedaço do meu ser.

(Gláucia Minetto Martins)

A canção mais triste do mundo


não sei mais quem sou
acho que desapareci
fui embora com a poeira que o vento levou.
acho que foi assim
eu deixei de existir
sentada naquela cadeira,
mendigando cada olhar seu
perdi talvez a dignidade
um pedaço da minha alma
da minha alegria
me deixei levar
só por querer você.
por que te querer parece ser querer de mais
mas por que é que eu fui um dia desejar
o que só me faz mal?
me deixou assim sem vontade até de falar
estacionada na minha vida já tão monótona.
cada palavra que não recebo
é como uma pancada no meu rosto
agora está ardendo
uma dor humilhante e drástica
me mostrando a realidade
me gritando que não poderá ser...
nada do que sonhei...
hoje as coisas estão piores
hoje eu quero chorar
pois me sinto faminta e tola
criança indefesa nas tristezas dessa vida.
por que eu não posso nunca ficar em paz
e me vêm logo a sombra do passado?
que me leva pra lugares tristes
retêm as dores de um amor não correspondido,
nem sequer reconhecido.
está doendo
e o meu coração chora
bomba o sangue em ritmo de luto.
afinal eu fui te ver
pra ficar feliz como como se fosse na última vez
pra buscar a felicidade
que apesar de tudo
existe de você pra mim
mas foi uma terrível ideia
algo me lavou
me jogou no chão frio
me deu seus olhos por apenas um segundo,
a visão de você ainda amando outra.
por que não pode ser eu?
o que eu fiz pra não merecer o seu amor?
talvez eu esteja pagando por alguns dos meus erros
mas essa pena é tão pesada.
por que a gente tem sempre essa esperança
de que essa é uma história diferente,
que dessa vez vai, vai dar certo?
eu estou cansada de ser assim quem sou
mas só por hoje
por hoje preciso de alguém pra me salvar.


(Gláucia Minetto Martins)
fevereiro/2014

20 de abril de 2014

Cassandra


Cassandra é o personagem de uma história que quero criar. Ela está em algum lugar na minha mente, no meu coração. Quero encontrá-la, e então perceberei todas as suas características, assim como eu sei que ela tem que ter os olhos levemente caídos e os cabelos encaracolados. Cassandra é mulher e menina, que luta e tem a vontade e coragem que não tenho. Pretendo dar-lhe a melhor forma possível. 
Espero não precisar mudar nada sobre ela ao longo da minha história. Esse é um termo de compromisso, através do qual prometo que não deixarei sua essência se perder. E se eu parar de escrever essa história que Cassandra faz parte, um sopro dela permanecerá em mim, a lembrança do primeiro personagem que consegui ver o rosto claramente. Deve ser um sinal de que devo continuar, nem que demore vinte anos.


Já não sei, o que sei, o que serei

a vida passa tão rápido
os melhores momentos são constatados quando já se foram
é estranho olhar pra trás e pensar em tudo que já se viveu
as pequenas e grandes coisas
detalhes e capítulos inteiros
e perceber que somos todos os mesmos
idênticos personagens de uma vida passada

metafísica?

quando às vezes faz sentido que nem existíssemos mais
nós continuamos vivos
mas não somos idênticos, claro que não
as coisas pelas quais passamos
pelas quais vivemos
nos moldaram
não somos mais os mesmos jamais
somos novos
virão novas gerações

mudei
se pra melhor, já não sei
me acostumei com as coisas que pensei
as opiniões que formulei
e mesmo ao mudá-las, às vezes, não mais vibro como antes
o tempo passou e veio a vida chata dos compromissos
os anos vividos cobram que eu seja alguém
e então não tenho mais tempo pra ser quem eu era
ou quem sou?
parece que cansei
não sei o que será do futuro
só sei que deixei talvez
o meu legado
se válido, definitivamente já não sei

o que importa, afinal?

(Gláucia Minetto Martins)

12 de abril de 2014

Tempos difíceis


A chuva passa por nós, derramando seu desprezo.
Nos lança a água pura para podermos nos enriquecer, mas nos lança também as lágrimas que foras derramar.
É olhando para o céu encoberto que podemos ver a tristeza da mãe terra.
Ela sabe melhor que nós o seu destino. A vida segue da maneira em que o homem segue seus caminhos. 
Vejo neste luar o que antes não via. Encontro nos meios gasosos da mãe terra o que antes pouco se tinha ideia de qual impacto.
As flores brotam e logo são forçadas a se sufocarem com a massa humana.
A vida antes tratada como grande tesouro humano, hoje não se tem tanta importância.
Explorei o espaço onde apenas o sorriso é a esperança, onde a dor é fala. Pobre natureza, sofre com seus filhos noite e dia, compartilha as lágrimas e o suor do sol em um canto entristecido.
Se arranjassem mãos, nos apunhalavam pelas costas, como uma pessoa que clama por justiça. Se tivessem poder, nos levaria às ruínas.
Ah natureza, sofre calada, assim como um refém na mira de um marginal. Tu que és o tripé da humanidade. Paciência, pois somos humanos, e sabemos o que nos reserva em troca, pois silenciosa será sua vingança.

(Por Ricardo Oliveira)

24 de março de 2014

Rotina

Vivo nesse vício
Chamado rotina
Como um lar que me guarda,
Um planeta esférico
Onde ando para frente
E sempre volto ao começo...

Mas nesse mundo eu estou bem
Tudo é certo e planejado
Friamente calculo.
Desse jeito tudo está claro
Ganho tempo e ganho prática.
Uma existência simplificada.

Pode alguém dizer então
Pra eu mudar minha rotina
Arrisco, tento adrenalina.
Mas se o pulo virar também rotina
Deixa de ser novo.

Tento então algo mais simples
Altero um ou outro detalhe.
Porém de repente percebo
Que o que faço agora
É frequente e afinado.

Algo então sussurra em meu ouvido
"ro-tiii-na"
É ela, já chegou.
Finalmente percebo que ela chega 
Pra tudo que se faça,
Cômoda e perfeita
Útil e necessária...

Porque somos todos gente
De carne
E osso
Vivemos em nossos moldes
E por mais que se viaje
Lar não sai do nosso vocabulário.

(Gláucia Minetto Martins)

11 de março de 2014

Oração por uma alma

Para R.G.

Algo terrível arrebatou a tua vida
O mundo que você conhecia
Apagou-se num borrão
Os últimos dias foram maus
Te tiraram de si próprio.

É uma tristeza muito grande
Uma mácula, uma chaga
A tua ausência machuca a quem ficou
E tua lembrança acalenta.
Teus passos foram breves
Teus sonhos tanto quanto...

Meu Deus, olhai por essa alma
Chama-a pelo nome
Dê-a Vossa paz
E acolha-a no mais puro amor.

(Gláucia Minetto Martins)

10 de março de 2014

Em você, com você


imagem

Nos teus braços eu quero me abrigar
São as tuas mãos que eu quero que me tirem do chão
No teu colo eu quero estar
E à tua vida me juntar.
Em você encontro felicidade e paz...
Te quero brincando com os meus cabelos
Me tirando a calma
Mas me salvando no final,
Completando a minha alma.

(Gláucia Minetto Martins)

9 de março de 2014

Amiga

Para Ariana

Minha amiga
Linda menina
Mulher completa e cheia de sonhos,
Esperanças, dores
E repleta da beleza da vida.
O mundo te espera sempre
A felicidade está pronta para você...
Tudo o que você merece.
Minha amiga
Mulher tão forte
Quem me dera ser um pouco como você!
Sua personalidade marcou a minha vida
Sua alma sempre carregarei junto ao meu coração.
Desejo que nessa nova fase
Com paz, você caminhe
Ao lado do homem que te faz feliz.
Que seu matrimônio
Seja laço que nada jamais desate.

(Gláucia Minetto Martins)

4 de março de 2014

No meu peito


Tô aqui me perguntando
O que é esse aperto no meu peito
Que também é vazio...

Eu tô sempre bem
Mas basta olhar pra você
E aí meu peito fica meio assim.
Tão chato...

Acho que não é você que me faz isso
É o seu cabelo
A sua barba
E a menina nos seus braços
Naquela foto de fim de semana.

Essa menina não saiu mais de você
Ela mudou a vida dela, tomou outro rumo
Mas vocês ainda se cruzam...
Vão se colar um no outro
E pronto, já tenho que ver
Mais um relacionamento sério
Mais uma música pra dedicar
E um ritmo pra criar.

Mas e daí?
Eu também tenho meus rumos
Que são novos
E me prometem outros apertos no peito.

(Gláucia Minetto Martins)

3 de fevereiro de 2014

Calor

hoje a noite está quente
todo mundo já está cansado de ser qualquer coisa
por isso eu tinha pensado em abandonar as ironias
fingir que é tudo rascunho
nossa vida e nossa história

mas pela noite quente decidi falar mesmo
vou gritar minha ironia
me divertir com o que posso te dizer
te cutucar e pedir desculpas

não posso te mudar
mas não sou obrigada a tolerar calada
prefiro brincar com o cômico do trágico
e sobreviver à madrugada vazia
e ao sol expositor das nossas misérias

(Gláucia Minetto Martins)

1 de fevereiro de 2014

Só pra mim


Fechei meus olhos e pensei
Eu vi o que eu podia fazer
Seguir um outro caminho
Um jeito novo fazer você me olhar

Será que tudo isso vai dar certo?
Parece que existe um abismo
Que te leva pra longe de mim
Mas uma corda ao mesmo tempo puxa
A minha vida pra sua

Então olha pra mim
Dá um jeito de fazer valer a pena
Porque meu coração vibra a cada nota
Eu não posso ficar parado
Sem saber se sou eu que seus olhos veem
Então sorria e vem logo pra essa cena
Eu garanto que vai valer a pena

Ah, vem aqui
Me fala como ser
Me fala o que fazer
Pra eu ter você
Perto de mim e só pra mim

Se entrega
Se deixa levar
Olha só pra mim
E vai valer a pena ser
Olha só pra mim

(Gláucia Minetto Martins)
11/01/2014

31 de janeiro de 2014

Nascer do sol

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perguntaram-me se eu prefiro
o nascer ou o pôr do sol
respondi sem pensar, o nascer
a imagem de paz da janela do ônibus
a luz calma refletindo na grama do caminho
e nas casas ao longe

não sei se é viagem
mas me parece que o pôr-do-sol
é clichê,
lindo mesmo assim...

seja talvez a resposta esperada,
beijar alguém na luz laranja
e ir embora à luz da lua
mas não me julgue se eu prefiro
quando o sol se levanta
eu não preciso ser convencional.

(Gláucia Minetto Martins)

25 de janeiro de 2014

Eu existo


Cada manhã é uma nova fase
Uma nova oportunidade
Eternas são as chances
De completarmos a nós mesmos

Nós temos tudo o que precisamos
O mundo sorri a cada instante
Basta ter a alegria de viver,
A vontade de continuar

Nasci com uma vontade de saber mais
De querer dizer as coisas
E às vezes não dizer nada
De aprender tudo o que posso
O infinito e as estrelas
Os livros e todas as outras coisas

Sempre quis elogios
Sempre amei a vida
Sempre fui feliz
Querer saber das coisas é quem eu sou
Querer ser reconhecida por diferir em algo
Descobrir a cura do câncer 
Ou apenas um dez de matemática

Não vou portanto mudar quem sou
Amo querer o mundo
E nesses dias pude ver que posso ser mais
Posso me dedicar
Aprender
Deixar o orgulho
Mas manter um pouco a vaidade

Eu tenho a vida pela frente
Me comprometo hoje a ser quem eu possa ser
A dar tudo de mim
Assim vou viver
Vou me esclarecer
Quem sabe também
O tempo vai passando
E um dia eu digo que te amo...

(Gláucia Minetto Martins)

9 de janeiro de 2014

A senhora e o epitáfio

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Você é.
Meu eterno querer,
Minha eterna paixão.

Gosto de imaginar 
Eu um dia velhinha
Intacta, numa caixa de madeira.
Meus olhos fechados
Os cabelos em coque
Minhas mãos cruzadas sobre o quadril
E minha lembrança para quem fica
Seguida da sua.

Onde haja meu nome 
Que o seu esteja implícito
E no meu epitáfio
Fique a foto de uma senhora
Com um brilho nos olhos...

Mas nessa história 
Talvez você já tenha ido há tempos
Não sei se é porque não vive mais 
Ou porque nunca tenha vivido na minha vida.

Supero-o dia após dia
Mas sempre haverá uma dúvida,
Uma esperança. 
Suas iniciais no meu coração.

(Gláucia Minetto Martins)