15 de setembro de 2013

O Final

Andei esperando aquele inverno passar que não percebi que o verão havia chegado. Mas não percebi, também, que o inverno havia voltado. Acreditei, imaginei controlar meu destino, refazer a vida, criar as regras e ganhar todos os jogos sem ter nenhuma carta na manga. Não, eu não posso. Será que, eu, não estou perdendo-me num abismo que, geralmente, as pessoas não se ousam a se jogar?

Havia uma necessidade em mim de novamente voltar a escrever algo. Mas, com o passar do tempo percebi que não se escreve nada sem realmente precisar escrever. Hoje, estou perdido em encontrar essa necessidade. Mudei meu jeito de ser e, na minha vida, parece que de nada me falta. Mas em cada cinco minutos essa afirmação torna-se uma dúvida ruim de se pensar.

Ando mudando, assim como toda aquela água que se passa por debaixo da ponte. Eu andei mudando, mas pareço estar retornando a aquele bobo menino de anos atrás, sofredor de sentimentos meta-físicos e difíceis de se entender. Pensei que isso nunca mais retornaria e, sem querer, preciso daquilo que imaginei jamais precisar. Como pode um sentimento deste me fazer bem?  Parece que estou vivendo intensamente novamente e que toda velha sombra de pessimismo se foi, aquilo que carreguei por muito tempo, foi como algo que se perde de vista, ao longe. Aprendi a reunir tudo o que é bom e destruí tudo o que é ruim. Isso explica porque nunca soube dizer quem eu sou realmente e isso ninguém será capaz de saber. Apenas piorei na ortografia, gramática e outras porcarias da língua portuguesa, mas isso não importa mais, pelo menos não agora.

Provavelmente tenha chegado o momento em que é preciso misturar tudo para ver no que vai dar, para ver o resultado final. Chegou a hora, o minuto, o momento preciso de acontecer. Se jogar naquele abismo de que citaram, aquele olhar me chamou e é preciso me jogar. Quanto mais um texto é objetivo e direto, mas ele se torna longe de ser entendido.

"Prometo pular se me disserem, também, que ele é sem fim".
Mas, se lá embaixo não for aquilo que esperava, com certeza será algo que ainda preciso conhecer. Afinal, o final é sempre um novo começo.

 (por Murilo Friedl)

Um comentário:

  1. Obrigado por compartilhar o texto. Venho notado que você está num estilo diferente de escrita agora?

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