29 de setembro de 2013

Nas pontas dos meus dedos


Nas pontas dos meus dedos
há sulcos milimétricos
são estradas esculpidas na pele
todas curvas, não têm começo nem fim.
Levam-me a mim mesmo
e juntas são a marca única
da minha identidade...
Elas juram, elas provam
que eu não posso fugir de mim.

(Gláucia Minetto Martins)
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20 de setembro de 2013

som

olhos
teus
a me fitar
a me estudar

corpo
seu
perto do meu

existência
sua
no meu mundo

arrepio
ao te ouvir
chamar meu nome

só o que quero
é ouvir

(Gláucia Minetto Martins)

15 de setembro de 2013

O Final

Andei esperando aquele inverno passar que não percebi que o verão havia chegado. Mas não percebi, também, que o inverno havia voltado. Acreditei, imaginei controlar meu destino, refazer a vida, criar as regras e ganhar todos os jogos sem ter nenhuma carta na manga. Não, eu não posso. Será que, eu, não estou perdendo-me num abismo que, geralmente, as pessoas não se ousam a se jogar?

Havia uma necessidade em mim de novamente voltar a escrever algo. Mas, com o passar do tempo percebi que não se escreve nada sem realmente precisar escrever. Hoje, estou perdido em encontrar essa necessidade. Mudei meu jeito de ser e, na minha vida, parece que de nada me falta. Mas em cada cinco minutos essa afirmação torna-se uma dúvida ruim de se pensar.

Ando mudando, assim como toda aquela água que se passa por debaixo da ponte. Eu andei mudando, mas pareço estar retornando a aquele bobo menino de anos atrás, sofredor de sentimentos meta-físicos e difíceis de se entender. Pensei que isso nunca mais retornaria e, sem querer, preciso daquilo que imaginei jamais precisar. Como pode um sentimento deste me fazer bem?  Parece que estou vivendo intensamente novamente e que toda velha sombra de pessimismo se foi, aquilo que carreguei por muito tempo, foi como algo que se perde de vista, ao longe. Aprendi a reunir tudo o que é bom e destruí tudo o que é ruim. Isso explica porque nunca soube dizer quem eu sou realmente e isso ninguém será capaz de saber. Apenas piorei na ortografia, gramática e outras porcarias da língua portuguesa, mas isso não importa mais, pelo menos não agora.

Provavelmente tenha chegado o momento em que é preciso misturar tudo para ver no que vai dar, para ver o resultado final. Chegou a hora, o minuto, o momento preciso de acontecer. Se jogar naquele abismo de que citaram, aquele olhar me chamou e é preciso me jogar. Quanto mais um texto é objetivo e direto, mas ele se torna longe de ser entendido.

"Prometo pular se me disserem, também, que ele é sem fim".
Mas, se lá embaixo não for aquilo que esperava, com certeza será algo que ainda preciso conhecer. Afinal, o final é sempre um novo começo.

 (por Murilo Friedl)

8 de setembro de 2013

"Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."

Pablo Neruda

Meu abismo, belo abismo

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Disseram-me o que o abismo está em amar
E querer, sentir, pensar...
Oh, em que belo abismo me encontro.

Andando na beira, prometo pular
Se me disserem também 
Que ele é sem fim

Prometo aceitá-lo então
Se com isso eu for tão feliz como quando
Estou no abismo dos seus olhos...
Ah, eu sei
Que eles me chamam.

(Gláucia Minetto Martins)