29 de junho de 2013

Passarinho


Passarinho, por que canta tão triste?
Por que está tão sozinho?
Por que anda com os olhinhos tão baixos
E canta a história de um coração partido?
Por que não volta pro seu bando
Batendo as asinhas com alegria?

Olha passarinho, a vida é tão bonita
E as árvores são eternamente verdes ao sul
Lá não há outono com folhas mortas
E a primavera está sempre nos corações...

Lá os pássaros coloridos são seus vizinhos
E eles às vezes tiram uma pena ou outra 
Pra enfeitar seus ninhos
Mostrando pra quem quer que chegue
Que tudo sobrevive quando se quer bem a si mesmo.

(Gláucia Minetto Martins)

22 de junho de 2013

Do outro lado


Não há nada de você em minha vida
Você me encontra no meio de tanta coisa
Não diz nada, apenas dá um sinal
Não respondo, espero um pouco.
Não sei nada do que é você
Um louco, um chato, um nojo
Mas aperto o play, então...
Seu rosto é sério e grave
E eu sei que você se segura pra não sorrir
Porque quer manter a pose intelectual.
Você apenas olha para a câmera
Sem dizer uma palavra
Apenas toca a música que criou 
E nem nisso eu presto atenção
Apenas vejo um rosto
Olhos que observam as cordas
E raramente me encaram do outro lado.
Quando o vídeo quase acaba
Eu expando a imagem
E a mim parece que te tenho aqui...
É território estranho
Mas você existe em algum lugar
E basta pensar que você é alguém 
Que toca violão. 

(Gláucia Minetto Martins)

O que não é

Há músicas e poemas de amor 
Estampados em outdoors, faixas e vídeos
Mas você sabe que não pode se arriscar assim
Porque a resposta já está dada há muito tempo
E a queda seria dura de mais...

Você se lembra de cada passo
De cada momento inseguro ou feliz
Se lembrará para sempre
E algumas vezes vai sorrir.

Há cartas, rabiscos e souvenires
Guardados todos na memória e na gaveta
Mas não há nem haverá nada...
Há apenas o que somos
Seguindo tudo de olhos bem fechados
Com um pé no chão e outro no passado.

(Gláucia Minetto Martins)





18 de junho de 2013

Levanta, terra



Levanta, terra, e olha seus filhos
Treme sob os pés que nasceram de ti
Absorve a luta e e transforma o peso da marcha
Em terremoto que derruba toda a escória.

As estrelas que brilham veem os montes humanos
Que chegam com o futuro
Moldados na terra pelos séculos maus
E o céu vai chorar em forma de chuva
Lavando uma nação violada
E trazendo no horizonte um novo tempo,
Que tímido, avança um passo de cada vez.

(Gláucia Minetto Martins)

3 de junho de 2013

Sobre as coisas que vêm e vão


Ô menino, eu vou acabar enlouquecendo
Porque fui envelhecendo 
E as coisas na minha cabeça
Não vão embora, não...

Eu acho que eu tô mesmo é louca
Mergulhada em tanta coisa que veio e que foi
Pensando assim em tanto amor
Fingindo que sei as coisas da vida
Pagando de tola pra mim mesma.

Ô menino, eu fico aqui pensando
Que tudo mudou...
E te reencontro mudado também
Mas eu sei que há em você
O seu jeito persistente
Que há tanto me fez ser feliz
E plantou em mim
As mais doces das lembranças.

Eu só digo que muitos vieram
Alguns se foram
Perdi laços duradouros
Quase eternos porque se foram.

Mas hoje eu encontrei na minha gaveta
No meio da caixinha de cartas e fotos e falas
Um pedaço do laço
Que eu já começava a sentir de novo
Aqui dentro de mim.

Ô menino, o que você fez esse tempo todo?

(Gláucia Minetto Martins)