29 de maio de 2013

Tempo, rotina e amor


Estive bem e não quis saber das falhas
Ignorei os erros que cometeram e refletem em mim
Relevei toda briga que escutei
Equilibrei os lados da balança que caiu em minhas mãos.
Senti-me falso ao querer o bem de todos
Traindo os sentimentos de um e outro
Me contive e remoí o que me corta
E o pulso que atinge em cheio a minha paz
Escrevi cartas para Aquele sem defeitos
Fiz-me fraco, inconstante e chagado
Depositei aos pés da cruz que sempre espera
A minha súplica, a minha dor, a minha angústia
O desânimo e morte lenta que corrompem todo o sangue do meu corpo.
Fui ouvido e senti-me pleno
Confiei e amei o que me acalenta brandamente
Tão suave que quase não consigo sentir.
Mergulhei na grande paz que me perdoa
Abracei a vida que escorre vermelha pelas chagas
Mas reneguei meus sentimentos pela escória humana.
Ainda sinto a mão que me chama
Reluto em minha sujeira com o mundo inteiro mantendo-me ao chão
Porém amo e reconheço
E irei sempre ao encontro de quem me espera no horizonte
Levando miséria e amor humano nas mãos que abrem caminho
Pelas florestas geladas do tempo e rotina.

(Gláucia Minetto Martins)

Um comentário:

  1. Glaucia você surpreende sempre com teus versos tão vivos e intensos.
    Hoje, muito perfeito.
    Parabéns!
    bjs

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