24 de fevereiro de 2013

Pois estamos vivos


Minha mãe mandou que eu seja eu
Meu irmão pediu que eu largue o medo
Meu amor lembrou que só sou dele

A poeira constante dos móveis me diz que o cosmos está aqui
O calor do meu corpo insiste que não estou morta

Os carros parecem dizer que não há nada além de ir e vir
E a correria me joga na cara que ninguém sabe mesmo pra onde ir

Meu despertador apita que o sol já nasceu
E as segundas avisam que o dever é pra sempre

As fotos nas molduras sorriam o passado
E cada segundo me mostra o presente disfarçado de futuro

À noite, o cadeado no portão protege-me da ira dos homens
E o cachorro lá fora avisa quando preciso espiar pela janela


Minha mãe mandou que eu seja eu
Meu irmão pediu que eu largue o medo
Meu amor lembrou que só sou dele
E assim a gente vive
Lutando ou acalentando o que nasce conosco
E nutrindo o que conquistamos depois

Pois estamos vivos
E tudo vale mesmo a pena
Porque minha mãe mandou que eu seja eu
Meu irmão pediu que eu largue o medo
Meu amor lembrou que só sou dele
E minha alma exige felicidade

(Gláucia Minetto Martins)

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