19 de dezembro de 2012

Uma tarde, há muito



Baby, você ficou sozinha.
Nos dias frios
você encolheu-se
e ficou só.

Baby, eu me lembro
eu empaco
e posso remoer
a imagem alucinógena
dos seus ombros se encolhendo
no exagero do ar-condicionado.

Eu posso estar aqui,
e você nem tão distante
mas nossas mãos
há muito estão frias
do calor que houve
enquanto estavam juntas...

Os nossos corpos
já não clamam por união
tanto quanto antes.
Mas nos dias de chuva é ainda pior
e a mente, então, conhece
o tênue espaço
entre a lucidez
e a loucura.

Amor,
eu queria...
Eu quero...
Eu preciso disso
eu preciso de nós dois
naquela tarde frenética
em que você me ensinou
como a calma pode existir
nos, então recentes, beijos.

Você ensina-me,
tendo ensinado-me
a vida
e as malícias que descobri
em uma tarde, uma existência.

(Gláucia Minetto Martins)

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