10 de dezembro de 2012

Procurada


De vez em quando
uma saudade me cutuca.
Inconscientemente, lhe dou um tapa
e ela sai voando.

Eu nem percebo
o quanto ela cresceu 
nos últimos tempos.
Alimentou-se bem, a espertinha.
Aproveita as migalhas de mágoas
mau-humores
preguiças e desânimos
que deixo cair ao longo do caminho.

Ela está ficando forte.
Atordoa-me à noite,
puxando meu pé
que às vezes escapa
para fora do cobertor.

É a saudade do que fui
dos pensamentos que eu tinha
das coisas mais claras
que eu escrevia.
A saudade da menina
que era ainda mais menina
vivendo talvez, um pouco mais
na emoção e leveza
de ser.

Apenas era.
Mesmo com umas lágrimas aqui,
outras acolá
e umas risadinhas na carteira da frente.
Era
e ficou.
Perdeu-se no caminho
da escola para casa.

Ela está lá
vagando pelas ruas
mas o pedaço dela
que ficou no corpo
continua.

Ele lembra-se da menina
escreve sobre ela, então.
E procura desculpas
por tê-la deixado partir.
A melhor que encontra é
"eu cresci".

(Gláucia Minetto Martins)



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