19 de dezembro de 2012

Eu, você, as nuvens e a estrada


As rodas do ônibus iam girando
a estrada ia passando
Eu olhei as nuvens...
Parecia que estávamos acima delas

Você me viu fixa
em algum ponto ao longe
para fora da janela
e tentou decifrar meu rosto
sem suspeitar da emoção
que havia dentro de mim

As nuvens estavam perfeitas
eu podia vê-las por inteiro
Eu podia sentir 
as moléculas de água
só com o olhar

Não decifrando minha expressão
você achou-me louca
Pensou, então
em olhar pra fora

Eu sei que você viu as nuvens
que eu contemplava
mas sei que não viu
a magia da estrada
e a magia das nuvens
que estavam tão longe 
e tão perto

É assim a nossa relação...
Você vê o que eu vejo
mas não enxerga 
o que eu posso enxergar

Te perdi
Nós nos perdemos
quando selamos 
o que não devia ser selado

Ainda temos uma ligação
eu ainda preciso do teu abraço
Naquele dia 
eu quis sair correndo 
e deitar no seu colo 
mas, por mais que eu o fizesse,
suas células, o seu corpo
estavam lá...
Mas sua alma se foi para mim

Meus pêsames a nós
Quem sabe um dia
encontremo-nos no céu
dos amores inacabados

(Gláucia Minetto Martins)
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