26 de dezembro de 2012

Os laços, a família


Em meio aos anos que passaram
me veio a saudade
que arrebata o peito.
A vontade de abraçar forte
de um jeito que nunca escasse.

Um abraço em que a força dos braços
seja equivalente à do coração
Que bate, transbordante de alegria
e amor à mais linda das alianças...
A família.

O amor presente na cumplicidade
Amizade, criada do nada
quando se é criança.
E desde então a relação de conforto
nessa presença especial
jamais acaba

Entristece-se a pensar
no quanto tem que se esperar
pelo próximo abraço
E promete-se com amor
que este será inesquecível
e na mente, infinito.

(Gláucia Minetto Martins)


19 de dezembro de 2012

Eu, você, as nuvens e a estrada


As rodas do ônibus iam girando
a estrada ia passando
Eu olhei as nuvens...
Parecia que estávamos acima delas

Você me viu fixa
em algum ponto ao longe
para fora da janela
e tentou decifrar meu rosto
sem suspeitar da emoção
que havia dentro de mim

As nuvens estavam perfeitas
eu podia vê-las por inteiro
Eu podia sentir 
as moléculas de água
só com o olhar

Não decifrando minha expressão
você achou-me louca
Pensou, então
em olhar pra fora

Eu sei que você viu as nuvens
que eu contemplava
mas sei que não viu
a magia da estrada
e a magia das nuvens
que estavam tão longe 
e tão perto

É assim a nossa relação...
Você vê o que eu vejo
mas não enxerga 
o que eu posso enxergar

Te perdi
Nós nos perdemos
quando selamos 
o que não devia ser selado

Ainda temos uma ligação
eu ainda preciso do teu abraço
Naquele dia 
eu quis sair correndo 
e deitar no seu colo 
mas, por mais que eu o fizesse,
suas células, o seu corpo
estavam lá...
Mas sua alma se foi para mim

Meus pêsames a nós
Quem sabe um dia
encontremo-nos no céu
dos amores inacabados

(Gláucia Minetto Martins)
.

Uma tarde, há muito



Baby, você ficou sozinha.
Nos dias frios
você encolheu-se
e ficou só.

Baby, eu me lembro
eu empaco
e posso remoer
a imagem alucinógena
dos seus ombros se encolhendo
no exagero do ar-condicionado.

Eu posso estar aqui,
e você nem tão distante
mas nossas mãos
há muito estão frias
do calor que houve
enquanto estavam juntas...

Os nossos corpos
já não clamam por união
tanto quanto antes.
Mas nos dias de chuva é ainda pior
e a mente, então, conhece
o tênue espaço
entre a lucidez
e a loucura.

Amor,
eu queria...
Eu quero...
Eu preciso disso
eu preciso de nós dois
naquela tarde frenética
em que você me ensinou
como a calma pode existir
nos, então recentes, beijos.

Você ensina-me,
tendo ensinado-me
a vida
e as malícias que descobri
em uma tarde, uma existência.

(Gláucia Minetto Martins)

15 de dezembro de 2012

Clarissa



- Fecha os meus olhos, Clarissa.
E as pálpebras dele fecharam-se ao toque das mãos dela.
- Com os olhos fechados eu consigo sentir o som do mundo, das coisas que se movem...

(Gláucia Minetto Martins)

10 de dezembro de 2012

Vazio

Vou embora
vou deixar a casa
vazia

[






























































































































]

igualzinho ao seu coração.

(Gláucia Minetto Martins)

Por Jonathan de Brito


Se atenha a mim com seu vestido liso
Que cintila serenidades da profundidade
De um sorriso de crianças em riso
Deliciando-se à melodia da alvorada.

As mais remotas paixonites de criança
Em teu abraço se materializam.
E o sarau de toda lembrança
Vai-se indo a um canto de ciranda.

Todas as flores se abrem
Ao sentir passar o véu suave
Que teus doces perfumes conduzem...

Todas as noites instigam a harmonia
De nossas inocentes carícias
Roçando os corpos até chegar à luz do dia...

(Poema escrito por Jonathan de Brito)

Sobre o beijo que não tivemos


Quanto pesa aquele beijo que não lhe dei?
Você se lembra?
O gosto da sua boca que nunca provei
indo de encontro à minha
Os lábios formigando pelo desejo
à menina que desabrocha
aos catorze, feito flor, 
que precede o fruto
no sereno da manhã, sorrindo para o sol

A carne que cega a razão
mas não o pensamento
que liga-se, então 
à mais bela e perigosa tentação 
que torna-nos humanos.

Os sentidos aguçados
tato, paladar
concentram-se
ignoram qualquer fator externo
aliás, a ignorância do desejo.

O peso do beijo que não lhe dei
é grande e incômodo
e o preço é o fardo...
A impiedosa e miserável
imaginação...

(Gláucia Minetto Martins)

Procurada


De vez em quando
uma saudade me cutuca.
Inconscientemente, lhe dou um tapa
e ela sai voando.

Eu nem percebo
o quanto ela cresceu 
nos últimos tempos.
Alimentou-se bem, a espertinha.
Aproveita as migalhas de mágoas
mau-humores
preguiças e desânimos
que deixo cair ao longo do caminho.

Ela está ficando forte.
Atordoa-me à noite,
puxando meu pé
que às vezes escapa
para fora do cobertor.

É a saudade do que fui
dos pensamentos que eu tinha
das coisas mais claras
que eu escrevia.
A saudade da menina
que era ainda mais menina
vivendo talvez, um pouco mais
na emoção e leveza
de ser.

Apenas era.
Mesmo com umas lágrimas aqui,
outras acolá
e umas risadinhas na carteira da frente.
Era
e ficou.
Perdeu-se no caminho
da escola para casa.

Ela está lá
vagando pelas ruas
mas o pedaço dela
que ficou no corpo
continua.

Ele lembra-se da menina
escreve sobre ela, então.
E procura desculpas
por tê-la deixado partir.
A melhor que encontra é
"eu cresci".

(Gláucia Minetto Martins)



6 de dezembro de 2012

Vamos falar sobre o fim do mundo



Se o mundo acabar, o que é que eu fiz de bom? Nada. E se eu morrer amanhã, de infarto, acidente de automóvel? E se um avião cair no meu telhado? Eu só pensei. Eu só mexi os dedinhos em um teclado, remoendo as coisas que valeriam a pena que eu fizesse, caso o mundo acabasse em dezembro.
É sempre assim. Se eu fosse fazer o que quero antes de o mundo acabar, precisaria ser feito cinco minutos antes, pois eu não aguentaria viver uma hora, ou mais, tendo dito o que guardo comigo. 
Se as coisas precisam ser feitas no último minuto de nossa existência, pra não ver as consequências, a coisa tá feia. Isso nunca será feito. 
Porque o mundo não vai acabar em dois mil e doze.

(Gláucia Minetto Martins)

Bagunça de estante



(Gláucia Minetto Martins)

Corrente Literária, 6ª edição. "Me conta um pouco sobre essa saudade..."

5 de dezembro de 2012

Mente-se


Mente-se
desordenadamente...
A vida não tem 
como mais importante característica
a pequenez
de sua duração.
Contemplemos a longevidade de vida
pacientemente.
Bem melhor
que fazer tudo 
sem respirar.
Não respira-se 
apenas em um momento...
Aquele, da paixão.
O resto 
é tempo
de amadurecer.
Uma década não é pouco
e até o pó
há várias delas
pra que se plante
e que se colha
E mesmo com o tempo farto
pode esperar,
não dá tempo
de enjoar.

(Gláucia Minetto Martins)