17 de outubro de 2012

Poema maldito


Desculpa se eu não posso esquecer
Se eu quero chorar toda vez em que penso em você,
E me vêm essa saudade de quando eu poderia ter feito mais.

Desculpa se eu sou covarde e nunca lhe disse nada 
Se eu te guardo em minhas entranhas 
E você nem se quer tem conhecimento do que se passa...
Apenas pode nutrir uma suspeita
E rumores das más línguas.

Me perdoa se te prendi comigo
A cadeado em minha mente 
Se você, aí dentro, passe fome e sede
Pois eu não posso entrar nessa jaula secreta
Pois então teria que lhe encarar
E explorar assim o que me assombra.

Desculpa se o que eu sinto, ou digo sentir,
É uma mentira.
Se são apenas tolices da minha cabecinha ociosa.

Desculpa, se preciso, 
Mas não quero largar
A tua mão imaginária,
E aceitar de uma vez
Que jamais poderei dizer-lhe, ou ouvir
Tudo o que vi em sonho.

Me perdoa, só isso.
Me perdoa por tudo o que não foi
E não estava destinado a ser.

Me perdoa por essas lágrimas 
Que já quase transbordam
No fim desse maldito poema.

.(Gláucia Minetto Martins)

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