6 de outubro de 2012

Apesar



Antes que a cova encarregue-se do meu corpo
Não poderei caminhar
Por todas as terras que sonhei
E não terei tempo para todas as histórias
Que moram nos livros dos quais sou sedento.

No desenrolar monótono dos meus dias
Acabo por entender, então
Que a vida é apenas vontade.

A tal liberdade
Frente aos meus olhos não é nada.
Se eu sair para ser qualquer coisa
À tardinha preciso voltar para casa.

Basta manter a verdade sempre intacta
Para que no fim, tudo esteja leve.

Não importa o que se queira
A alma nunca ficará completa.
Apenas vivo o roteiro que aprendemos
Organizando-o de acordo com meus traços.
Obtendo pequenos prazeres que fazem-me
Apesar de tanto, feliz.

(Gláucia Minetto Martins)

Essa é mais uma contribuição para a Corrente Literária, dessa vez com o tema "O que vale a pena ser?" 

4 comentários:

  1. Que lindo poema, Gláucia, e que verdades existem nele. Um tapa.

    Parabéns <3

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  2. Nossa que lindo, parece que saiu de dentro...

    Acho que encontrei aqui o que penso e não sabia como falar.
    Parabéns!

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