26 de outubro de 2012

A viagem sem destino



As estrelas são o teto do navio
Podem ouvir-me gritar
Bem fundo, dentro de minha alma

Eu posso pendurar-me no convés
Eu posso querer que tudo acabe
Mas há uma mão que me resgata.
Vi a vida nos olhos que fitaram-me
Vi tudo o que não sou
E o que não posso ser...

Ergui-me na força
Que foi-me entregue
Provei do gosto
Das ágeis asas da liberdade

Mas o frio, cruel, surpreendeu-nos
Não podemos continuar
O desespero nos cega
E o violino cerca a doce morte

Escolhi ficar
Deixar-me contigo
Pois minha vida infértil
Pode apenas reverter-se perante a tua

Mas não posso salvar-te
E a vida esvai dos teus olhos
Episódio desfocado
Diante do meu corpo trêmulo

Sobrevivo, mas carrego teu nome
Pois sem ele sou ainda menos
Do que fui antes dos teus olhos

Agora vivo
Alimento-me da tua lembrança
E sei, quase sem saber
Que um papel, perdido por entre as ondas
Ostenta uns traços frágeis,
A minha nudez,
Acompanhada do Coração do Oceano.

(Gláucia Minetto Martins)

Escrevi esse poema baseada no filme "Titanic", para apresentá-lo no evento "Ler e Cantar É Só Começar", da escola onde curso o Ensino Médio. Esse ano, o tema foi "Teatro, Cinema e TV".  

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