14 de agosto de 2012

"O que dura pouco para você?"


Eu preciso
do que me faz viver
empurrar a Terra com meus pés
proferir as palavras que nos guiam

Eu preciso da misericórdia
desse ar que respiro.
Preciso dos gostos que põem-me de pé.

Da água
que leva todos os segredos em garrafas...
Os homens para casa,
os navegantes pelas estrelas.
Do mar.

Preciso sempre
dessa rota, zig zag, vai e vem
dos assuntos
e conversas ao léu
a moldar todas as convicções.

Do cifrão...
Melancolicamente...
pra ser independente
da moléstia suja
desse mundo estranho.

Eu preciso a cada dia
manter-me bem comigo mesmo.
Cultivar meu rosto
as linhas que o desenham
além dele, meu corpo
curvado ou ereto
que suporta e clama...

E a mais que tudo
mais que o que me mantém nesses trilhos...
Preciso de toda a alegria
dedicação de uma vida...

Da água que viaja pelo seu corpo
do ar que entra e sai,
exigente.
Do seu rosto
dos teus traços

Da tua atenção,
respeito
olhar...
Da tua alma.

Preciso cuidar dos teus trilhos.

E o que dura pouco de tudo isso
é essa viagem de trem
que quem embarca
somos nós.

Duramos pouco um ao outro
limitados pela força do nosso querer íntimo...
Mútuo.

O que dura pouco
somos nós mesmos.


Essa é a minha contribuição para a Corrente Literária.

12 comentários:

  1. Oi Glaucia! E que contribuição né?! Muito interessante seus versos e como você deu vida a cada necessidade!

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    1. Oi Albuq! Obrigada pela visita. Que bom que gostou! Bj

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  2. Detalhes indispensáveis! Muito bom! *-*

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  3. Que sensível, Gláucia. Parabéns. Uma qualidade incrível.

    Obrigado por participar!

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    1. Obrigada, Marcelo! Fico muito feliz em ver um comentário seu aqui no blog, pois admiro muuuito o que você escreve.

      Beijão. Espero pela próxima corrente!

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