12 de julho de 2012

O retorno, a covardia

Saí na rua dia desses, pra tomar o sol das nove. Dizem que é bom. É uma sensação maravilhosa, essa do sol da manhã tocando a pele, tão morno, tão suave.
Eu gosto mais do dia que da noite. De dia, tudo é claro, bonito, bem resolvido. À noite, tudo é mistério, frio, incerto, mesmo à luz das estrelas. 
Penso, às vezes, que sempre é noite em meu coração, mesmo repleto de tanto calor, amor. É o medo, medo de se molhar, de botar a cabeça pra fora desse útero que é nossa segurança. Vontade de ficar deitada pra sempre, em posição fetal, quente e confortável. Uma vida falsa, porém. 
Somos todos bebês até que deixemos a casa dos nossos pais. Quando isso acontece, adeus vida morna, água morna, comida pronta, tudo mastigado e fácil, ao alcance das mãos.
Aí, então, a sensação de medo talvez passe um pouco. E começa a busca pelo sentido de tudo, quer dizer, agora se dá colo, e é preciso manter-se em pé... No fim, para nada. Mas fazer o quê?
E sob o sol das nove fui andando, e a cada segundo ficava mais nova, ao contrário do que é lógico. O sol acalentando essa angústia doentia. Ficava mais nova, mais nova, mais nova.
No fim do dia, já bebia novamente o líquido amniótico, eternamente em uma solidão materna. Sem precisar nascer, nem crescer, nem morrer. Apenas fixa na origem de minha existência.

4 comentários:

  1. às vezes, todos temos vontade de voltarmos ao líquido amniótico... òtimo texto! bjo

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  2. Oi Glaucia!
    Encantador teu texto.
    Eu me sinto assim em casa, como se ainda estivesse guardada ao liquido amniótico. Acho que a casa dos pais tem mesmo dessas coisas. bjsss

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    1. Obrigada!
      A casa dos pais é sempre o lugar mais aconchegante desse mundo! haha
      Beijo.

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