23 de julho de 2012

Elas em coro


Ela não respira. Por atenção.

Ela não respira. Por alegria.

Ela não respira. Por defesa.

Ela não respira. Por submissão.

Ela não respira. Por bloqueio.

Ela não respira. Por carência.

Ela não respira. Por perfeição.

E elas vão andando,
Devagar.
Lapidando em cada esquina
Cada ponto de sua singularidade

Por que você ama mais minhas qualidades
Que os meus defeitos?

No caixão, então
Como moldura dos dias perdidos
Cada flor velará todas elas

Vela e chora o maior traço,
O corte que sangra
De cada mal dessas cargas
Apimentadas, intensas

Respirarão, no descanso
Desse desespero que é a vida
Apimentado, intenso desespero.

Foto


(Uma postagem inspirada em algumas das mulheres mais presentes na minha vida, todas com suas  características marcantes.)

17 de julho de 2012

Tanto faz


Olha pra mim
Não exijo mais nada
Ou exijo, sim.

Olha,
Sinta algo
Além dessas impressões
Tão superficiais

O que acontece nessa mente perturbada,
Confusa
Inquieta
Irritada?

A sua natureza,
De bruta não tem nada.
Mas preferia que assim fosse,
No lugar de tudo o que é incerto.

E se...
Você tivesse olhado
De outra forma
E visto, no fundo 
Desse poço de emoções, ilusões e alegrias
Aquela menina que você buscava?

Encontrou em alguém 
Que tomava o outro lado da bifurcação.
Totalmente diferente
Inédito, inconsequente.

Tentação,
Paixão,
A sua incerteza
O seu poço
Era ela.
Linda, lindíssima.

Você disse à essa sensação
"Espere por mim"
Mesmo sem precisar esperar
Mesmo amparando,
Mostrando as nuances 
Que poderiam estar guardadas para mim,
Para outro.

Mas tudo é como deve ser
E nada foi, nem vai ser
É outro mundo,
Dentro dessas dimensões que habitam 
Meu coração, mente e corpo.

Foi embora
Não tem banco,
Quadra
Ou pé de amora
Que traga de volta
O que se passou dentro de nós

Ou de mim,
Tanto faz.


12 de julho de 2012

O retorno, a covardia

Saí na rua dia desses, pra tomar o sol das nove. Dizem que é bom. É uma sensação maravilhosa, essa do sol da manhã tocando a pele, tão morno, tão suave.
Eu gosto mais do dia que da noite. De dia, tudo é claro, bonito, bem resolvido. À noite, tudo é mistério, frio, incerto, mesmo à luz das estrelas. 
Penso, às vezes, que sempre é noite em meu coração, mesmo repleto de tanto calor, amor. É o medo, medo de se molhar, de botar a cabeça pra fora desse útero que é nossa segurança. Vontade de ficar deitada pra sempre, em posição fetal, quente e confortável. Uma vida falsa, porém. 
Somos todos bebês até que deixemos a casa dos nossos pais. Quando isso acontece, adeus vida morna, água morna, comida pronta, tudo mastigado e fácil, ao alcance das mãos.
Aí, então, a sensação de medo talvez passe um pouco. E começa a busca pelo sentido de tudo, quer dizer, agora se dá colo, e é preciso manter-se em pé... No fim, para nada. Mas fazer o quê?
E sob o sol das nove fui andando, e a cada segundo ficava mais nova, ao contrário do que é lógico. O sol acalentando essa angústia doentia. Ficava mais nova, mais nova, mais nova.
No fim do dia, já bebia novamente o líquido amniótico, eternamente em uma solidão materna. Sem precisar nascer, nem crescer, nem morrer. Apenas fixa na origem de minha existência.

6 de julho de 2012

Quando a noite cai



A noite cai, 
O amor espia pela janela...

Vêm atormentar,
E lembrar
Que de madrugada,
Tudo é mais profundo.

Mais belo e pleno.
Silencioso.

2 de julho de 2012

Por favor



Você não tá sozinho, não
Vêm pra eu te dar um pouco de mim mesma
Vêm pra conversar.

Tira todo o male da cabeça
Esquece as dúvidas que corroem o coração.

Não volta pra casa, volta pra sua vida...
Que agora lhe pertence pouco, eu sei
Mas aguenta, alguns poucos anos.
Não desperdiça essa vida,
Por favor.

Se faça feliz
Mesmo longe do seu ninho.
Vai contando devagar até que a poeira abaixe
E quando chegar no mil,
Tudo já vai estar mais fácil.

Pela janela do ônibus,
Te via andando pelo mundo.
O mundo é seu.

Espera,
Calma.
É só o que eu peço,
Por favor.

Pelo menos uma vez
Não estraga toda a chance de ser alguém mais,
De me fazer tranquila por saber que tudo vai se encaixando.

E agora?
As coisas se embaralham
Saem dos eixos...
Sua decisão ordinária.

Já se passaram dois anos
Você não pode voltar a ser
O estudante esperando o sinal
Que já não existe...
Com a mente no passado.