24 de junho de 2012

O que não disse



Mais uma daquelas velhas histórias solitárias
onde tudo acaba em solidão e silêncio..

Esse meu sorriso, é contido
e tudo mais o que há em mim,
o que você queria que eu escolhesse:
correr sempre atrás de você ou desistir,
pra correr o risco de nunca mais achar alguém melhor.
os meus meios
justificaram meus fins
agora estou sozinho.

O que você queria que eu falasse?
além de ''eu te amo''
agora sei como tudo acaba,
não tenho o direito de dizer mais nada
ecoará para sempre o silêncio no meu coração
mas ecoará clamando pelo seu nome,
seu amor,
e tudo que deixei de falar...


(Poema escrito por José Augusto Zago, do blog Eu Vejo Horizontes)

Beijo, Zaguinho. haha

23 de junho de 2012

Suporte mútuo



Eu quero o toque frenético
Das tuas mãos
Do calor do seu corpo

Frenético, febril, delirante, agitado:
Todos os sinônimos e sentidos
Do seu querer sobre mim

Moça


Moça bonita
Orgulhosa
Sentindo a grama sob os pés descalços

Moça dos cabelos castanhos
Refletindo, as mechas e os olhos,
O sol a beijar sua pele e o colo cálido.

Moça
Sabendo de tudo que é real.
Neste banho de sinceridade, sonha.

Moça, filha.
Namorada.

Moça.
Brincando com os anjos
Rindo dos campos
E querendo ver o mar

Moça.
Querendo o beijo
As mãos

Pronta para a dor
E o grito eterno 
Que emana de seu ser feminino.

Moça
Que espera tudo
E não espera nada,
A não ser lhe dar o amor
Que guardou desde que arte da conquista
Espiou-lhe escondida.

22 de junho de 2012

Amor de um metro e vinte



Mandei cartinha
Um coração 
E palavras coloridas
À canetinha.

Foram sete linhas
Nunca escrevi tanto assim
Tá vendo, é só pra você.

Mandei te entregar
E saí de fininho
Pra você não me ver

Vai que recebo resposta...
Meu lápis tá apontado
Pra eu assinalar bem feliz
O quadradinho do "sim"
"Quer namorar comigo?"

E se eu ficar sabendo
Que você não sorriu
Fico de mal
E nem o mindinho
Vai adiantar.
Pode me dar tchau
Que eu não vou nem chorar.


21 de junho de 2012

As coisas, com você


Com você as coisas fluem
Liberdade em gota
Com moderação.

     As

                  c
                    o
                        i
                            s
                                a
                                    s

                                               c
       

                                               a


                                               e


                                               m,


                                                               vi

                                                                                 a

                                                                                                  jam
                                                                                                            ...

                                                                     e  voltam,

                   c
                    e
                      r
                        teiras,


                                  ao meu coração.


11 de junho de 2012

Saber você


Eu quero é saber 
Como você me vê
Como pensa em mim
O que pensa sobre mim

Eu quero saber
Se o meu rosto se encaixa em seus padrões
Se os meus gostos são ridículos
Ou se não são 

Eu quero saber
Se sou só mais uma no pacote
E se for também, tanto faz
A intensidade de nossas relações 
Só depende de nós mesmos

Eu quero é saber
Só saber

Saber você

9 de junho de 2012

Os pés


Enquanto não esquento meus pés
Não consigo me esquentar
Passo horas a fio, nessa pequena tortura 
E é só com você, que encontro algum conforto
Consigo o que passo o dia inteiro desejando
E me esquento, cansada
Mas então, os pés quentes sentem tédio
Querem o frio da madrugada.

5 de junho de 2012

Como eu pedi a Deus


Minha cama é consolo mútuo. Me abraça apertado com seus braços feitos de lençol branco. Suspira a cada vez que reviro e me aconchego.
Sou um homem, quase um velho... Difícil de aceitar. Clichê falar que na adolescência tudo era mais fácil e mais bonito.
Aliás, essa minha velha amiga, a adolescência, me foi uma droga injetada na veia. Todo o tempo que passei nesse seio alucinógeno foi a mais doce ressaca dos meus dias.
É estupidez lembrar do mundo como era e lamentar os sóis nascentes, incansáveis. Jogo a coberta para um lado, faço uso do cinzeiro feio e rachado, presente daquela tia velha. 
O relógio diz que é hora de tomar vergonha nessa cara suja e ir arranjar um emprego. A preguiça é maior, esqueço a incômoda ideia. Pego o jornal meio amassado, jogado em cima do criado (como tudo o que há nesse fétido apartamento, esquecido, jogado às traças e às moscas, mergulhado sem fundo no escuro desse lar, Lar Doce Lar).
Chove lá fora (mais um clichê - odeio essa palavra. Palavrinha nojenta. Todo mundo sente, que se danem os clichês).
Eu poderia fazer com que isso aqui fique cheio de parênteses. Posso livremente me entupir deles. Quero que haja parênteses até que você não saiba onde é que tudo começa. 
Ou não posso. 
Posso não querer coerência, nexo, drama, beleza. Assim como os clichês, que se danem os sentidos. 
Chove lá fora. 
Isso é um conto. Um conto sem fim.
Chove lá fora. E que sentido tem a chuva pra você? É clichê?
Aqui tenho o direito de usar a chuva sem ligá-la a nenhum pensamento chato. Ligue-a você.
Não quero falar com ninguém. Meu apartamento é ilha deserta, cofre bancário (mas sem riquezas, a não ser que esse homem - já com rugas - valha alguma coisa).
Meu tédio é alimento. Meu cigarro é canção. A fumaça é neblina e minha cama é todo-dia.
O que você pode querer? 
Sozinho. Definhando alegremente. Assim como pedi a Deus.