21 de maio de 2012

O cinza dos teus olhos e da tua desgraça



Quero mesmo um poema sujo
Que em sua imundície, leva toda alma corrompida

Me encare, só pra eu ver o vazio cinza em seu olhar:
Abismo a convidar cada mancha de meu ser
Para o abraço mau, mas quase terno
Da vergonha da sujeira, a acariciar-lhe.

E me olha, ainda, em busca de uma misericórdia
Esta suja, também, em sua falsidade

Criatura estúpida, animal
Sem pudor, sem conduta
Mostrando tudo, à vontade.

Essa calamidade que nasce em nosso coração...
Humano, pedinte...
Alimenta-se de restos, arrasta-se

Coluna sustentando a beleza,
Permanência camuflada,
Que não anula a pureza.


4 comentários:

  1. Não sei bem o que comentar, mas o poema chamou minha atenção até sua última palavra. Seus versos intrigam os sentidos... Gostei muito!

    Beijoo!

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    1. Muito obrigada! Fico super feliz ouvindo isso.
      Beijão.

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  2. Meio redundate dizer isso, mas, lindo texto!
    Gosto de sentir os sentimentos dos autores quando leio as suas obras e consegui sentir a sua revolta, o seu rancor e a sua dor.
    Se foram os seus sentimentos, deu pra senitr daqui.
    Se você apenas os quis retratar, o seu trabalho está feito, hahaha
    :)

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    1. Obrigada! É isso mesmo... E sobre tudo isso e a podridão do mundo, ou ainda, sobre o nosso "lado negro".

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