30 de maio de 2012

Cada átomo do seu corpo



Cada átomo do seu corpo é sol que ilumina meus dias
E estrelas a velarem meu sono.

O teu corpo é saudade da qual me alimento
Tem gosto de alma, calma.
Tem o gosto salgado da tua pele,
Feito água do mar...
E o gosto doce da tua carne
Que guarda as dores e os desejos 
De cada nota musical: as horas persistentes
Da sua existência.

21 de maio de 2012

O cinza dos teus olhos e da tua desgraça



Quero mesmo um poema sujo
Que em sua imundície, leva toda alma corrompida

Me encare, só pra eu ver o vazio cinza em seu olhar:
Abismo a convidar cada mancha de meu ser
Para o abraço mau, mas quase terno
Da vergonha da sujeira, a acariciar-lhe.

E me olha, ainda, em busca de uma misericórdia
Esta suja, também, em sua falsidade

Criatura estúpida, animal
Sem pudor, sem conduta
Mostrando tudo, à vontade.

Essa calamidade que nasce em nosso coração...
Humano, pedinte...
Alimenta-se de restos, arrasta-se

Coluna sustentando a beleza,
Permanência camuflada,
Que não anula a pureza.


4 de maio de 2012

O museu e a biblioteca


Olhar para trás não é sinal de fraqueza. É aprender a viver com os dias que nos vêm, mansos e limpos, sempre dispostos a serem amassados, respingados de café, sujos de batom. A serem marcados pelos erros, beijos, pensamentos...
Cada dia é um novo capítulo, e de cada capítulo nos dá uma pequena lição, que complementa as próximas e dão sentido às que passaram. E o conjunto de todos esses capítulos é o livro da nossa existência, aquele que, como se diz, será lido lá em cima... Quem sabe?
Por sua vez, o conjunto desses livros não forma nada menos que essa biblioteca, "socioteca"... Essas estantes de livros bem variados, assim como nossa sociedade...
Muitas categorias... Alguns livros são românticos, outros épicos, outros dramáticos, e cada um desses elementos tem ao menos um traço de todas as ideias que formam os outros.
"Quem vive de passado é museu". Será mesmo? O que seria de um museu sem as pessoas que querem conhecer esse passado? O presente se importando com o passado.
Não viver do que já passou não passa de uma desculpa vagabunda para decepções. Cada decepção traz algum sentido bom. É só parar para pensar.
Quem não gosta de lembrar "dos tempos de colégio", do "meu primeiro amor"... " - Ah! Aquele tempo sim! Aquele tempo sim era bom."
Cada um deve viver o presente e não ignorar o passado. Se este é tão insignificante, terreno de erros a serem reparados, quer dizer que não valeu a pena vivê-lo? A favor desse pensamento, consequentemente não vale a pena viver o presente.
Presente, passado e futuro é uma coisa só. É nossa vida. Pare de reclamar e apenas viva, fazendo seu dia bonito para o tão valorizado futuro, que bate sempre à sua porta.


Pra ilustrar:



2 de maio de 2012

Um pouco de Sonata pra sua noite



Carta Para Dana


Dana, minha querida, eu estou escrevendo pra você.
Porque seu pai se foi, era um dia lindo
E eu não quero te incomodar mais,
Eu costumava acreditar que você voltaria
Agora não mais, Dana

Meu olhos podem ter me enganado, mas eu vi
A sua foto na capa de numa revista masculina
E eu acho que meu coração não pode suportar isso
Dana, minha querida, iria ser tão ruim.

Dana, minha querida, eu estou escrevendo para você.
Porque a sua mãe se foi, era uma dia muito chuvoso
E eu não pretendia mais te perturbar
Sua mãe desejava: venha visitar o túmulo do seu pai, Dana.

Seu pai te deserdou, porque você pecou
Mas ele realmente te perdoou, nas condições que ele se encontrava
E eu espero que você não faça mais essas coisas
Dana, minha querida, eu estou esperando.

Pequena Dana O'Hara oh Dana, minha querida
Como eu queria que a minha Dana estivesse aqui
Pequena Dana O'hara decidiu um dia
Viajar pra longe, muito longe

Não, você não pode mais me surpreender
Eu já vi tudo isto antes
Mas parece que eu não posso te deixar partir
Dana, Dana, Dana, Dana!

E eu acho que eu te falei, que eu esperaria você pra sempre
Agora eu sei que outra pessoa está com você,
Então, pela primeira vez na minha vida - eu tenho que mentir
Mentira é um pecado, confusão na qual estou,
Amor não é o sentimento que eu tenho agora
Eu te prometo: Não vou escrever de novo
Até que o Sol se ponha atrás de seu túmulo...

Dana, minha Dana, estou escrevendo para você
Eu ouvi que você se foi, era um dia bonito
Eu estou velho e sinto que o tempo vai chegar pra mim
As páginas do meu diário estão cheias de ti.

Os poemas mais bonitos...



... foram feitos pra você.

Eu tinha me esquecido o motivo pelo qual te olhei
Até que você me surgiu novamente
E tudo aquilo caiu sobre os meus olhos

Meu coração enlouquecendo no peito,
Pede por água, descanso.

O tempo passou, tanto para você, quanto para mim
Fico aqui sozinha, pensando se o meu amor
É por alguém do passado
Ou por esse garoto cada vez mais homem
Que você se transforma.

Muita coisa se perdeu pelo vento da vontade de esquecer
Só dormiria em paz quando entendesse o que se passa
Comigo... E apenas comigo

Esse parasita estúpido que se aproveita de minha mente
E minhas entranhas.
A dúvida e incerteza que faço o favor de remoer

Se ainda existe, já não sei.
Talvez mais forte que antes.

Perdidos no passado...
A eternidade de alguns anos
Que caíram sobre nós.

Far, far away



Das tuas maneiras me vejo vazio, esquecido
Jogado ao acaso.

Essas suas maneiras estranhas e incolores
Tão distantes...