20 de outubro de 2011

Roda anti-horária


Vêm, vêm pro café que preparei para nós
como tal, como igual.
Vêm pra falar de nada mais que essa arte que te move
vêm pra fumar um cigarro
Deixa seu chapéu em cima da mesa
bate a porta pra eu ouvir tua chegada
vêm sorrir pra minha casa solitária
minhas telas sujas
minha cama bagunçada
meu pedaço de pedra mal lascado
minhas linhas tortas no caderno velho
e os poemas-não poemas jogados na lixeira
Vêm, pra pisar no chão de madeira
pra nossa vida...
Vêm pra cantar o que te incomoda
e rezar a letra descompassada
Vêm pra sentarmos nessa mesa
e deixar as vaias lá fora
recolher os tomates do chão
E que nossa fome nunca passe.

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