20 de outubro de 2011

Corvo


Vivo aqui com rostos, gostos
restos, gastos
manias e encostos.

Vivo aqui em alerta,
farta
cansada...
as lembranças não cansam de serem invocadas!

Encontro aqui a pena do passado quase esquecido
e a pena do pássaro perdido que canta em minha janela...
ele cantou-me que já não existo em outros corações
pois suspiram e cantam em outras sacadas
dão de presente jóias e marfim.

E de mim não resta nada...
fico aqui rimando
cantando a agonia eterna
ouvindo o barulho dos meus ossos a bater.

O passarinho bica meu telhado
trouxe em seu bico um ramo seco
como a alma que um dia me habitou
pois estou morta por dentro e por fora
ouvindo apenas ao longe o bater de meu coração.

E é aqui nessa tumba interior
que se encontra a face da verdade
e se agarra na raiz dos meus tempos.

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