12 de outubro de 2011

Dez da noite



- São dez da noite.
- Ora, e o que é que tem isso?
- Nada, só são dez da noite.
- É... É noite de sábado. E que sábado mais sem graça... Nem a prostituta tá lá na esquina. Não tem ninguém na praça.
- Ouvi dizer que a prostituta foi embora.
- Por quê? Parecia que amava mais esta esquina que sua própria vida...
- Sei não, mas tão dizendo por aí que fisgou um homem rico, que já tinha filhos. Olha só! Vaca!
- É o amor dele que tirou-a daquela esquina.
- Amor ou gula?
- Sei lá.
- Vou falar de coisa boa. Se é que não encontro nada agora - e ri.

- São dez da noite.
- Ora, e o que é que tem isso?
- Nada, só são dez da noite.
- É a noite da partida da prostituta.
- Noite triste, vazia. Noite bêbada nesse bar, amigo.
- A noite da despedida.
- E não é que a rua sente falta dela, a vaca?
- É, sente.
- Pois agora ela deve estar rindo e tomando seu champanhe, na cama do pai de família.
- Despudorados.
- Ainda não, só são dez da noite.


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