26 de setembro de 2011

Lapsos de uma mente sã




Me desarrume. Tire o rímel, o lápis, a base, o pó, o blush, o esmalte.
Só preciso de alguém pra me desarrumar. Desencorajar. Redecorar.
Estou sentada, sem tempo, sem rumo, sem nada de melhor.
Olho pras minhas unhas azuis, cortadas na carne, com fome de rasgar, torturar, prender, beliscar. O anelzinho dourado que ostenta "forza amore equilibrio" se agarrou sobre meu dedo e sussura coisas que nem sei o significado.
Penso no chão. Nos chãos do mundo, por onde andam tantas almas sem destino, sem sorriso.
Andam olhos selvagens e dedos magros, sedentos de sangue e paixão.
Capto rumores de um mundo perdido em meio à vida que deixei pra trás hoje, ao sair de casa.
Quando voltar, quase ao escurecer, não serei a mesma. Nunca sou.
Sempre que respiro, e a cada piscar de olhos sou a meia-de-mim-mesma, e a meia-da-meia-de-mim-mesma, e assim vai... Até os segundos me moldarem, sujos e cruéis. Quase pervertidos. Me desarrume.

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