26 de setembro de 2011

Lapsos de uma mente sã




Me desarrume. Tire o rímel, o lápis, a base, o pó, o blush, o esmalte.
Só preciso de alguém pra me desarrumar. Desencorajar. Redecorar.
Estou sentada, sem tempo, sem rumo, sem nada de melhor.
Olho pras minhas unhas azuis, cortadas na carne, com fome de rasgar, torturar, prender, beliscar. O anelzinho dourado que ostenta "forza amore equilibrio" se agarrou sobre meu dedo e sussura coisas que nem sei o significado.
Penso no chão. Nos chãos do mundo, por onde andam tantas almas sem destino, sem sorriso.
Andam olhos selvagens e dedos magros, sedentos de sangue e paixão.
Capto rumores de um mundo perdido em meio à vida que deixei pra trás hoje, ao sair de casa.
Quando voltar, quase ao escurecer, não serei a mesma. Nunca sou.
Sempre que respiro, e a cada piscar de olhos sou a meia-de-mim-mesma, e a meia-da-meia-de-mim-mesma, e assim vai... Até os segundos me moldarem, sujos e cruéis. Quase pervertidos. Me desarrume.

24 de setembro de 2011

Sonho


A tempestade chama
Carrega pedaços de almas,
De descobertas,
De outras mentes...

E acima de tudo carrega
O mundo em si -
Belo e calmo,
Misterioso e indecifrável.

O chamado para uma lembrança...
Relicário que guarda sorrisos.

A água canta ali por perto
E os pés descalços
Correm na grama.

O vento frio
Conduz a sensação de liberdade
E os pés quase não tocam mais o chão.

As nuvens susurram a irrealidade
De um momento intocado
Na teia da memória.


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Será?


Será que os poetas vão pro céu?
E sorriam para as portas do paraíso?
Comem do fruto do pecado,
São castigados pelas horas insanas?
Recebem a coroa de honra
Da prova de todo o amor...
Amor ao nada?


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18 de setembro de 2011

A lembrança de um sorriso


Nem te conheço direito...
Não sei ao certo quem é você
O menino, o moço, o homem da camisa vermelha,
Do sorriso alegre - que raridade...

Quem sou eu para construir essas pequenas linhas
Se mal sei o que se passa em sua cabeça?
Se em suas opções, escolhe se guardar perante essas mágoas
Que secretamente lhe corróem - eu sei!

Decidi que escreveria sobre você
Porquê aquele sorriso perdido
Me completou de alguma forma inquietante
Adormeceu dentro de mim...
Mas agora, está despertando, aos poucos...

Espero que no dia em que eu conhecer esse seu lado,
Você também entenda essas palavras.

16 de setembro de 2011

Fumaça


As coisas passadas,
Frustradas
Anuladas
Sanadas...

Esquecidas
Jogadas
Distraídas...
Desfalecidas.

Tais coisas que passam...
E somente passam.

Apesar do choro
Das faces em fogo
Das ironias...

Passam!

Essas coisas que riem
De nós
Enquanto dançam
Em órbitas douradas.

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8 de setembro de 2011

Ímpeto


Penetro nesse seu mundo quase inacessível.
Não sorrio... Apenas sinto.
Te prendo comigo até o fim, esperando expremer esse teu querer até a última gota.
Mergulho em seus olhos, transmitindo-lhe meus segredos mais intensos... Só o melhor de mim mesma... O intrigante... O mistério.

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5 de setembro de 2011

A espera



Você sempre esteve lá
Você sabe que menti
Você pode me ver
Além do que é dito...

A chuva castiga o chão
Ponteiros moldam a mente

O vento une as folhas
Sem a influência desses passos incertos...

Deixe que a estrada
Se prolongue solitária.

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3 de setembro de 2011

Febre


Tem algo dentro de mim
Que pulsa, vibra
Sorri e espera...

Tem alguém em meu coração
Que anseia por algo novo
Sem saber do que se trata
Apenas vive...

E quando o mistério se despir
Da camada embaçada,
Minha pele tomará para si...

Posse incontrolada
Perfeito frenesi.

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1 de setembro de 2011

Perder-se


Ela está brincando sozinha
Em tardes vazias
Olhando pro teto e sonhando
Com o que pode encontrar.

Na dança macabra do tempo
Nas montanhas obscuras da noite
No abismo incessante da mente
No olho do furacão...

Quando o vento chegar
Quando o frio nascer dentro da gente
Quando a faísca acender
E a malícia surgir...

Nos passos de certa bailarina
Vê-se a pressa em viver...

E a estrela lá em cima
Pouco a pouco
Recebe mais vida.

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