25 de junho de 2011

Declínio


O tempo passa
Os olhos gravam
Rostos inalterados
Contemplando o alto.

Rostos que são estrelas
Nesse céu chuvoso
Estrelas ofuscadas
Pelo sol da escuridão.

Olhos que choram a noite
Mergulhados num mar de esquecimento...

Som de passos estão vivos
Na memória dos túmulos
Na memória da terra...

Desse sol que ostenta
As vítimas do tempo.


Foto.


17 de junho de 2011

Poema sem amor


Ela tem um coração que não é de pedra
Dança conduzida pelo olhar do mais bonito...
Fios transparente estão a seguindo
E ela sorri sempre,
Linda, intocada.

Seu amor imóvel não se altera
No instante mais crítico
Nem no olho do furacão...

Seu sorriso imóvel
Sorri das lágrimas de quem a guia.

Cadê você, menina?
Olha pra mim.
Não quero esses seus olhos castanhos
Que olham o nada.

A sua melodia quase inalterada
Como o meu amor
Nesse ritmo que carrego em meus dedos.

Sua silhueta imortal
É a silhueta dessa paixão impossível.

Seu silêncio me machuca,
Mas ah,
Eu quero o seu silêncio.

Meu dedos já sangram, menina
Vou te deixar só
Um segundo apenas...
Pra encontrar uma fada
Vou te dar um coração
Trançar o vermelho em sua maior profundeza
Correr meu amor por suas veias.

Já volto, menina
Ou quem sabe,
Não volto não...

Afinal, como pode nessa dança
Um homem se apaixonar por um pedaço de madeira?

E ela sorri para ele.

Foto

3 de junho de 2011

Socorro


Você riu
Riu do que deixou pra trás
Dessa ferida aberta, você riu.

Nada justifica a alma
Nada justifica a calma...

Por que nasceu?
Por que se foi?
E o meu porquê, onde é que está?

O meu sentido ficou pra trás,
Abandonado no fim dos meus temores...

E onde está você agora?
Cada detalhe está guardado
O seu rosto, o seu gosto
Minha chave
Minha chave para o céu.

Foto