10 de maio de 2011

Retrocesso


Afinal de contas
não posso querer nada
além do que me é dado
e mais, provado.

Pode-se pensar
que o impossível é possível
mas não nesse caso.

E hoje, ah, hoje eu te vi...
e constatei que tudo está igual,
inquietamente igual

Desesperadamente igual...

Você nunca precisará disso
que um dia quis te dar...
sua pele nunca vai pedir meu toque,
seu sal nunca será sentido.

E não adianta,
seu sorriso está longe de meu alcance
as cruzes estão longe demais para mim,
e eu me deixo cair exausta,
deixando que as rodas me levem para longe.

Porque de você,
ah, de você não preciso de mais nada.

Fui ali, e não volto.

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4 de maio de 2011

Ingênua Calma .


Vai menino, que tua vida é bela
que teu olhar tem flores negras
que esperam pela noite.

Vai, menino
cuide de teu sorriso,
de sua postura...

A vida foi injusta contigo, talvez...
Mas anda, menino
continua com tua violência interior...

Chama um nome,
alguém que não te pertence
e faça tua, alguma alma infeliz.

Vai, menino, que o mundo é teu
suas mãos tem poder de posse...
Deseja, menino,
exerce sempre tua insensatez.

Teu destino é solidão,
é ação...
Beleza e força,
menino...

Tomba tua cabeça
onde tens esperança...
Pra sempre estrela
no céu de um mundo frio.

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2 de maio de 2011

Poeira na janela


Hoje pensei em você
bateu a saudade de nossas conversas
tão vazias
e tão completas...

Hoje eu quis te ver de novo
só para saber como você está
o que o tempo fez com seu rosto
o que a música fez com suas mãos...

Hoje eu olhei para sua casa
e como sempre tentei imaginar
onde você estaria...

E pedi mais uma vez
um sinal pra ter alguma certeza.

Estranho como precisei tanto de certezas.

Mas eu olho pela janela e vejo
como existem tantas outras coisas
outras pessoas
eu não sei se preciso de você
como achava antes.

Só queria ter tido um dia
o direito de sonhar
com você.

Mas não,
eu vou andando sempre
rumo ao fim da música...
ou quem sabe ao começo.

1 de maio de 2011

esse blog é que te lê.


"hoje acordei num universo paralelo
minha cama dormiu em mim
meus sapatos me calçaram
o café me tomou
o portão me abriu
os livros me leram
eu dei aula no quadro negro
e julguei a professora...

a janela olhou pra fora de mim.
na praça lá fora,
pombos davam alimentos a velhos
o ar voava nos pássaros
o fios corriam na energia
o orelhão atendeu alguém...

a roupa me esquentou
meu pensamento me pensou
a janela me fechou.

as baratas matavam pessoas
o teclado digitava nos dedos.

o sonho me sonhou
e eu meu nome se chama eu.

amanhã quando eu acordar
talvez conheça alguma outra dimensão..."

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