21 de dezembro de 2011

Para o teu sorriso


Vamos brindar por uma nova fase
Pelo teu sorriso...
Esse é um presente pelo teu "novo futuro"
Espero muito dos teus atos, no palco ou na vida.

Nenhuma entrelinha abaixo nos proíbe
Desse céu que você me mostrou,
Que sempre esteve lá, mas que nunca enxerguei.

Que tudo dê certo, mais que merecido
Que muitos aplausos satisfeitos completem
O homem que você aos poucos se torna.

Que todo enredo você leve também ao cotidiano
Que todo o sorriso lhe seja correspondido
Pois se não há sorriso agora, é porque este é o segredo
Que será revelado, algum dia desses.

Segurança é tudo em você.
Não desista de nada.

Fim

Querido passado,

Não sei se o superei, não sei se quero superá-lo.
Não sei se isso é obra de alguém que quer mais do que pode ter, lembra mais que qualquer um de momentos mortos na memória. Sinto tanto por pensar na mesma coisa todos os dias, a sina que carrego...
Sinto por esboçar essas linhas por algo já nascido morto e que nem merece minha preocupação, ao invés de esboçá-las por algo muito mais concreto.
Não posso dizer-me que não mando em meus sentimentos, que não posso controlar esse instinto, porque sei que posso, e é por minha chama febril e doentia que vivo sempre a esperar, vivendo com outras pessoas, mas sempre voltando ao mesmo ponto. Tudo é fugaz, menos a tola tragédia que construo, dia a dia, acreditando em algo irreal.
Não sei se vai passar... Pode ser que isso jamais aconteça, mas sei, no fundo de minha teimosia que nada nunca será dito.

"O vi de longe, distraído... E percebi que meu tempo pensando nele - insistente pensador - não foi perdido. Não foi insignificante... Tem um sentido em minha história que ainda não assimilei, não encontrei, mas sei que existe, forte e intocado."

Porém irrealizável, talvez nem eu mesma queira isso.

9 de dezembro de 2011

Alimento da alma

O amor repara as chagas do coração e da mente.
Em forma de pai e mãe, cura o machucado, cura o medo do escuro.
O amor não se importa. Suporta!
Retém toda a mágoa para decifrá-la por inteiro, até mesmo sem pedir desculpas... É que o amor por si, anda e desanda só para tornar-se mais forte.
Quebra e cola, 'Super Bonder divino'. Cola, e não forja o coração como uma espada, porque de tudo o que chega e passa, busca deixar marcas, cicatrizes... Pois o amor por inteiro não busca perfeição.
O amor é pilar que sustenta o dia-a-dia - máscara quebrada das telas de cinema - sustentando a realidade longe da vida lá fora, aquela construída abaixo de cada teto.
O amor não tem mania de riqueza, cheiro bom ou ruim, modos bonitos ou feios.
Se faz de cada palavra, que alegra ou que corta, de cada sorriso, irônico ou sincero. E acima de tudo da presença constante, do aprender a amar acima do bem ou do mal, do agradável ao martirizante. O amor é amor. Não se define.
Força, mistério divino, assim como a fé, que também é uma forma de amar.
Sentimento criptografado no ódio ou semente na paixão.

7 de dezembro de 2011

Poema esquecido


Estou caminhando,
Deixando pegadas na areia...
O que virá me é incerto
O que virá é agora remediado
Diante de nossos olhos
Nada misericordiosos

A cada momento a vida se esgota...
Mais e mais...
Minha casa que é de pedra
Não se rompe com o vento...

Minha casa é divida
entre carne e osso,
alma e opinião.



Agonia circense


Destes dias em diante, passo a andar
Pelo fio frágil de minha vida
Retomando pedaços do passado
Para remendar essa colcha de retalhos
Construída por fotos e essências
Que também pesam, como pedra...
Em cima da página de minha existência
Para que esta não voe, perdida em um mundo de gelo, irreal.
Minha linha não se acaba,
Nem se cansa de tentar desequilibrar-me.

Estradas


As rodas giram, rápidas.
Um desespero imaginário.

As mentes divagam,
Passeiam como os carros...

Caminhões, em sua carga:
Vidas pesadas.

Essas fitas correm, guiam
Pelas cidades fantasmas

Encontra-se repouso na solidão de quartos escuros,
Hotéis baratos.

Como você pode não ter medo?

25 de novembro de 2011

Não dá pra tocar, não dá pra não querer


Quero o seu abraço
As tuas notas que regem essa história
Eu quero toda rua que você passe
Eu quero seguir o teu olhar duvidoso
Mesmo que tudo pareça tão morto...

Você traduz as estrelas, mas não as leva para si
Você sorri, mas esquece de tudo
Antes mesmo de fechar os lábios.

Sempre estive por perto,
No farol da tua maré conturbada
Quero o seu abraço...
Enquanto mantenho meu eu sobrevivente,
Sedento de amor e fé.

Às vezes esqueço, mas todo dia
Algo me leva de volta a você
Como a família que ocupa os pensamentos,
Você: alguém que habita o coração, teu lar natimorto
Corro pra tudo, penso e falo... em você, você, você.
Roda giratória, moinho que completa seu ciclo,
Voltando, cansado, ao começo.

23 de novembro de 2011

Seja o que for, seja o que mais satisfaz


Em meu "quero ser mais", sou quem sou
Me espalho, atrapalho,
Ando, esqueço, esparramo.

Eu quero é mistério
Vida normal, vida igual
Monotonia singular
Escondida em fotos e fatos,
Palavras escritas e arrastadas

Eu quero é o mistério que sou
Usando máscaras
Sendo anjo ou demônio...
O que convém?
Eu sou mistério
Me escondo aqui.

Nada condiz com o que queremos ser
E se fôssemos, que graça teria?
Descobrir-se sempre mais,
Despindo as expressões teatrais,
Sem roteiro.

Ser levado
Voar, feito dente-de-leão.
Descobrir-se junto ao colo
Confissões e dúvidas...
Não há incerteza sem certeza.
Há alma que habita, outra que abriga.

22 de novembro de 2011

Terça-feira. Jaú, vinte e dois de novembro de dois mil e onze


Onde é que eu estou? A prova de química, o tempo chuvoso, a meia-luz...
Tem um moço deitado no chão, tem alguém rindo, alguém estudando. Alguém tão longe, alguém digitando.
Estou presa nas paredes da biblioteca-prisão, estou presa pela chuva lá fora. É mais fácil dizer pra sair e andar na chuva, mas ninguém nunca faz isso.
Estou presa em minha mente que tanto idealizou o jogo ali na calçada, o MB do boletim, o sorriso mais bonito, a beleza incompreensível.
Estou presa em meus dedos cansados, na ideia de satisfação, no limite de minha mente, na futilidade das cabeças por aí. Estou presa ao chão, nem quero criar asas. Não sou anjo. Não sou pássaro. Se quisesse ser, seria águia.
Acima da minha cabeça tem o Mapa-Mundi, parece mais nome de bicho-papão.
Oceania, Kiribati, América Central. América do Sul, Brasil, África. Oceano Índico, Indonésia, Peru. Líbia. Egito, Bolívia, Samoa. Polinésia Francesa, Mar Glacial Ártico, Equador. Sudão, Saudita, Argélia. Nigéria. Sri Lanka. Terra de Marie Byrd.
Tem tanto mapa lá fora, tantas milhas e números. Tem bandeira, navio, avião.
Tem coisa sem sentido, nem adianta negar.


21 de novembro de 2011

Nas cordas de um violão...


Eu gostava de escrever sobre você
Cada linha, cada palavra
Vibravam o teu nome

Me conformei com o que ninguém podia me dar
Baixei os olhos e te abandonei lá,
Cantando no antro dos meus dias tristes
Ou felizes?

Há tanta coisa dentro de mim, e não há nada...
Coisas que procuram remendar
Os pedaços dissolvidos da tua ausência

Eu gostava de escrever sobre você
Eu gostava de te ver
Fazendo o melhor de você mesmo...
Seus dedos exploravam as cordas do violão
Como alguém que anda pelas bifurcações de um sonho realizado

E quando eu escrevia sobre você,
Os segredos aqui dentro sorriam para mim
Algo que nem conhecia...

Conheci outros olhos,
Nunca esqueci dos teus...
Não esqueci de você, em seu aquário
Peixinho inseguro, buscando os mistérios do mar

É que hoje olhei pra tua foto, de novo
Estava lá, me cutucando há dias
Como a sua lembrança que me habita diariamente
E lembrei do teu abraço, como tanto falei: sem significado
E o teu rosto, que tanto desgastei em minha memória: olhando para o céu

São as lembranças ocas de um passado não tão distante
Querem te ter de volta...
Não preciso te prender,
Preciso apenas de um segundo pra te decifrar

Eu gostava quando escrevia sobre você...


18 de novembro de 2011

Violência


É uma força desconhecida
Enterrada em seu interior
Uma força contida,
Criptografada nas batidas do seu coração

Selvagens e inquietos
São os olhos do gato
Que no escuro, espreita os pensamentos

Os dentes prontos para rasgar
As presas fisgadas
Na profundidade de cada inocência,
Culpados por nunca saber...

Captura para um mundo fantasmagórico
Identidade solidão...
Fome controlada, quer dilacerar...


Pacto


E o sorriso, não esperado
Iluminou todo o resto
Qualquer dúvida ou medo
E nada mais restou...
Apenas o sorriso
E o olhos...

Não há nada no horizonte
Nada para querer
Apenas o êxtase
De uma face hipnótica,
Que esquece todos os pecados...
Sara as feridas
Como a estrela que leva ao melhor caminho.

14 de novembro de 2011

Sonhos mortos


A vida que não vivi
É o caminho que escolhi
Acreditando em propósitos irreais

O que eu não disse
O que eu não fiz
As coisas das quais eu não sorri

Os olhares que não dei
O perdão que não concedi
O abraço que contive
E o braço que cruzei

As pálpebras que fechei, preferindo não ver
É a mágoa que guardei
O segredo que não compartilhei
O peso aqui dentro que não me desvencilhei

As palavras que não pesei...
Ouvi dizer:
"somos culpados por todo o bem que não fizemos"

E o bem que não fizemos
É o mal que cometemos.

13 de novembro de 2011

Tão estranho, tão longe e tão perto


Quando tudo parece tão longe
É ao mesmo tempo alcançável, sim...
Por mais que pareça tão distante
A multidão está unida em um só lugar
Pequeno, grande, real...
Desse chão ninguém sai
Todo mundo entra e não escapa

Mas olha, tem um horizonte em sua janela
Uma cruz lá no altar
Um sorriso distraído
Um encontro, reencontro
A concretizar-se
E assim se pode ter certeza:
Eu vivo, morro, ando, falo
Te vejo e jamais deixarei de te encontrar
Quis te procurar,
Te achei, como já sabia, no destino - disfarçado de acaso
Te encontrei e não largo mais
Posso até esquecer
Mas sei que logo entenderei
O seu sorriso a sorrir pra aquilo que ama...
Vai sorrir pra mim.

12 de novembro de 2011

Punição Para a Inocência - Agatha Christie


Quem realmente importa? A justiça ou os inocentes?
Qual é o preço que a inocência paga por cada gota de sangue derramado ou pelos atos que levam ao momento final - escuro, isolado e embaçado pelo manto do mistério?
Qual é o preço a pagar pelo curso interrompido dos dias, carregados como as nuvens da tempestade?
A cruz mais pesada que a culpa ou a "auto-omissão".


Jacko Argyle morre na prisão após ser acusado da morte da mãe. Após dois anos, a paz da família Argyle é interrompida pelo desconhecido Arthur Calgary, confirmando o álibi do acusado. Poderia ser Jacko, então, mais vítima que assassino? Se não foi o pequeno mau-caráter quem cometeu o crime, então quem foi?

Vale muito a pena ler mais essa obra da 'Rainha do Crime' - título mais que merecido!

3 de novembro de 2011

Ressaca


Sem mais,
sem nada mais...
minha cabeça lateja
e cansei de te encher
pra esperar algo que ninguém pode dar
essa sou eu,
andando pelos átomos
e formas
e linhas inconstantes
indecisas em minha curta existência...
mas é tanta essência
que chega a doer
a cabeça dói
o corpo dói
o querer dói
e os passos continuam...

os livros incompreendidos esperam em minha mesa
esperam pela preguiça de tardes vazias
de anos que passam como o vento,
só levantam poeira
e não fazem diferença...
as noites que o travesseiro ampara
e os pensamentos fluem

as noites não param...

em minha cama é sempre noite.

Sincronicidade, Chamas ou Insônia

Ver
surpreender
dormir
ceder
dominar
sorrir
modificar
sentir
rebobinar
falar
gritar
expressar
gerar
enterrar
querer
tocar
... e é preciso?
ou tudo envolve apenas
sobrevivência?
imaginar
girar
revolucionar
escrever
lembrar
mexer
dançar
ler
abrir
fechar
levantar
excitar
voltar
... mas não partir
manter-se
um instante apenas
... compartilhar
na selva de sensações
dadas e recebidas
mas quase individuais



29 de outubro de 2011

Órbitas de Saturno


Me imaginei
Imaginei a nós
Vidas dançando na imensidão do espaço
Corpos movendo-se ao som do ritmo insistente
Sorrisos que se voltam às causas simples
Pessoas admiráveis
Ideias incompreensíveis
Ironias macabras
Horas absurdas
E segundos incomparáveis
Corpos boaindo pelos anéis de Saturno
Pensamentos em conserva dos anos vividos.
Somos em conserva.

28 de outubro de 2011

Sempre melhor assim...



... Pois então eu quero o pior pra mim!

Me leva pra casa? Me leva pra casa mais cedo? Eu tenho causas... Cuidado ao tentar descobri-las, você pode desistir e ir embora. Assim, vai embora mais cedo também.
Me leva pra casa mais cedo? Tô com sono, tô com fome. Não vou beber. Enfia essa podridão onde bem entende.
Deixa eu voltar, mas não corre muito, ainda sou muito nova pra morrer. Me olha, aí com esses olhos hipnóticos, e dessa vez não me convence a ficar.
Me deixa na porta de casa, mas não queira entrar.
Fica com esse chiclete de menta ao invés de um beijo, entra no seu carro e segue pela Infinita Highway! É um preço a se pagar pelo pecado original.
Não tenta me convencer, me ensina a dançar na noite vazia, mas não me ensine a segurar o copo.
Sorri... Vai, sorria o seu sorriso mais lindo e me deixa! Não me obrigue a ir atrás.
Você saberia que eu seguiria seus passos, e me perderia nessa estrada sem fim.
É que no fim, eu quero mesmo é voltar pra casa mais cedo, abrir a porta e acender a luz da sala, dormir e continuar meu lero-lero cotidiano, madrugar com o galo velho e andar no meu ônibus pelas ruas da cidade, em busca do verde que me segura. "O Mérito e o Monstro", morrendo comigo na mão...
Eu deixaria tudo pra correr atrás dos meus desejos, mas são os desejos mais fugazes também.
Deixa o moinho da minha vida continuar girando e se não quiser esperar, fique à vontade, vai conquistar outras almas, inclusive a tua.
Eu vou continuar.


24 de outubro de 2011

Devaneio


Vou sussurrar em seu coração
Te devorar com minhas divagações
Conceder a nossa misericórdia...

Vou divagar pelos cantos escuros
Conversar com o anjo de pedra
E devagar espalhar as palavras pela noite

Divagar devagar
Devagar divagar...

Retiro


Já não quero mais andar
Nem olhar, ouvir
Tocar...
Só quero me recolher em minha concha
Remendar as lembranças mortas
Uma a uma, devagar
Só vou fixar-me no silêncio
Descansar do que me mata, corrói, machuca
Só vou dormir até cansar
É meu casulo hibernante
Escondido em algum lugar da casa.

23 de outubro de 2011

Sublime


Eu sei que você está lá na lua
Que passa seu tempo me olhando dormir
Andar, falar, e falar de você...

Eu sei que você tem saudade de pisar na grama do meu jardim
Estudar álgebra
Organizar nosso armário bagunçado
Passar a tarde contando histórias
Fazendo sujeira no meu quintal
Ir embora à tardinha
E balançar na rede da varanda enquanto escuta suas músicas perdidas...

Eu sei que você tem saudade de andar sem destino,
Sem lembranças - mas só por cinco minutos
Os caminhos se bifurcam, as portas estão fechadas
E seus olhos não vêem mais pelas fechaduras
Por quê? Por quê? É que já é tarde

Volta pra casa e reconstrói esses abismos do mundo,
Dos mundos, das nuvens, da sua mente...
Volta pra olhar as estrelas que salpicam o céu
Volta pra reclamar a chuva e o sol
E declamar versinhos desentendidos,
Descontentes.

Foto

20 de outubro de 2011

Roda anti-horária


Vêm, vêm pro café que preparei para nós
como tal, como igual.
Vêm pra falar de nada mais que essa arte que te move
vêm pra fumar um cigarro
Deixa seu chapéu em cima da mesa
bate a porta pra eu ouvir tua chegada
vêm sorrir pra minha casa solitária
minhas telas sujas
minha cama bagunçada
meu pedaço de pedra mal lascado
minhas linhas tortas no caderno velho
e os poemas-não poemas jogados na lixeira
Vêm, pra pisar no chão de madeira
pra nossa vida...
Vêm pra cantar o que te incomoda
e rezar a letra descompassada
Vêm pra sentarmos nessa mesa
e deixar as vaias lá fora
recolher os tomates do chão
E que nossa fome nunca passe.

Corvo


Vivo aqui com rostos, gostos
restos, gastos
manias e encostos.

Vivo aqui em alerta,
farta
cansada...
as lembranças não cansam de serem invocadas!

Encontro aqui a pena do passado quase esquecido
e a pena do pássaro perdido que canta em minha janela...
ele cantou-me que já não existo em outros corações
pois suspiram e cantam em outras sacadas
dão de presente jóias e marfim.

E de mim não resta nada...
fico aqui rimando
cantando a agonia eterna
ouvindo o barulho dos meus ossos a bater.

O passarinho bica meu telhado
trouxe em seu bico um ramo seco
como a alma que um dia me habitou
pois estou morta por dentro e por fora
ouvindo apenas ao longe o bater de meu coração.

E é aqui nessa tumba interior
que se encontra a face da verdade
e se agarra na raiz dos meus tempos.

18 de outubro de 2011

Por A.M.M.


"Estou aprendendo a conviver com a tua ausência, com o teu cheiro apenas na minha memória e não mais em minhas roupas, em meus cabelos, em meu corpo... Estou aprendendo a viver com meu coração partido, quebrado. Já tentei colá-lo, remendá-lo, mas não consegui, pois uma parte dele está com você ainda...
Estou aprendendo a seguir em frente, ou pelo menos tentando, pois parece que a cada passo que eu dou para frente, volto dois para trás.
Estou aprendendo a conviver com a saudade, com a dor, com o arrependimento...
A cada dia que passa, as lembranças de você, de nós, estão ficando cada vez mais distantes, e não sei se fico feliz por estar te esquecendo, ou triste por não estar lembrando tanto de você..."


Escrito por Ana Mostaço

14 de outubro de 2011

O outro lado das memórias póstumas


Estou andando pela areia da praia nessa manhã vazia... Estou vendo o bater de asas no céu azul, ouvindo o choro do vento e o sussurrar do mar. Ele me chama para fazer parte dele, vagar pelos sete mares, ostentar seu azul nas ondas nervosas. Ele quer que eu o seja, e aceito o seu convite. Logo serei ponto de luz nas trevas ondulantes. É o alívio.

Talvez você nem saiba o quanto ainda vive dentro de mim. É algo infernal, cruel, quase doentio. Meu coração pulsa me trazendo vida, e o som de cada batida é seu jeito de gritar teu nome. Meu coração chora por você. Minha boca se fecha por você... Exílio das tagarelices do dia-a-dia, só possíveis ao seu lado.
Seu eu é meu eu, discreto e forte, que nunca desabita meu corpo, meus pensamentos. Você vicia, você não me abandona, mesmo a sua mão estando tão longe da minha. Quando fecho os olhos sinto sua presença. Quase posso te ver vindo ao meu encontro, como antes. Meu corpo inteiro chama por você.
Eu poderia estar de novo ao seu lado, rindo de nós mesmos, rindo de sua timidez, de seu rosto corado. Eu poderia estar te dando a mão, mexendo em seu cabelo, te apertando em sua indecisão, como adorava fazer, só pra deixar seu querer mais concreto. Eu poderia, eu queria ver teu rosto marcado, surrado, cansado, e fazê-lo contrair-se em risos sem sentido.
Queria te ouvir andando pela casa, e então dormir em paz, com a segurança da tua presença... Queria ainda, amparar esse teu abandono em que você se largava naquelas tardes vazias, e eu sei que apenas minha presença não lhe bastava. Não bastava nem a mim... Era a morte esse exílio torturante.
Queria poder me afastar de você novamente, só para reviver a beleza do reencontro, do olhar mais completo que você me deu, na última noite. Quero morrer de novo contigo, em febre alucinada, abandonar-me junto a ti. Queria estar com você quando seus olhos se fechassem. Queria ver teu corpo definhar como agora, ser o verme que te acaba.

Desculpe, Sr. Mar, preciso te deixar, prefiro continuar... Manter-me carne e osso, pois se não a mim, a quem dependerá a tarefa de eternizar o homem morto aqui e também longe da areia dessa praia?


13 de outubro de 2011

Olha, eu tou tentando...


É que eu tou tentando te decifrar
colabora, por favor
continua jogando esses pedacinhos do seu eu
pra eu montar nosso mosaico abstrato.

É que eu tou tentando te tomar
eu tou tentando te querer
eu tou tentando te machucar
pra que você corra pro meu colo
tentando sarar suas feridas.

Eu tou tentando te ler
te revirando do início ao fim
mas tá difícil essas palavras cegas
sem seus olhos pra deitar e se esconder.


12 de outubro de 2011

Eu sou, eu vou, eu tento, eu grito


Eu sou o vilão de minha história
Eu busco a satisfação
A infelicidade
Eu busco o objetivo de um mundo limitado.

Eu sou o vilão de minha história
Eu sou como Leniza Máier
E vago pela corrosão de meus sentidos
Que consome a carne ao mesmo tempo que a faz vibrar.

Dez da noite



- São dez da noite.
- Ora, e o que é que tem isso?
- Nada, só são dez da noite.
- É... É noite de sábado. E que sábado mais sem graça... Nem a prostituta tá lá na esquina. Não tem ninguém na praça.
- Ouvi dizer que a prostituta foi embora.
- Por quê? Parecia que amava mais esta esquina que sua própria vida...
- Sei não, mas tão dizendo por aí que fisgou um homem rico, que já tinha filhos. Olha só! Vaca!
- É o amor dele que tirou-a daquela esquina.
- Amor ou gula?
- Sei lá.
- Vou falar de coisa boa. Se é que não encontro nada agora - e ri.

- São dez da noite.
- Ora, e o que é que tem isso?
- Nada, só são dez da noite.
- É a noite da partida da prostituta.
- Noite triste, vazia. Noite bêbada nesse bar, amigo.
- A noite da despedida.
- E não é que a rua sente falta dela, a vaca?
- É, sente.
- Pois agora ela deve estar rindo e tomando seu champanhe, na cama do pai de família.
- Despudorados.
- Ainda não, só são dez da noite.


A farsa do bem-viver


Os olhos já não vêem
Estão ardendo
Viajam, perdidos por essa inútil condição ignorante
Piscam, insistentes...
Esperam por algo que já não sabem
Vomitam sob essa morbidez fatal e enjoativa.
Esses olhos aqui presentes que deixam as luzes
E procuram o preto e branco do cinema
A imagem antiga, salva da podridão sem fim
Procuram o amor filtrado, esquecido, mas também despudorado.
Porém, os olhos deixam de beijar as belas curvas...
Preferem fechar-se, retrair-se
Cansados, buscam o sono eterno,
O beijo da morte...
Talvez a cegueira seja a morte do pecador
E o nascer do observador sensitivo,
Tradutor dessas nossas almas perdidas.

4 de outubro de 2011

Despedida


Eu ainda te vejo por aí
E já não me importo!
Não quero mais lembrar do que nunca existiu
É que na verdade
Nunca houve porquê se torturar...

Minha vida encontrou-se com outros olhos,
Outro sorriso,
Que me levam a caminhos que nunca pude imaginar.

São momentos tão pequenos
Que valem por mil...
Mas que jamais valerão os gastos com você.

Mas devo respirar,
E resgatar-me do fundo desse lago negro
Saber que tudo passou...
E não carregar mais dúvidas.

Talvez um dia as coisas me venham
Assim de repente, e saberei por onde começar...
Estou me retirando.

Então eu digo:
Até um dia,
Até algum momento perdido por aí...

Nada é à toa!
Eu voei ao meu encontro."

3 de outubro de 2011

Eu sei, e isso basta


Desdobra meu querer, baby
Vêm pro meu colo
Molda meus carinhos,
Minhas ações,
Meus traços ríspidos,
Meu jeito arisco
Que além de arisco é arriscado.

Volta desse passado vago
Faz o presente forte,
Como o gosto do meu sangue.
Porque eu sei, baby...

Eu sei que nós dois somos muito mais
Que eu e você...
Somos unha e carne, baby
Vida e retina.


Foto

26 de setembro de 2011

Lapsos de uma mente sã




Me desarrume. Tire o rímel, o lápis, a base, o pó, o blush, o esmalte.
Só preciso de alguém pra me desarrumar. Desencorajar. Redecorar.
Estou sentada, sem tempo, sem rumo, sem nada de melhor.
Olho pras minhas unhas azuis, cortadas na carne, com fome de rasgar, torturar, prender, beliscar. O anelzinho dourado que ostenta "forza amore equilibrio" se agarrou sobre meu dedo e sussura coisas que nem sei o significado.
Penso no chão. Nos chãos do mundo, por onde andam tantas almas sem destino, sem sorriso.
Andam olhos selvagens e dedos magros, sedentos de sangue e paixão.
Capto rumores de um mundo perdido em meio à vida que deixei pra trás hoje, ao sair de casa.
Quando voltar, quase ao escurecer, não serei a mesma. Nunca sou.
Sempre que respiro, e a cada piscar de olhos sou a meia-de-mim-mesma, e a meia-da-meia-de-mim-mesma, e assim vai... Até os segundos me moldarem, sujos e cruéis. Quase pervertidos. Me desarrume.

24 de setembro de 2011

Sonho


A tempestade chama
Carrega pedaços de almas,
De descobertas,
De outras mentes...

E acima de tudo carrega
O mundo em si -
Belo e calmo,
Misterioso e indecifrável.

O chamado para uma lembrança...
Relicário que guarda sorrisos.

A água canta ali por perto
E os pés descalços
Correm na grama.

O vento frio
Conduz a sensação de liberdade
E os pés quase não tocam mais o chão.

As nuvens susurram a irrealidade
De um momento intocado
Na teia da memória.


Foto


Será?


Será que os poetas vão pro céu?
E sorriam para as portas do paraíso?
Comem do fruto do pecado,
São castigados pelas horas insanas?
Recebem a coroa de honra
Da prova de todo o amor...
Amor ao nada?


Foto

18 de setembro de 2011

A lembrança de um sorriso


Nem te conheço direito...
Não sei ao certo quem é você
O menino, o moço, o homem da camisa vermelha,
Do sorriso alegre - que raridade...

Quem sou eu para construir essas pequenas linhas
Se mal sei o que se passa em sua cabeça?
Se em suas opções, escolhe se guardar perante essas mágoas
Que secretamente lhe corróem - eu sei!

Decidi que escreveria sobre você
Porquê aquele sorriso perdido
Me completou de alguma forma inquietante
Adormeceu dentro de mim...
Mas agora, está despertando, aos poucos...

Espero que no dia em que eu conhecer esse seu lado,
Você também entenda essas palavras.

16 de setembro de 2011

Fumaça


As coisas passadas,
Frustradas
Anuladas
Sanadas...

Esquecidas
Jogadas
Distraídas...
Desfalecidas.

Tais coisas que passam...
E somente passam.

Apesar do choro
Das faces em fogo
Das ironias...

Passam!

Essas coisas que riem
De nós
Enquanto dançam
Em órbitas douradas.

Foto

8 de setembro de 2011

Ímpeto


Penetro nesse seu mundo quase inacessível.
Não sorrio... Apenas sinto.
Te prendo comigo até o fim, esperando expremer esse teu querer até a última gota.
Mergulho em seus olhos, transmitindo-lhe meus segredos mais intensos... Só o melhor de mim mesma... O intrigante... O mistério.

Foto

5 de setembro de 2011

A espera



Você sempre esteve lá
Você sabe que menti
Você pode me ver
Além do que é dito...

A chuva castiga o chão
Ponteiros moldam a mente

O vento une as folhas
Sem a influência desses passos incertos...

Deixe que a estrada
Se prolongue solitária.

Foto

3 de setembro de 2011

Febre


Tem algo dentro de mim
Que pulsa, vibra
Sorri e espera...

Tem alguém em meu coração
Que anseia por algo novo
Sem saber do que se trata
Apenas vive...

E quando o mistério se despir
Da camada embaçada,
Minha pele tomará para si...

Posse incontrolada
Perfeito frenesi.

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1 de setembro de 2011

Perder-se


Ela está brincando sozinha
Em tardes vazias
Olhando pro teto e sonhando
Com o que pode encontrar.

Na dança macabra do tempo
Nas montanhas obscuras da noite
No abismo incessante da mente
No olho do furacão...

Quando o vento chegar
Quando o frio nascer dentro da gente
Quando a faísca acender
E a malícia surgir...

Nos passos de certa bailarina
Vê-se a pressa em viver...

E a estrela lá em cima
Pouco a pouco
Recebe mais vida.

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29 de agosto de 2011

Omissão


Pra ser sincera,
Esse outro alguém
Dentro da gente
Algo que ninguém vê,
Ninguém suspeita...
Nos impede de muita coisa.

Libertemo-nos...
Com toda sutileza
E com todo desespero.

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27 de agosto de 2011

"O que se perde enquanto os olhos piscam"

Nesse instante, eu deveria escrever sobre o que sinto. Mais precisamente o que estou sentindo, por que isso tudo é fugaz. Uma hora passa, e nem demora muito.
Eu devia ter palavras pra definir essa coisa estranha, a sensação de que assim, do nada, como um vento que sopra, tudo passou.
Passou e agora me parece que o que tinha importância para mim evaporou-se, e o que eu nem queria pensar tornou-se importante.
Inverteram-se os papéis.

Acho que estou de luto.
Estou de luto pelo que poderia ter feito, e não fiz. Não quis. Não pude. Não, é claro que pude. Eu poderia ter feito, mas não tive coragem, não permiti que aquela semente dentro de mim crescesse. Fui atrás do trivial. Somente do trivial. E agora, nesse momento perdido eu quero sair dessa casca que cresceu sobre mim, resgatar aquele meu pedacinho de alma de... Quanto tempo atrás? Um ano?
Mudei, e ignorei tudo... Não me importei. Me orgulhei da estupidez.

Você afastou-se de mim, perdeu-se nas antigas palavras, e foi em busca do que te esperava. Sorte sua.

Arrependimento. Essa é a palavra.


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Nome emprestado dessa música do Teatro Mágico.

Dança da morte


Estamos sangrando
Enganados
Dominados pela simples
Condição humana
Impura e pervertida...

Estamos secando
Morrendo freneticamente
Labaredas impiedosas
Da dança da morte...

E agonizante
Uma estrela passa
Queimando as trevas
Esperança em luz...

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17 de agosto de 2011

Relapso, ou Ciranda, ou Maresia


Alegro meu espírito
Respiro um novo ar
E em alegria me converto
Ao mais puro ser
Ereta, direta, metodicamente.

Simplesmente sorrio
No silêncio noturno
Enquanto os olhos sussurram
"Viver
Viver - apesar de tudo."

Um sorriso de criança
Aliviou-me a alma
Deu vida nova à carne
Nessa febre de existir.

Da voz da inocência
Trago lembranças do mar
Dos peixes que sonham
De nada,
Nadar.

24 de julho de 2011

Ao tecer dos dias


Eu quero ver através dos teus olhos
Preciso traduzir a tua alma
Eu quero ser a cura
Pros teus dias solitários.

Eu quero te dar a mão.

Eu quero sentir o aroma
Desse único instante
Que estarei em seus sonhos.

Quero encontrar seus passos lá no fim
E limpar seus sapatos
Sujos de terra e discórdia.

E um dia eu quero sentir o sal
De tudo o que foi vivido
Nessas lágrimas que caem.

Eu quero apenas te abraçar
Pensar em tudo que já passou
E lembrar
Nem que seja por um instante
Que tudo é construído
Fio a fio
Nessa teia da vida,
Nessa teia de passos...

Do berço ao pó.

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17 de julho de 2011

Um breve momento, numa cabana abandonada.

Não muito se espera da vida de um homem encoberto pela tristeza e solidão que traz a morte de um filho.
Mackenzie Allen Phillips, mais conhecido como Mack, perdeu sua pequena e inocente Missy em uma viagem à lazer, quando a filha foi sequestrada por um homem frio e psicopata, matador de meninas.
Mais tarde, evidências da morte de Missy foram encontradas numa velha cabana abandonada.
Desde então, a Grande Tristeza tomou conta da vida de Mack e de sua família.
Porém, quatro anos após a tragédia, um estranho bilhete - aparentemente escrito por Deus-, convida Mack para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.Apesar de desconfiado, Mack aceita o convite e volta ao cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda seu destino para sempre.
Em um mundo triste e cruel, levanta-se um questionamento muito comum: "se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar nosso sofrimento?"

É impossível ler A Cabana sem querer compartilhar esse grande livro com o maior número de pessoas possível. Nessa história, William P. Young aborda os questionamentos sobre Deus e religião de uma forma incrivelmente clara e sutil.
O livro nos mostra Deus, ou a Santíssima Trindade, como nunca aprendemos: não como um ser superior disposto a apenas julgar e castigar os homens, mas sim como o Criador, no seu jeito mais simples de ser; aquele Deus não somente presente na Igreja, mas sim o que se iguala aos seus filhos e os ama incondicionalmente, vivendo em cada um de nós. Deus é humano em Jesus, e força no Espírito Santo.
A individualidade e nosso falso discernimento do bom e do ruim nos afasta de nosso importante e vital - mas excluído -, verdadeiro relacionamento com Deus.
Um livro que toca profundamente e redireciona ao verdadeiro sentido do amor de Deus, que está lá, para quem quizer ver.

Ps:. Agradeço à minha amiga Isabele por me emprestar esse livro com tanta alegria, rs. :)

15 de julho de 2011

Na toca


Na qualidade de espectador
Viro, reviro
Vejo, revejo
Tantos pensamentos frágeis
Que remendam os trechos
Dessa vida sem fim.

Os carros deslizam pela estrada
Fugindo da solidão
E na pressa de satisfação
Retornam pra casa
Em uma falsa sensação de plenitude.

Esses olhos que vêem quase tudo
E captam os movimentos noturnos
Por sentir de mais
E por querer de mais
São os mais afastados.

Pois o medo que engole a mente
Corrói cada pedaço do seu ser
Tira o chão
Tira a dor
E substitui aquela
Simples (e por mais contraditória)
Complexa qualidade de observador.

Espectador...
Narrador-observador.



11 de julho de 2011

Intervenção


As janelas se fecham na noite
Uma dança abstrata
É desenhada no escuro.

Os olhos mostram
O que não querem ver
Nesse quebra-cabeça irreal
Do nosso mundo.

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25 de junho de 2011

Declínio


O tempo passa
Os olhos gravam
Rostos inalterados
Contemplando o alto.

Rostos que são estrelas
Nesse céu chuvoso
Estrelas ofuscadas
Pelo sol da escuridão.

Olhos que choram a noite
Mergulhados num mar de esquecimento...

Som de passos estão vivos
Na memória dos túmulos
Na memória da terra...

Desse sol que ostenta
As vítimas do tempo.


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17 de junho de 2011

Poema sem amor


Ela tem um coração que não é de pedra
Dança conduzida pelo olhar do mais bonito...
Fios transparente estão a seguindo
E ela sorri sempre,
Linda, intocada.

Seu amor imóvel não se altera
No instante mais crítico
Nem no olho do furacão...

Seu sorriso imóvel
Sorri das lágrimas de quem a guia.

Cadê você, menina?
Olha pra mim.
Não quero esses seus olhos castanhos
Que olham o nada.

A sua melodia quase inalterada
Como o meu amor
Nesse ritmo que carrego em meus dedos.

Sua silhueta imortal
É a silhueta dessa paixão impossível.

Seu silêncio me machuca,
Mas ah,
Eu quero o seu silêncio.

Meu dedos já sangram, menina
Vou te deixar só
Um segundo apenas...
Pra encontrar uma fada
Vou te dar um coração
Trançar o vermelho em sua maior profundeza
Correr meu amor por suas veias.

Já volto, menina
Ou quem sabe,
Não volto não...

Afinal, como pode nessa dança
Um homem se apaixonar por um pedaço de madeira?

E ela sorri para ele.

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