9 de setembro de 2010

Como um ciclo, Parte II - Derreter-se

Estava ali sentada, pronta para tudo. Fazia também, parte da calçada.Um sorriso foi brotando mansamente em seus lábios. Estava acima do bem e do mal.
"Deixe-a te enlouquecer. Seus olhos irão penetrar em sua mente, mudá-lo por inteiro; não porque queira, mas porque precisa.
Ela o invadirá, com seu veneno benéfico."
Na calçada, o calor aumentava cada vez mais. Um topor tomou conta de seu corpo. Estava dormente.
Ela podia ver tudo o que quisesse, até então aprisionado na penumbra de sua mente.
Ela via a lama fétida da qual, como cada um, também pertencia. Via seu corpo inativo, afastado de qualquer interferência.
Então pode ver ela própria, a garota quente a escorrer. A derreter.
Os pensamentos vazavam de sua mente, escorrendo por seu corpo. O coração mole a pulsar lentamente, preguiçoso.
As lembranças intermináveis escorriam pelo seu rosto. O medo, gelado, vazava como lágrimas.
O amor lhe escapa pelas mãos.
Seus lindos cabelos negros, fia a fio, tornavam-se líquidos. Seus olhos mergulharam numa escuridão profunda. De nada dolorido, somente confortador.
O vento soprou, gélido sobre a calçada; sobre o que um dia, fora uma garota. Fora medo, fora risos, fora ódio, orgulho, nojo, alegria.

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3 comentários:

  1. muito lindo se inspirou mesmo em amiga! parabéns
    bjos karina!

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  2. obrigada karina! estou muito feliz por você ter vindo ler meu blog! te adoro! :*

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  3. Nossa Gláucia! vc que escreveu?!
    parábens, amo pessoas que pensam, vc tem talento !

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