15 de agosto de 2010

Esvair-se

Ela corre. Corre de algo que nem mesmo tem conhecimento. Corre de tudo, corre de todos.
Devora tudo por onde passa: um amor, uma lágrima, uma casa, qualquer pedaço de concreto. Devora o mármore, a tinta, os tijolos, os pensamentos.
Devora, lentamente o papel, uma carta, uma lembrança.
Talvez esteja sentada em um lugar qualquer: em uma mesa de restaurante, a fumar um cigarro. Talvez em um jardim, a esmagar a grama entre os dedos frios. Ou ainda, à beira de um abismo, a caçoar da escuridão. Ignora seu olhar, pois é ainda mais forte que o medo da queda. É infinita.
Está presente em todo lugar, em toda fala, em todo passo. Penetra em qualquer mente, em qualquer espaço. Penetra na pele, a todo momento, e a definha... aos poucos.

Aliás, seu passatempo favorito: definhar.
Tudo definha, em um processo talvez... evolutivo?
Não há como escapar. Não há para onde correr. Talvez seja responsável pelo andar do universo.
Tudo passa, na lentidão das Horas.

Um comentário:

  1. oi glaucia! td bom?
    gostei muito do seu blog!
    não li todos os textos ainda, mas assim que tiver mais tempo, passo aqui para ler mais..
    me desculpe a demora pra te responder, é que tá corrido por aqui, rs
    obrigado pelo carinho e pelos elogios.
    lindo texto!
    grande abraço.

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