14 de dezembro de 2010

Inevitável


Não me venha assim do nada.
Não morda minha isca.
Não se submeta às minhas palavras...

Porque no fim você irá embora
E eu ficarei aqui
Relembrando cada segundo oco
do passado.

13 de dezembro de 2010

Desses sentimentos óbvios e nada singulares.


Eu vejo você
Dançando no palco da nossa vida...

As lembranças giram sem parar
E quando fecho os olhos
Posso sentir a tua presença.

Eu posso ver seu caminhar tão incerto
Seu olhar
Repleto de sonhos.

Posso ouvir a tua voz
Que me chama de volta ao passado.

Seu nome surge de repente
Carrega lembranças
Irreparáveis...

Não busco mais abrigo
Nesse futuro incerto
Que não promete nada mais que esquecimento.

Submetidos a esse abismo
Que cresce sempre rumo ao desconhecido.

Eu estou aqui
Ainda sinto o gelo
E o fel...

Há tantos pontos no céu
Você será eternamente responsável
Por mim.

Você, que nunca morrerá
No meu coração.

15 de outubro de 2010

Frenesi


Não sei o que eu fazia andando naquele corredor... o horário das aulas já estava encerrado. Os cadernos pesavam em meus braços. Queria ir embora. "Não vá", dizia uma vozinha em minha cabeça. Seria a voz de minha consciência?
Vindo do corredor à minha esquerda, uma melodia inquietante chegou aos meus ouvidos e me arrepiou até a espinha. Euforia.
Mas que diabos seria isso? Na escola não havia viva alma! A única presença era da diretora, enfurnada em sua sala a dezenas de metros dali. Inesperadamente, uma lágrima rolou em minha face.
Diante da melodia, não tive escolha. Era como se alguém me pegasse pela mão e me guiasse em direção à música. No fim do corredor havia uma porta entreaberta. Não uma porta comum: era feita de madeira muito antiga, talhada com motivos campestres.
A cada passo minha euforia aumentava. A música estava ficando muito alta, as lágrimas rolando incessantes.
A três passos da porta vi que ela estava coberta de poeira. Era dominada por teias de aranha. Eu já soluçava quando dei mais dois passos e escancarei a porta misteriosa.
Me sentia dentro de um livro. A sala estava escura, iluminada apenas por raios de sol que entravam pela janela. O som alto não poupava meus ouvidos. Eu quase podia pular de tanta euforia.
Não entrei na sala, fiquei parada na soleira da porta. Vi minha imagem refletida num espelho de moldura dourada. Os cabelos louro-escuro presos a um rabo-de-cavalo, a camisa xadrez aberta mostrando o uniforme do colégio; os jeans claros, compridos, cobrindo um pouco a parte de cima do All Star preto e surrado. Acima de tudo vi meu rosto borrado pelas lágrimas.
Vindo de minha direita, uma nota afinada da melodia chegou-me aos ouvidos, forçando-me a virar a cabeça naquela direção.
Como eu não tinha reparado naquele homem, sentado ao piano? Era ele quem provacava-me com sua inquietante melodia, agora um pouco triste. Seus cabelos negros cobriam-lhe o rosto, me deixando apenas ver seus lábios finos e muito vermelhos.
A melodia chegara a seu ápce, exigindo enorme concentração do músico. Se prolongou por alguns instantes e foi encerrada.
Minhas lágrimas cessaram junto com a música, me deixando com uma dureza nunca sentida... como seu eu tivesse a certeza de que já o esperava... como se eu estivesse zangada com ele.
Meus lábios se abriram para dizer uma frase que não fora formulada por mim, somente foi libertada por minha língua desobediente:
- Está atrasado, Derek.
Seus lábios se abriram em um leve sorriso. O cabelo foi jogado para trás e pude ver um de seus olhos negros a me fitar. Seu olhar me trazia ainda mais arrepios.
Seus dedos corriam nas teclas do piano, a melodia recomeçou, calma e baixa.
Sentindo seu retorno, mais uma lágrima rolou, incontida. A euforia voltou.
Derek provocou uma nota muito aguda. Me fitou sorrindo atrevidamente com os olhos antes de dizer:
- Frenesi.

13 de outubro de 2010

Da calma


Tanto frio lá fora, tantas coisas perdidas. Tantas rachaduras, tantos tetos dispostos a desmoronar. Mas eu estou aqui, na calmaria inquebrável do meu eterno silêncio. "Será o silêncio como uma febre?"
Tudo em mim observa o abismo dos tempos, feito de luz e sombra, de melodias e silêncios. São ingredientes que giram como em um caldeirão, que prepara veneno...
O vento entra pela porta aberta... carrega algo negro.

20 de setembro de 2010

Constante

Quando tudo já caminha livremente ao acaso... no que você está se tranformando?
Quando os dias ficam vagos, e as horas secas correm e correm... no que você está se tranformando?
Quando os sonhos e sonhos do passado agora não existem.
Sua voz é calada pela melodia insistente dos tempos.
Você caminha rumo ao nada... seu lar é circunferência que gira, e gira, e gira...
Sísifo vem lhe fazer confidências.
E as migalhas não querem se reconstituir.


*Sísifo encarnava na mitologia grega a astúcia e a rebeldia do homem frente aos desígnios divinos. Sua audácia, no entanto, motivou exemplar castigo final de Zeus, que o condenou a empurrar eternamente, ladeira acima, uma pedra que rolava de novo ao atingir o topo de uma colina.

12 de setembro de 2010

Um refúgio, uma lembrança

A paisagem exalava uma paz nunca sentida, imensa. A alegria se expressava nos lábios de cada um de nós, inabalável.
Deixamos para trás tudo o que nos preocupava. Tudo ficou no chão de madeira, nas tantas lágrimas caídas naquele chão tão pressionado, que abrigou tantas e tantas mágoas, tantos gritos e temores.
As árvores tão calmas lembravam a paz infindável trazida para nós, a troco de nada. Descobrimos maravilhas, ouvimos o mundo. Tudo de mal já passou, enxergamos novos horizontes.
Tantas pessoas reunidas por um só querer. Amo tudo intensamente. Conheci tudo como em um sonho, redescobri verdades esquecidas.
Aquele momento se eternizou em minha memória. Talvez o mais especial de tudo o que já vivi. Tudo tão confortador.
Foi meu único refúgio. O único lugar de mentes tão iguais... inseguras, com seus demônios a vencer... e vencidos!
O que eu não daria para voltar àquele momento!
Na reta final, o melhor caminho descoberto.
Posso ver todos novamente, parados no tempo, como em transe. Eu os aprisionei comigo para todo o sempre.
Mas tudo perdido, nas profundezas da memória. Irrecuperável.
(Lembranças do PHN)


Como um ciclo, Parte III - Evaporar


O vento começou a soprar impaciente.
As pessoas apressadas, surgem pela rua. Todos voltando para casa: horário de pico.
Uma criança puxada pela mãe atolou o pé numa poça grudenta na calçada. De nada sabiam.
As nuvens, impacientes, se agrupavam cada vez mais. O céu estava negro.
A tempestade caía rápida, pesada. Lavava o ar sufocante de fim de tarde.
A chuva perdurou, inabalável por horas e horas.
De manhã o sol retornava à sua rotina. Na calçada só restava a mancha do que fora o resto da garota. Evaporara.
Ela cairia, evaporaria. Inatingível retornaria.
Era um ciclo, era uma lenda.

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9 de setembro de 2010

Como um ciclo, Parte II - Derreter-se

Estava ali sentada, pronta para tudo. Fazia também, parte da calçada.Um sorriso foi brotando mansamente em seus lábios. Estava acima do bem e do mal.
"Deixe-a te enlouquecer. Seus olhos irão penetrar em sua mente, mudá-lo por inteiro; não porque queira, mas porque precisa.
Ela o invadirá, com seu veneno benéfico."
Na calçada, o calor aumentava cada vez mais. Um topor tomou conta de seu corpo. Estava dormente.
Ela podia ver tudo o que quisesse, até então aprisionado na penumbra de sua mente.
Ela via a lama fétida da qual, como cada um, também pertencia. Via seu corpo inativo, afastado de qualquer interferência.
Então pode ver ela própria, a garota quente a escorrer. A derreter.
Os pensamentos vazavam de sua mente, escorrendo por seu corpo. O coração mole a pulsar lentamente, preguiçoso.
As lembranças intermináveis escorriam pelo seu rosto. O medo, gelado, vazava como lágrimas.
O amor lhe escapa pelas mãos.
Seus lindos cabelos negros, fia a fio, tornavam-se líquidos. Seus olhos mergulharam numa escuridão profunda. De nada dolorido, somente confortador.
O vento soprou, gélido sobre a calçada; sobre o que um dia, fora uma garota. Fora medo, fora risos, fora ódio, orgulho, nojo, alegria.

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3 de setembro de 2010

Como um ciclo, Parte I - De Repente

O sol estava a pino, o cheiro de terra seca era impregnante.
Seus pés descalços ardiam nas pedras ferventes da calçada. A rua estava deserta, tudo refletia o briho constante do sol.
A garota cessou
sua longa caminhada sentando-se em qualquer ponto da calçada. Colocou a cabeça entre os joelhos, pensando em toda sua trajetória. Apenas uma palvra se eternizara em sua mente.
Inclinou sua cabeça para trás, sentindo a brisa quente acariciar seus longos cabelos negros. Vislumbrou o céu, onde as nuvens cumpriam sua constante dança: choveria.
Então, como que em um choque, todas as lembranças daquele dia vieram à sua mente. Lembranças, tanto boas quanto ruins, não são muito bem aceitas se voltarem tão de repente. Mas aquelas lembranças não eram boas. A feriam, como navalha na carne. Sua cabeça queria explodir.
As lágrimas vieram sem esforços, com o gosto amargo da decepção.
Mas não só essas lembranças a fizeram estar ali, como que parada no tempo. Não. Tudo a levara até aquele ponto. Sentia que tudo já vivido unia-se em um só momento, em um só sentimento. Estar ali seria obra do destino? Talvez.
Nada a fazia diferente, mas algo acontecia. Talvez teria subido mais um degrau em questões de compreensão. Difícil de pensar. Mas sentia ainda, algo mais... não um vazio, nem mesmo a satisfação. Era como se todos os sentimentos, todas as lembranças, todos os temores de hoje e ontem de toda a humanidade estivessem dentro de seu coração. Era como se todas as mentes se concentrassem naquela mente frágil, ali sentada naquela calçada quente, para acabar com tudo; dar um novo passo, rumo ao futuro, rumo ao infinito.

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Caminhos


Menina,

um adeus
um momento
um abraço
Um olhar.

Lágrimas amargas guardam segredos
conversa, sorrisos, contatos
Uma vida
há tanto tempo compartilhada.

Menina,
quando o tempo tomar meu rosto
como um líder toma sua causa
nada saberei de ti.

Menina,toma teu amor
aceita-o como a um filho
Enfrenta a dor que lhe corrói
com a rotina das horas
Enfrenta o mundo
enfrenta a massa.

E quem sabe Menina,
sobreviveremos em meio ao caos,
em meio às flores banhadas em lágrimas.

Sobreviveremos,
Eterna Menina.

27/07/10

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24 de agosto de 2010

Olhares



Olhares precisam ser vividos; absorvidos pouco a pouco.

Casam-se com incertezas e emoções; com toques.
Olhares são lembranças, são por si qualquer pensamento.
Um olhar casa-se com a alma. É eterno, em cada ser.


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16 de agosto de 2010

Felicidade

A felicidade não existe em si: única.
Qualquer pessoa é feliz.
A felicidade é um estado de espírito.
Você pode ter o que quizer, mas nunca estará permanentemente repleto de felicidade.
A felicidade é existir.
Talvez o grande "propósito" esteja acima de qualquer felicidade ou tristeza.

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15 de agosto de 2010

Esvair-se

Ela corre. Corre de algo que nem mesmo tem conhecimento. Corre de tudo, corre de todos.
Devora tudo por onde passa: um amor, uma lágrima, uma casa, qualquer pedaço de concreto. Devora o mármore, a tinta, os tijolos, os pensamentos.
Devora, lentamente o papel, uma carta, uma lembrança.
Talvez esteja sentada em um lugar qualquer: em uma mesa de restaurante, a fumar um cigarro. Talvez em um jardim, a esmagar a grama entre os dedos frios. Ou ainda, à beira de um abismo, a caçoar da escuridão. Ignora seu olhar, pois é ainda mais forte que o medo da queda. É infinita.
Está presente em todo lugar, em toda fala, em todo passo. Penetra em qualquer mente, em qualquer espaço. Penetra na pele, a todo momento, e a definha... aos poucos.

Aliás, seu passatempo favorito: definhar.
Tudo definha, em um processo talvez... evolutivo?
Não há como escapar. Não há para onde correr. Talvez seja responsável pelo andar do universo.
Tudo passa, na lentidão das Horas.

13 de agosto de 2010

Agonia

Não sei como dizer
nunca soube me expressar
Pra quê tentar se agora tanto faz
já estou onde prometi nunca mais voltar.

De madrugada eu acordei
pensando em como vai ser
se você entender
Elaborei frases pra dizer
sei que não tenho nada a perder.

Tenho medo de que tudo acabe em um segundo
perdi tempo demais com o "platônico"
Mas algo me diz que posso esperar
que nada disso vai passar.

"Não vou perder essa chance"
penso nisso a todo instante
Mas acabo não falando tudo o que penso
Por medo.

Queria saber falar tudo de uma vez
queria fazer você entender
Parar no tempo e não precisar voltar tão cedo.
Tudo o que falei ou deixei de falar

o que fiz ou deixei de fazer
não foi tentando me desvencilhar.

Olho para o céu
a vida corre, minuto a minuto
e eu aqui no mesmo lugar
Sinto que há muito por descobrir
ainda tenho muito tempo.

9 de julho de 2010

Do momento, da matéria


Ando cansada de tudo, de todos. Nada mais tem importância, não existe mais ninguém.Sinto ser invisível, inflexível. Sinto estar andando na escuridão. Não existe nenhuma parcela de coragem para seguir em frente. É como se em pouco tempo eu tivesse vivido muitos e muitos anos, andando sem receitas, nem caminhos. Simplesmente caminhando rumo a não sei o quê.Posso ter um colo, um olhar... Mas nada vai resolver, pelo menos por enquanto.
É estranho... como se tudo tivesse perdido a graça assim, do nada.
A matéria já não tem importância nenhuma para mim. Quero algo que está aqui dentro, guardado em meio a alegrias e tristezas, amores e desamores, que habitam meu coração.
Eu sei que isso tudo é do momento, sei que daqui algumas horas eu vou sair, ver algum filme, esquecer dessa impressão ruim.
Mas também sei que sempre vou sentir isso, uma hora ou outra. É irremediável.
Só existe uma possibilidade. Só existe um "novo horizonte", uma nova "esperança", e essa esperança tem nome.
Olha, falei demais.






8 de julho de 2010

.

Me faz tão bem!

Passagem Para Ravena - José Ricardo Moreira




Diogo e Lívia não se conhecem. Foram procurados no momento que esperavam qualquer coisa, menos que suas vidas fossem virar de cabeça pra baixo.
Dois adolescentes perseguidos por um passado que até então não lhes pertencia, carregando um grande fardo, uma trajetória prestes a renascer.
O melhor do guerreiro medieval Dimitri, que viveu nas estepes russas há mais de oitocentos anos renasce em Diogo, um jovem de quinze anos, amante da química, do handebol, dos gibis e da música.
O melhor de Irina, esposa de Dimitri, também renasce nos dias de hoje, na adolescente Lívia, uma garota um pouco mais jovem que Diogo. Vive em seu próprio mundo, gosta de ouvir Cássia Eller e de conversar com seu ursinho Nuno.
Mas quando o destino nos chama é impossível escapar.
Eles precisam destruir os parentais, seres que vieram de outro mundo, Ravena, para tomar posse de nosso planeta.
Dimitri e Irina os derrotaram, destruindo a passagem que os trazem de Ravena. O guerreiro errou em um único ponto: permitiu a sobrevivência de quatro dos seres: Tibério, Baal, Nepos e Calígula. Por vingança à morte de seu exército, Tibério matou Irina. E isso causou a ruína de Dimitri, o Guerreiro Sem Rosto.
Agora, em nosso mundo de pessoas más e máquinas loucas, os quatro banidos correm para reabrir a passagem que vai levá-los de volta à Ravena.
Querem desesperadamente voltar ao seu mundo, mas não sabem que isso não é possível. Só conseguirão trazer seus irmãos a esse mundo.
Dimitri e Irina, ou Diogo e Lívia (que nomes eram mais fortes agora?) precisam se unir novamente, e contarão com a ajuda do quinto parental, Cão, o mudo.
Formam um casal que nunca poderá se encontrar. Uma vida foi perdida, não correrão o risco duas vezes. Mas o futuro lhes guarda surpresas.
Com o poder dos medalhões oferecidos pelos hialinos, outros seres de Ravena, Diogo terá a percepção felina e a proteção de uma armadura poderosa. Lívia terá o poder de prevenir, remediar. Ajudará o guerreiro longe do campo de batalha, na segurança de seu quarto.
Diogo, Lívia e Cão: três solidões tão grandes quanto a solidão dos banidos.



Gláucia Minetto Martins.

18 de maio de 2010

Cinco Segundos

Não, não sabemos de mais nada
não parecemos mais ninguém

Só você e eu
juntos em nosso mundo
tão distante.

A hostilidade e o medo nos atingem
como se sempre estivessem ali,
mas isso é só defesa.

Faz parte do meu mundo,
o seu mundo
Que ninguém mais possa entender.


8 de abril de 2010

A Inveja


A inveja é cega
como uma serpente.

O veneno escorre de suas presas afiadas - freneticamente.
Quando vê o alvo,
se atira assim, sem pensar
em seu bote violento.

Nada mais importa.
Quer crescer,
Tenta desesperadamente
Subir na árvore mais próxima.
Porque afinal, a serpente vive
se arrastando ao chão.

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